sexta-feira, junho 12, 2015

A IMPORTÂNCIA POLÍTICA DE COPI



Neste tempo triste em que acompanhamos o drama da Verônica Bolina (transexual agredida por policiais a ponto de ter o rosto desfigurado), a OCUPAÇÃO COPI no Espaço Sesc em Copacabana - a partir da obra do argentino Raúl Damonte Botana (1939-1987), conhecido pelo pseudônimo de Copi - além de fundamental, é um ato político: fortalece o debate sobre identidade sexual e intolerância.
Merece atenção a montagem da companhia Teatro de Extremos que apresenta o texto inédito no Brasil, escrito em 1971 por Copi: “O Homossexual ou a Dificuldade de se Expressar” (tradução de Giovana Soar), dirigida por Fabiano de Freitas, com atuação intensa de Higor Campagnaro, Leonardo Corajo, Mauricio Lima, Fabiano de Freitas, e Renato Carrera - que se destaca pelo primor da construção da personagem. Os personagens travestis (Irina, Madre, Nikita, Sra Simpson) são marcados pela ironia e escatologia. A peça é uma mistura de melodrama e absurdo, que literalmente faz o espectador rever a própria existência.
Também no Espaço Sesc está a montagem do monólogo tragicômico “A Geladeira” (tradução de Maria Clara Ferrer), dirigido Thomas Quillardet, com atuação de Márcio Vito. No texto, um homem, no dia do seu aniversário, acorda e encontra um refrigerador no meio da sala do apartamento. Assim, se desenrola a cena marcada pelo absurdo que Copi nos apresenta. Marcio Vito é um ator virtuoso que se desdobra em vários personagens, entretanto a concepção de direção de Thomas Quillardet não favorece sua atuação. A sensação é de que falta ritmo ao espetáculo, e também cores para o delírio dos personagens de Copi.
Vale lembrar, o ator Fernando Fecchio estreou em novembro de 2014 em São Paulo esse mesmo texto de Copi - "A Geladeira". Fiquei com vontade de conferir a encenação. E também interessado em ler o romance "O Uruguaio", lançado recentemente no Brasil pela editora Rocco com tradução do poeta Carlito Azevedo. A propósito, um imenso agradecimento pesquisadora Renata Pimental pela dedicação em trazer a obra de Copi para conhecimento dos brasileiros.
Rio de Janeiro, 12 de junho de 2015.
Ramon Nunes Mello

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