quarta-feira, maio 12, 2010

101, HISTÓRIAS


Uma semana depois do terremoto que assolou o Haiti, surgiu a ideia do projeto 100 Stories for Haiti, do britânico Greg McQueen, que pretendia repassar 100% do lucro para as vítimas do terremoto. No início de março o projeto começou a ganhar uma versão brasileira (confira a notícia no PublishNews). Mas enquanto o projeto era desenvolvido em terras tupiniquins, a tragédia alcançou o Rio de Janeiro: o temporal que inundou a capital e vizinhanças desbarrancou morros, soterrou casas e destruiu vidas. E o projeto pelo Haiti tomou novas proporções. Escritores brasileiros foram convidados a mandar suas histórias e o projeto foi rebatizado: Rio-Haiti, 101 histórias. Uma esperança.
Conheça os autores dos contos:

Angela Dutra de Menezes nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Jornalista, trabalhou no jornal O Globo e na revista Veja. Tem sete livros publicados. Dois deles também em Portugal e na Espanha. É autora do best-seller O português que nos pariu.

Antonio Carlos Secchin é professor de literatura, ensaísta, contista, poeta e membro da Academia Brasileira de Letras.

C. S. Soares é autor de Santos Dumont Número 8, primeiro romance brasileiro publicado em redes sociais on-line. É especialista em tecnologia da informação e editor do Pontolit.

Claufe Rodrigues é poeta e autor de 11 livros, com atuação marcante no cenário cultural carioca há mais de 30 anos. Fez parte dos grupos de poesia Bandidos do Céu, Bazar dos Baratos, Ver o verso e Os Camaleões – este último, ao lado de Pedro Bial e Luiz Petry. É repórter e editor do canal Globo News. Realizou os documentários O Poeta Fingidor, sobre Fernando Pessoa; O Bruxo das Palavras, sobre o centenário de Machado de Assis; e Euclides, uma vida em linha reta, sobre Euclides da Cunha.

João Montanaro, com apenas 13 anos de idade, é considerado um fenômeno, trabalhando regularmente para veículos como Folha de S. Paulo, jornal para o qual produz tiras quinzenalmente. Artista precoce, tem seu talento reconhecido por cartunistas de renome como Laerte, Adão Iturrusgarai, Jean Galvão e Paulo Carranza, entre outros, que o homenageiam (e são homenageados) em “Cócegas no raciocínio”, compilação de trabalhos já publicados e inéditos do jovem artista, que será lançada na Bienal do Livro de São Paulo.

Menalton Braff tem 14 livros publicados e um prêmio Jabuti na bagagem (À sombra do cipreste) e dedica seu tempo ao magistério (ensino médio) e a atividades literárias.

Felipe Pena é jornalista, escritor, psicólogo, professor da Universidade Federal Fluminense e autor de 10 livros, entre eles o romance O marido perfeito mora ao lado, lançado pela editora Record em 2010.

Fernando Alves nasceu em São Paulo em 1966, com raízes portuguesas e italianas. É um leitor voraz e eclético, apesar da queda por História. Graduado em Letras e pós-graduado em Marketing e Gestão Editorial, é editor há mais de 20 anos. Hoje, está à frente de sua própria casa, Longarina. E o mais importante: pai do Henrique e marido da Cris!

Galeno Amorim é diretor do Observatório do Livro e da Leitura. Jornalista e autor de 12 livros de literatura infanto-juvenil e ensaios, tem várias obras sobre a questão da leitura (foi organizador de Retratos da Leitura no Brasil, entre outros). Foi o criador do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).


Henrique Rodrigues nasceu no Rio de Janeiro, em 1975. É doutorando em Literatura na Puc-Rio e trabalha com projetos de incentivo à leitura. Escreve livros de poesia, infantis, e recentemente organizou a antologia Como se não houvesse amanhã: 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana. Site www.henriquerodrigues.net

João Gabriel de Lima é escritor e jornalista. Publicou os romances O Burlador de Sevilha (Companhia das Letras, 2000) eCarnaval (Objetiva, 2006). É diretor de redação da revista Bravo!

Lúcia Bettencourt é uma carioca que gosta de ler e que já publicou A secretária de Borges e Linha de sombra (Record).

Luis Eduardo Matta nasceu no Rio de Janeiro em 1974. Estreou na literatura em 1993, aos 18 anos, com o thrillerConexão Beirute-Teeran. É autor de romances de mistério e suspense para os públicos adulto e juvenil, como Ira implacável(2002), 120 horas (2005), Morte no colégio (2007), O rubi do Planalto Central (2009) e O véu (2009). Tem diversos artigos e ensaios publicados, a maioria na revista DigestivoCultural.com

Marcelo Moutinho nasceu no Rio de Janeiro (RJ), onde vive, em 1972. Publicou os livros Memórias dos barcos (7Letras, 2001) e Somos todos iguais nesta noite (Rocco, 2006). Além disso, organizou as antologias Prosas cariocas (Casa da Palavra 2004), Contos sobre tela (Pinakotheke, 2005) e Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa (Casa da Palavra, 2009), e o livroCanções do Rio – A cidade em letra e música (Casa da Palavra, 2010). Site do autor: www.marcelomoutinho.com.br

Márcio-André é escritor, tradutor, performer, e editor da revista Confraria do Vento. Foi professor de escrita criativa na Universidade de Coimbra, Portugal, e na UFRJ. Colaborou para os jornais O Globo e Jornal do Brasil e é articulista do Estado de Minas.

Mauro Ventura, filho de Zuenir Ventura, é jornalista do Globo, onde trabalha como repórter especial do Segundo Caderno e escreve a coluna Dois Cafés e a Conta na revista O Globo. Prepara um livro sobre a maior tragédia da história do Brasil, o incêndio do Gran Circus Norte-Americano, em 1961, que será lançado em 2011.

Omar de Souza é jornalista, tradutor e escritor, e trabalha atualmente como editor geral da Garimpo Editorial.

Patrícia Sotello é gaúcha, mas mora no Rio de Janeiro desde 1984. É formada em Letras e pós-graduada em Produção Editorial. Atua como revisora e é colaboradora do Pontolit.

Ramon Mello nasceu em Araruama/RJ, em 1984. É poeta e jornalista. Mantém os blogs Sorriso do Gato de Alice,ClickInversos e Letras-Saraiva Conteúdo. Organizador de Escolhas - autobiografia intelectual da professora Heloisa Buarque de Hollanda. Pesquisador e coorganizador de Enter, Antologia Digital. Responsável pela obra do poeta Rodrigo de Souza Leão, falecido em 2009. É autor do livro de poemas Vinis mofados (Língua Geral).

Raymundo Silveira é médico e escritor. Durante onze anos foi membro do Conselho Editorial da Revista Médica FEMINA onde publicou artigos científicos. Suas atividades na literatura convencional tiveram início com o advento da Internet. Faz parte da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES) e do Grupo de Contistas de São Paulo.

Roberto Muggiati é jornalista, escritor, tradutor, autor do romance A contorcionista mongol (Record, 2000), das antologias de contos A selva do dinheiro e A selva do Amor (Record, 2002 e 2003) e de Improvisando soluções (BestSeller, 2008).

Sidney Rocha, 44, é autor de Sofia, uma ventania para dentro (Ateliê Editorial, 2006) e Matriuska (Iluminuras, 2009). Vive entre o Recife, São Paulo e Brasília enquanto termina o seu novo romance, o-homem-que-levaria-o-pirimeiro-tiro, que será lançado em 2011.

Simone Magno, carioca, 43 anos, é jornalista e escritora, autora do livro de poesia Avelã pirata (Achiamé) e do blog de minicontos http://aluadepoisdogravador.blogspot.com. É responsável pelo Tempo de letras, boletim diário sobre literatura da Rádio CBN, no ar desde maio de 2007.

Valéria Martins
é jornalista e autora dos livros Mr. Page e os sonhos (Mojo Books, 2009) e Encontros com Deus – 21 personalidades narram sua busca espiritual (Mauad Editora, 1997), entre outros. Mantém o blog A Pausa do Tempo –www.pausadotempo.blogspot.com

terça-feira, maio 11, 2010

ELA NÃO QUERIA FALAR SOBRE O KENTUCKY

Contos de Mary Blaigdfield — A mulher que não queria falar sobre o Kentucky é o primeiro livro de prosa de Lucas Viriato de Medeiros. A estréia do poeta na ficção comprova um fato: sua escrita é marcada pelo movimento. Neste livro, o autor acompanha as viagens de seus personagens, mesmo quando eles não saem do lugar.

Um simples feixe de luz, entrando por uma porta de vidro, pode ser o ponto de partida para um caleidoscópio de emoções. “Prismas que captam luz e a jogam em todas as direções.” Impossível é não acompanhar a trajetória de uma protagonista misteriosa, de nome estranho: “Ela é Mary Blaigdfield e ela não quer falar sobre o Kentucky.” Não se preocupem, Mary não precisa falar sobre suas angústias. Os outros personagens falam por ela: “Eu sei! Crupac! Eu sei o que você fez no Kentucky! Crupac! Crupac!”

Podemos ler esse livro como um romance, degustando-o lentamente. Cada um dos contos, mesmo com suas histórias independentes, constrói o universo de Mary Blaigdfield, mulher que se animaliza diante de uma simples suspeita sobre a descoberta de seu passado. Sem dúvidas, uma mulher tão instigante como as outras personagens do livro. Em muitos dos contos, as personas femininas são os catalisadores das histórias, como Lúcia, de ‘Faxina Geral’, que nos faz enxergar que “as flores do jardim eram outras”.

As 13 histórias sintetizam a intensidade da prosa de Lucas Viriato. “Porém, a vida não é feita de possibilidades.” É justamente a impossibilidade de cada personagem, a falta de diálogo, a estranheza diante da vida que transformam a narrativa de um cotidiano sem graça numa história que merece ser lida. O autor mantém um estilo de escrita ousado, sem a pretensão de escrever numa linguagem nova.

No conto ‘Amor de Armário’, um dos melhores do livro, seres inanimados são humanizados através da história de amor entre uma caixa de cereal e de uvas-passas. Lucas Viriato segue a cartilha do poeta Manoel de Barros: As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis — elas desejam ser olhadas de azul. Essa lente poética (cor de mendolatium?) na narrativa prende o leitor, que é levado a mergulhar “nas experiências pessoais, memórias de supermercado, naquela vida de prateleira.”

Em ‘Uma Aventura no Alto do Himalaia’ — releitura contemporânea do monstro das neves, o Grande Vuitton — encontramos a herança do autor: o Oriente. Entendemos que não há para onde fugir — mesmo em movimento, retornamos ao começo. “Ela é Mary Blaigdfield...” Na prosa de Lucas Viriato “muitas coisas resistem”, a lembrança dessas histórias é uma delas.

Ramon Mello

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE ALESSANDRA COLASANTI

nana cap001 from alessandra colasanti on Vimeo.



cenas dos próximos capítulos, AQUI!

quarta-feira, maio 05, 2010

rio de janeiro -> paris -> berlim -> lisboa -> rio de janeiro

sexta-feira, abril 30, 2010

A URGÊNCIA DO INSTANTE

Por Leonardo Davino

Dentre as efemérides da celebração pelos 50 anos de Renato Russo, o livro “Como se não houvesse amanhã” – coletânea de contos inspirados nas canções da Legião Urbana, organizada por Henriques Rodrigues – é uma boa homenagem ao cantor e compositor.

Todos os vinte contistas são, assumida e sensivelmente, fãs banda que ainda hoje mantém aficionados. A angústia produtiva e a inadaptação ao mundo, que atravessavam as canções também direcionam as tentativas de traduções interssemióticas do livro. Mesmo que as canções sejam uma referência distante, ou que versos apareçam diluídos nos textos, a lição de Renato foi introjetada.

Desde “Será”, de Daniela Santi, que abre o livro com lente hitchcockiana e persegue o amadurecimento prematuro, através de dramas sem motivos aparentes, de uma jovem estudante, até “Sagrado coração”, de Maurício de Almeida, de teor confessional, há algo que mina, falta e jorra. Um remexer intenso e vazio nas caixas da memória.

O gozo erótico fica no plano escritural, pois a fisicalidade diegética está sempre fraturada. “Um corpo morto não goza”. Os sujeitos se paralisam diante dos convites e intimações da existência. Delírios, separações e sêmen no chão dão o tom.

A ausência de verdade, ou a proliferação exagerada delas, é uma das musas das canções da Legião Urbana. Buscar, dentro do sereno da madrugada, exaspera o querer do sujeito, como mostra o conto “Sereníssima”, de Ramon Mello. Há, aqui, um grito de alerta e a procura da palavra mais certa para dizer o indizível.Este conto, aliás, é uma “ode” à canção popular. Muitas tessituras sonoras se cruzam, como os caminhos cruzados das personagens. A cama é tatame, o fracasso é relativizado pela inscrição do desejo amoroso e os atos são desenhados sobre acordos íntimos desbotados. O sujeito, exasperado, canta o eterno retorno do fim.

Para o bem e para o mal, o desespero, a ansiedade (adolescente) e o enfado diante do mundo provocam as ranhuras doídas e insofismáveis das canções da Legião Urbana e, consequentemente, dos contos. As personagens sem nomes próprios adensam o desejo de atingir o inconsciente do ouvinte-leitor e a intimidade é, por vezes, conseguida.

“Como se não houvesse amanhã”, com as irregularidades que marcam qualquer coletânea, é uma boa amostra sintomática de uma geração cuja certeza passa pela sabedoria de que algo se quebrou e está se quebrando.

[Jornal da União - Paraíba]

segunda-feira, abril 19, 2010

sexta-feira, abril 16, 2010

CÂNTICO NEGRO

de José Régio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

[esse foi enviado por Adriana Mesquita]

1 ANO DO SARAIVACONTEÚDO


quarta-feira, abril 14, 2010

MARY BLAIGDFIELD



O poeta Lucas Viriato de Medeiros, meu amigo, estreia na prosa.

Vem aí o seu terceiro livro: Contos de Mary Blaigdfield, a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (e outras histórias) - editado pela 7Letras.

São 13 contos, sendo cinco sobre esta misteriosa mulher de nome estranho e passado desconhecido. A capa é assinada pelo artista plástico Barrão.

O lançamento será daqui a um mês, dia 11 de maio, a partir das 19h, no restaurante Ettore do Leblon, que fica na Rua Conde de Bernadotte 26.

Orgulhoso pelo trabalho de Lucas Viriato, assino a orelha do livro.

quinta-feira, abril 08, 2010

LITERATURA NA REDE

Provérbios da Era Digital
Professor Latuf Isaias Mucci

1. A pressa é inimiga da conexão.
2. Amigos, amigos, senhas à parte.
3. A arquivo dado não se olha o formato.
4. Diga-me que chat frequentas e te direi quem és.
5. Para bom provedor uma senha basta.
6. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.
7. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.
8. Hacker que ladra, não morde.
9. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.
10. Mouse sujo se limpa em casa.
11. Melhor prevenir do que formatar.
12. Quando um não quer, dois não teclam.
13. Quem clica seus males multiplica.
14. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
15. Quem envia o que quer, recebe o que não quer...
16. Quem não tem banda larga, caça com discada.
17. Quem semeia e-mails, colhe spams.
18. Quem tem dedo vai a Roma.com
19. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.
20. Uma impressora disse para outra: - Essa folha é sua ou é impressão minha.
21. Na informática nada se perde nada se cria. Tudo se copia... E depois se cola.

[clique na imagem para ampliar]



Literatura na Rede
Seminário de Literatura Digital
Conferências:
'O autor frente aos desafios da tela', por Domínico Chiappe
'Está Nervoso? Vai blogar!', por Lautf Isaias Mucci
Mediação: Ramon Mello
Dia: 14 de abril, às 18h
Rua do Carmo, 8 - 4 andar - Centro - Rio de Janeiro
Tel: 21 - 2531 9647

>>> Professor Latuf Mucci escreveu sobre o encontro:


MISE EN ABYME

O Instituto Cervantes, do Rio de Janeiro, promoveu, dia 14 de abril último, um evento, denominado "Liter@atur@ na rede", de que participamos, como conferencistas, Doménico Chiappe, peruano, e eu, mediados por Ramon Mello. Quando fui convidado, por indicação do Programa de Pós-Graduação em Letras, da UFF, não titubeei nem um minuto quanto ao tema que exporia: "o blog". Fundou-se meu desejo em um duplo fato: sou, desde 2009, blogueiro convicto, e ofereci, na própria UFF, todo um curso "Epistemoloia da arte", baseado no "blog", como novo "locus" para o texto de arte e, sobretudo, o texto literário. Tivemos casa cheia, quase superlotada, não fora o qüiproqüó quanto ao lugar do evento; para mim, seria na Livraria da Travessa, na Rua do Ouvidor, mas soube, na última hora, que falaríamos no próprio Cervantes. Assim, vários de meus alunos não puderam ouvir-me, porque foram ao endereço errado. A grande vantagem, penso eu, para além de poder expor sua idéias e pesquisas, desses eventos é, a meu ver, o encontro e o reencontro com pessoas. Conheci o pessoal do Cervantes, em especial o diretor, Antonio Martinez que se me revelou um cavalheiro, bem como a Ruth, muito eficaz. À mesa, tive o grande prazer de ouvir a Deménico Chiappe, que mora em Madri e falou sobre "O autor frente aos desafios da tela". Ele apresentou um romance multimédia, de sua autoria, e discorreu sobre o processo e o resultado dessa inovação toda, que mistura texto literário, música, canções, imagens: uma parafernália, enfim. Ramon Mello é um jovem poeta araruemense, que trabalha na Secretaria da Cultura e vive, literalmente, na metafórica rede, pois ganha o pão com a Internet. Brinquei com ele, dizendo-lhe que é um Macunaíma, deitado na rede da cultura. Foi excelente a mediação do Ramon, que justificou, mais uma vez, meu entusiasmo com relação a essa juventude conectada. Conferi à minha palestra o título "Eu, blogueiro, me confesso ou o prazer do blog", um sintagma duplo, que refere, ao mesmo tempo, a liturgia católica da penitência ("eu, pecador me confesso")e a semiologia de Roland Barthes (1915-1980), autor do magnífico livro "O prazer do texto". O título que, finalmente, aparece no prospecto do evento "Está nervoso? Vai blogar" foi a epígrafe, em que parafraseo os adesivos de carros aqui na Região dos Lagos: "Está nervoso? Vai pescar". Não que eu considere a arte uma terapia ou catársis à la Aristóteles. Arte é pensar, repensar, refletir (e "refletir" em sua etimologia, significando dobrar-se sobre si mesmo, o pensamento voltado para si, a linguagem em torno da linguagem). Em minha intervenção, parti da minha práxis de usuário do "blog", presente de minha amiga Roseana Murray (ela é judia e eu sou árabe: somos, definitivamente, o emblema da paz universal). Uso o "blog" como um espaço de minha experiência de escritura, uma oficina de textos, um laboratório do labor literário. Não insiro imagens, tampouco sons, não só porque não sei mexer, na internet, com esse tipo de sistemas semióticos, como pelo fato de querer o texto, o texto absoluto, o texto luminoso, o texto em si, sem "links" outros que afastem da letra o provável leitor. Já o mundo anda locupletado de imagens e sons e eu quero o silêncio da palavra cansada ("a pá que lavra", consignou Wilson Coelho, aluno meu de doutorado). Hipertextual por natureza, a internet não deve dispersar mais ainda quem dela se serve. Venho notando que meus alunos de graduação, que andam na adolescência, ou recém-saídos dela, têm uma criatividade absurda, mas apresentam uma enorme dispersividade, fazendo 1001 coisas ao mesmo tempo; fazem coisas ótimas, mas prefiro que eles fiquem focados, centrados, compenetrados diante da Internet, máquina da dispersão. Não concordo, em absoluto, com aqueles que sustentam que a juventude não pensa. Os jovens pensam sim. Pensam diferentemente. Pensam obliquamente. E estão disponíveis para quem queira fazê-lo pensar, como é o caso do professor. Meu blog não é, definitivamente, uma viagem em torno de meu fatigado umbigo. É claro que aqui inscrevo experiências minhas, observações, iluminações (todo ser é iluminado), anotando coisas que, não fora a blogsfera, eu perderia. Todavia, opto, sobretudo, por montar um blog como se fora uma antologia, com meus poemas preferidos, fragmentos que me encantam, aforismos e quejandos. Sei da força do blog e minha práxis de blogueiro me tem exigido uma disciplina literária. Mesmo fora da sala de aula, sinto-me um professor para o mundo. E quem mais aprende sou eu, blogueiro que se confessa com o prazer do blog. O apelido do meu blog seria "blogozoso".

terça-feira, abril 06, 2010

INVENTÁRIO

cartas a théo from retrolectro on Vimeo.


Cartas a Théo trata do cotidiano de um rapaz de idéias filosóficas, aficionado por listas, cartas e cigarros. Demonstrando aparente loucura, busca a essência dos objetos, de si e das paixões. O vídeo é uma tradução intersemiótica de idéias do filósofo Heidegger, do poeta Rilke e das cartas do pintor Van Gogh. Música, texto e imagem se fundem numa relação indissociável, construindo diferentes possibilidades de interpretação.

Selecionado: Mostra do Filme Livre 2010, Rio de Janeiro.

Direção, produção, roteiro, edição: Rogério Bettoni
Câmera cenas externas: Cíntia Bertolino
Consultoria tipográfica: Shirley Fraguas e Ícaro Matias

segunda-feira, abril 05, 2010

FREE JAFAR PANAHI!




Cineasta iraniano continua preso no Teerã
Protestos contra a prisão do diretor de cinema Jafar Panahi tomam a web

Por Ramon Mello

O prestigiado cineasta iraniano Jafar Panahi, 49 anos, premiado internacionalmente e que manifestou o seu apoio à oposição do presidente Mahmud Ahmadinejad, continua preso em Teerã. Panahi foi preso há um mês com a família.

Jafar Panahi conquistou o público brasileiro com seu primeiro longa, O Balão Branco, de 1995, realizado depois de alguns documentários e dois filmes para a televisão. Nos anos 90, as produções iranianas ganharam as salas de cinema por todo o país. Panahi chegou a ganhar o prêmio do júri na 19.ª Mostra de Cinema de São Paulo, o da Associação de Críticos de Nova York e o Camera d'Or no Festival de Cannes.

O procurador-geral de Teerã, Abbas Jafari Dolatabadi, afirmou que Panahi "não foi detido por ser um artista ou por razões políticas, mas porque cometeu um delito". No entanto, somente no dia 31 de março a família conseguiu visitá-lo na prisão. Panah Panahi, filho do cineasta, disse que Jafar foi levado da sua residência com a mulher, a filha e os convidados para um local desconhecido por homens vestidos à civil que irromperam pela casa na segunda feira à noite. Após as detenções, os agentes fizeram uma busca pela casa e confiscaram o seu computador, além de outros pertences não especificados.

O cinema iraniano fez a cabeça de muitos cineastas do mundo inteiro, inclusive no Brasil. O cineasta Walter Salles, diretor de sucessos como Central do Brasil (1998) e Diários de Motocicleta (2004), contesta a política do governo iraquiano:

"A prisão de Jafar Panahi é um ato de absoluta arbitrariedade, próprio aos regimes totalitários que não aceitam a existência de vozes dissonantes. Jafar Panahi é um cineasta de extrema sensibilidade, com uma obra marcada por uma profunda crença no humanismo. Fiz parte do juri da Mostra de São Paulo que lhe conferiu o prêmio de Melhor Filme para "O Balão Branco". As imagens desse filme estão comigo até hoje. Que Panahi esteja preso há mais de 30 dias revela o quanto o governo iraniano desconhece os preceitos básicos dos direitos humanos", afirma Salles.

O diretor e roteirista Roberto Gervitz, diretor de Feliz Ano Velho (1987) e Jogo Subterrâneo (2005), entre outros filmes, também protesta contra a prisão de Panahi:

“Além de representar uma ameaça da estatura do Jafar, essa prisão mostra como está a situação política no Irã. A comunidade cinematográfica deve se manifestar para que Panahi seja solto. No dia 15 de abril haverá um movimento internacional para fazer exibições dos filmes dele. Quem puder, tem de colaborar. É uma luta a favor da liberdade. A prisão de qualquer cineasta, famoso ou não, é um atentado à democracia. E isso nós brasileiros conhecemos bem”, defende Gervitz, que assinou já assinou uma petição online em defesa do cineasta. A petição conta com mais 2 mil assinaturas, entre eles Cacá Diegues e Pedro Almodovar.

O International Film Festival Rotterdam confirmou a exibição dos filmes de Jafar Panahi, com a cooperação do Museu do Cinema, em Amseterdã, que vai exibir o filme O Balão Branco.

No Brasil, a Associação de Cineastas Brasileiros está organizando a projeção dos filmes de Panahi no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em São Paulo a projeção acontecerá no Arteplex, graças ao empenho do diretor Leon Cakoff. E no Rio será na PUC, conforme organização do cineasta Silvio Tendler da ABRACI (Associação Brasileira de Cineastas).

Além da petição, a web tem servido de tribuna para universitários, críticos e cineastas promovem protestos e debates contra a prisão de Jafar Panahi.

No site de relacionamentos Facebook, por exemplo, cerca de três mil internautas de diferentes nacionalidades – em sua maioria americanos, iranianos e brasileiros - se reúnem na página Free Jafar Panahi! Para trocar informações sobre o cineasta, acompanhando as notícias.

No Twitter, o crítico de cinema Amir Labaki [@aimarlabaki] reclamou, no dia 10 de maio, sobre a falta de cobertura da imprensa no caso Panahi:

"Jafar Panahi, diretor iraniano, está preso há dias. Sem acusação formal. A notícia sumiu da mídia. Se não houver grito, será calado.", twittou Labaki.

A produtora de cinema Tatiana Leite, idealizadora da mostra Faça Você Mesmo – O Novo Cinema da Malásia, que mantém contato com a família do cineasta desde que participou do Fajar International Film Festival, em 2004, está indignada com a prisão.

“Panahi não é um ativista, é um cineasta. Estamos chocados porque o governo de Ahmadinejad está censurando a liberdade de expressão. Isso é um absurdo. A prisão dele representa um retrocesso, o povo iraniano é muito ligado às artes. O Brasil tem boas relações diplomáticas com o presidente iraniano, podemos pedir a libertação de Jafar Panahi”, diz Tatiana.

No início do mês passado, os organizadores da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo divulgaram um comunicado de protesto:

“Nós da Mostra Internacional de Cinema manifestamos a nossa indignação pela prisão do cineasta e amigo Jafar Panahi pelo governo do Irã”.

[Texto publicado originalmente no portal Cultura.RJ, da Secretaria de Cultura do Estado]

terça-feira, março 30, 2010

LEGIONÁRIOS




Fotos: J Egberto




AS PALAVRAS QUE NUNCA SÃO DITAS

Por Zeca Camargo

(...)

Fiquei inspirado a escrever alguma coisa quando, esta semana, encontrei numa livraria a coletânea de contos Como se não houvesse amanhã, organizada por Henrique Rodrigues e editada pela Record. Trata-se de uma série de histórias inspiradas em músicas do Legião Urbana – uma iniciativa interessante, que deve agradar não apenas aos fãs da banda (e de Renato Russo), mas aos leitores que gostam de um bom exercício lúdico.

Usar música como inspiração para literatura não é novidade. Por exemplo, o autor de Alta fidelidade, Nick Hornby, fez sua carreira literário em cima disso. E vale lembrar também de uma série de pequenos livros (que coleciono não muito religiosamente) chamada “33 1/3” – uma referência à rotação necessária para tocar os antigos LPs de vinil (consulte seu tio “mais velho” para mais detalhes). Ela convida escritores de vários estilos a contar uma história em torno de um álbum clássico do pop/rock (meus favoritos são um sobre “Unknown pleasures”, do Joy Division, por Chris Ott; “Pink moon”, de Nick Drake, por Amanda Petrisich; “Doolittle”, do Pixies, por Ben Sisario; “Endtroducing”, do DJ Shadow, por Eliot Wilder; e obviamente “Meat is murder”, do The Smiths, por Joseph T. Pernice – mas não, curiosamente, “Achtung baby”, do U2, por Stephen Cantanzarite, nem “OK Computer”, do Radiohead, por Dai Griffiths).

Mesmo não sendo muito original, a idéia de Como se não houvesse amanhã me pareceu bastante oportuna – nem que fosse pela passagem recente (lembrada com entusiasmo aqui mesmo na internet) da data que marcaria o aniversário de 50 anos de Renato Russo, agora, dia 27 de março. Como qualquer coletânea, ela é bastante irregular. Mas a maioria dos textos é interessante – são menos tributos apaixonados do que elegantes referências a obra daquele que foi um dos mais inspirados poetas e um dos mais apaixonados compositores do nosso pop.

Nenhum dos textos “baba ovo” para o Legião, mas há sempre uma alusão discreta e carinhosa às músicas escolhidas pelos colaboradores (boa parte deles, notei, nascida nos anos 70). Entre os que mais gostei, estão o de Ramon Mello (em cima da música “Sereníssima”); o disfarçadamente triste reencontro descrito por Susana Fuentes (baseado em “Quando o sol bater na janela do seu quarto”); e o conto de Miguel Sanchez Neto, inspirado por “Meninos e meninas”, que começa com essa quase perfeita frase: “É preciso passar por muitas decepções para merecer de novo o primeiro amor”.

Totalmente imbuído desse espírito, lá fui eu tentar minha sorte na ficção, com a mesma desculpa: usar uma música do Legião Urbana para contar uma história. O primeiro desafio, claro, era escolher uma canção que os outros autores ainda não haviam usado. Para minha surpresa, entre as 20 músicas escolhidas, duas das minhas favoritas ficaram de fora: “Índios” e “Quase sem querer”. Qual das suas eu deveria ser minha opção?

(...)

[Blog Zeca Camargo - G1 -29.03.10]


CONTOS INSPIRADOS EM LETRAS DO RENATO

Por Mauro Ferreira

Lançado neste sábado, 27 de março de 2010, data em que Renato Russo (1960 - 1996) faria 50 anos, o curioso livro Como Se Não Houvesse Amanhã (Editora Record, 160 páginas, R$ 32,90) apresenta 20 contos inéditos inspirados em letras escritas por Russo para músicas da Legião Urbana e do Aborto Elétrico (deste, há 'Que País É Este?' e 'Faroeste Caboclo'). Com edição organizada por Henrique Rodrigues, os 20 contos são dispostos no livro na ordem cronológica dos álbuns que apresentaram as 20 músicas. Com exceção do conto inspirado em Há Tempos, em que o autor Carlos Henrique Schroeder cita nominalmente a música lançada em 1989 no disco 'As Quatro Estações', os escritores criaram histórias sem links explícitos com as letras. Em sua grande maioria, os contos estão impregnados da melancolia que permeava as letras de Russo e - não raro - versam sobre amor e perda. Rosana Caiado Ferreira flagra Eduardo e Mônica em processo doído de separação. Ramón Mello junta os cacos emocionais de uma relação em 'Sereníssima', único conto de viés mais explicitamente gay. Destaque, 'Pais e Filhos' é conto em que o autor João Anzanello Carrascoza remói sentimentos amargos das relações familiares sob a ótica de um filho que não deu a devida atenção ao pai.


segunda-feira, março 29, 2010

sábado, março 27, 2010

quarta-feira, março 24, 2010

SONHADOR SONÂMBULO


banda tono, minha paixão mais recente: "invisto nas ações do prazer”

Ana Cláudia Lomelino, Leandro Floresta, Bem Gil, Bruno de Lullo e Rafael Rocha.

sexta-feira, março 19, 2010

SOBRE CRÍTICA

"Respeito muito a crítica porque ela é uma espécie de psicanalista do escritor. Geralmente revela coisas que nem a gente sabe sobre si mesmo, infere símbolos e relações inusitadas. De vez em quando é bom que se leve boas bordoadas, pra destrinchar o orgulho. Aliás, o orgulho e a vaidade são a Aids e o Câncer do escritor: alguns têm incubados, outros em pleno processo de expansão".

Charles Kiefer, 1987. SeteContos SetenEncantos, Org. Elias José

RENATO RUSSO 5.0



Renato Russo faria 50 anos dia 27 de março.

Como se não houvesse amanhã, lançamento da Editora Record, é um livro de contos organizado por Henrique Rodrigues. São vinte histórias inspiradas em músicas da banda Legião Urbana. A orelha do livro é do jornalista e produtor musical José Emílio Rondeau:

A Legião Urbana poderia ter sido apenas uma banda de rock. Mas tornou-se bem mais que um grupo musical que mudou as regras do jogo, ao impor sua assinatura, sua personalidade, suas convicções e sua ética a uma indústria fonográfica que apodrecia, a um país em transição. Quando a música da banda demonstrou ser capaz de traduzir e espelhar a intrincada trama de emoções dos meninos e meninas que descobriam o mundo e a si próprios – e, assim, passavam a se expor a todas as vicissitudes que isso implica -, a Legião virou ícone, fábula, religião, conselheira e influência.

O que você segura agora nas mãos é manifestação do alcance imenso de canções que poderiam ter se contentado em ser meras pepitas pop – o que já teria sido muito -, mas que atravessam os tempos intactas e potentes graças a uma universalidade e uma profundidade que cativam e inspiram; canções que emocionam, que ensinam, que aceleram a pulsação ou empurram lágrimas para fora, que fazem lembrar, que fazem pensar. Que iluminam a condição humana.

Este livro poderia ter sido apenas uma coleção de contos baseados em canções pop. No entanto, as obras nele incluídas extraem trechos, sensações, intenções e sugestões para formar um caleidoscópio rico e multifacetado, que – assim como a melhor canção pop – reflete todos nós.

Lista dos autores e das músicas:

Alexandre Plosk – Que país é este

Ana Elisa Ribeiro – Andrea Doria

Carlos Fialho – Faroeste Caboclo

Carlos Henrique Schroeder - Há tempos

Daniela Santi - Será

Henrique Rodrigues - Acrilic on canvas

João Anzanello Carrascoza – Pais e filhos

Manoela Sawitzki – Giz

Marcelo Moutinho – Vento no litoral

Mariel Reis – Música de trabalho

Maurício de Almeida – Sagrado coração

Miguel Sanches Neto – Meninos e meninas

Nereu Afonso da Silva – Ainda é cedo

Ramon Mello – Sereníssima

Renata Belmonte – Por enquanto

Rosana Caiado – Eduardo e Mônica

Sérgio Fantini – Música Urbana 2

Susana Fuentes – Quando o sol bater na janela do seu quarto

Tatiana Salem Levy – Tempo perdido

Wesley Peres – Monte Castelo


RAMON DO LIVRO
Por Júnior de Paula

Amanhã Renato Russo faria 50 anos e as homenagens vão ser incessantes. Merecidamente. Uma das mais bacanas veio pelas mãos de uma nova geração de escritores reunidos na antologia Como se não houvesse amanhã, da Editora Record. Trata-se de um livro de contos organizado por Henrique Rodrigues com 20 histórias inspiradas em músicas da Legião Urbana. Ramon Mello optou por transformar em prosa os versos de Sereníssima. “Quando adolescente, eu achava que ia ser o Renato Russo. Passava as tardes ouvindo os discos da Legião Urbana, que herdei de um tio, em uma vitrola velha”, relembra. Olhando para o futuro, Ramon trabalha na adaptação teatral do romance Todos os cachorros são azuis, de Rodrigo de Souza Leão, morto em julho de 2009, e organiza o último romance escrito por Souza Leão, Me roubaram uns dias contados.

[Heloisa Tolipan - Jornal do Brasil - 26/03/10]





quinta-feira, março 18, 2010

CUBA LIBRE

Marcio Debellian foi a Cuba e conversou com a escritora Yoani Sánchez. Assista ao vídeo exclusivo do site Saraiva Contéudo:








Leia o artigo sobre a entrevista, aqui!

EM DEFESA DO RIO

Cerca de 150 mil pessoas protestaram contra o projeto do petróleo na Cinelândia

Por Ramon Mello

Nem mesmo a forte chuva que caiu sobre a cidade nesta quarta-feira (17/03) impediu que cerca de 150 mil pessoas fossem às ruas manifestar seu apoio ao movimento 'Contra a Covardia, Em Defesa do Ri'o, proposto pelo Governador Sérgio Cabral.

A concentração foi na Candelária, de onde saíram vários carros de som, que acompanharam os pedestres pela Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia. A manifestação ocorreu em clima de festa, com muita música e representantes dos movimentos Funk, GLBT, Contra a Intolerância Religiosa, entre outros.

Pela manhã, manifestantes chegavam de vários municípios, em centenas de ônibus. No início da tarde, escritórios e empresas do centro da cidade liberaram seus funcionários para participarem da manifestação.

Artistas e intelectuais tiveram como ponto de encontro a Casa França-Brasil, de onde saíram com a Secretária de Estado de Cultura, Adriana Rattes. Diversos grupos culturais do interior do estado vieram ao Rio participar do protesto. De acordo com Adriana Rattes, este ato tornou-se uma grande mobilização popular.

"Esta manifestação tomou conta das ruas, da internet e vai muito além de uma iniciativa do próprio governo. As pessoas entenderam que é preciso lutar e defender o Rio. Se não mostrarmos o que pensamos, correremos o risco de sermos, mais uma vez, vítimas de uma legislação que muito nos prejudicará", disse a Secretária de Cultura.

Segundo Adriana Rattes, é a primeira vez durante muitos anos que há um governo estadual preocupado com a cultura carioca e fluminense. A secretária considera esta iniciativa um fator estratégico no desenvolvimento do estado, e somente assim o valor do Rio de Janeiro será reconhecido em todas as culturas do Brasil.

O artista plástico Vik Muniz, um dos primeiros a vestir a camisa ‘Mexeu com o Rio, mexeu comigo’, sintetizou:

"Estão tentando fazer chover no nosso piquenique. É bonito ver o povo se mobilizar por uma causa importante para o Rio."

Para a bailarina Ana Botafogo, a classe artística deve estar unida e se manifestar contra a emenda.

"Estamos todos aqui para darmos apoio ao nosso governador. Também estamos de braços dados e mãos dadas para defendermos esta história dos royalties do petróleo. Daqui a pouco, esta caminhada será feita com muita música, dança, enfim, com muita alegria, como é a característica do povo carioca. Não estamos brigando com ninguém, apenas estamos defendendo o que é nosso", concluiu a bailarina.

A atriz Xuxa Lopes, fez coro: "É bonito ver a população unida para protestar por seus direitos. Eu não poderia deixar de participar da passeata, os artistas têm de dar as mãos para defender os interesses do Rio de Janeiro. Não podemos sair perdendo, a cultura principalmente."

Já o cineasta e diretor de teatro Marcus Faustini comentou que sempre adorou Ibsen - o dramaturgo norueguês - , mas que depois da emenda do pré-sal, está até com medo de falar no nome do dramaturgo.

"O Estado do Rio de Janeiro perderá como um todo se esta emenda for aprovada. É uma mudança de regras no meio do caminho que não pode existir. É bom que todos se manifestem; não há como deixarmos isto ir adiante. O governador está fazendo muito bem chamando o estado para reagir diante deste fato", disse a presidente do Theatro Municipal, Carla Camurati.

A apresentadora Xuxa Meneghel, gaúcha como do deputado Ibsen Pinheiro, também esteve presente. "Sou gaúcha, mas escolhi o Rio para viver".

Performances

Durante toda manifestação podia-se ver peformances da população. Um dos atos mais frequentes foi a simulação do enterro do deputado gaúcho Ibsen Pinheiro, autor da emenda que retira do Rio royalties do petróleo.

Antônio Menezes de Campos de Goytacazes, no Norte Fluminense, contou sua vinda para o Rio:

"Saí da minha cidade com mais 10 mil pessoas para protestar contra esse absurdo, uma politicagem. Eles aprontam esta e depois ainda querem passar o fim de semana no Rio de Janeiro."

Ao redor da Praça da Cinelândia, as caravanas que vieram do interior do estado se agrupavam com faixas e cartazes contra o projeto do petróleo aprovado pela Câmara dos Deputados e encaminhado ao Senado. Estudantes pintaram o rosto de azul e branco, lembrando o movimento Caras-Pintadas, que pediu o impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

Em um palco montado em frente à Câmara dos Vereadores, políticos, incluindo o governador Sérgio Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, deram as mãos para mostrar que a união apartidária faz a força em um momento em que o grande perdedor é o estado do Rio de Janeiro. Sem discursar no palco, Cabral afirmou, em coletiva à imprensa, que a manifestação foi uma grande demonstração de amor ao Rio:

"Esta é uma demonstração de amor ao Rio. Milhares de pessoas estão aqui debaixo desta chuva toda. Todos nós tomamos uma decisão muito bacana, de não politizar o ato entre A, B ou C. Estão aí artistas, políticos, todos mostrando esta marca do Rio de Janeiro, que é a da generosidade, da parceria", disse o governador.

Toni Garrido apresentou o evento, que contou com a apresentação de Fernanda Abreu, Furacão 2000 e MC Sapão - e o povo dançou até cansar embaixo da chuva.

[Texto publicado originalmente no portal Cultura.RJ, da Secretaria de Cultura do Estado]


sexta-feira, março 12, 2010

ARTISTAS CONTRA A EMENDA DO PRÉ-SAL

Por Ramon Mello e Sandra Menezes

A decisão da Câmara dos Deputados favorável ao projeto do Pré-sal que redistribui os royalties do petróleo do Rio tem provocado indignação na sociedade civil. Artistas e intelectuais tem se manifestado contra a decisão que irá diminuir radicalmente o orçamento dos municípios: o Rio perde R$ 7 bilhões de receita, além da arrecadação potencial futura.

O cineasta Cacá Diegues, natural de Maceió, se solidariza com o Governador Sérgio Cabral, que chorou ao final de uma palestra para estudantes da PUC ao ser perguntado sobre o assunto.

"O governador chamou isso de linchamento e eu concordo plenamente com ele. Mais do que um linchamento isso é uma subversão da natureza. Estão querendo tirar o pré-sal do lugar onde ele está.", diz Cacá Diegues.

Para o produtor cultural Perfeito Fortuna, presidente da Fundição Progresso, a decisão dos deputados é inconstitucional e tem de ser confrontada.

“É um tremendo absurdo! Todos têm de se manifestar contra essa vergonha, um ato inconstitucional. Políticos interessados em eleição que desejam aparecer em seus estados, tirando o que é do Rio. Na hora de usar o Rio em campanha nacional, a Cidade Maravilhosa, todos querem. Mas eles não pensam na população, em nossa cultura. Os artistas, os cidadãos do Rio de janeiro estão indignados! Vamos enforcar esses “Judas” nos Arcos da Lapa e colocar fogo! Vamos protestar!”, afirma Fortuna, que vai aproveitar o Baile de Aleluia na Fundição Progresso, no Dia de Judas, para malhar os seis deputados que não compareceram à votação da emenda.

A revolta contra a emenda proposta pelo deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), também chegou ao poeta Ferreira Gullar, que lamentou o desaparecimento do interesse público na política brasileira.

“Essa emenda é uma violência na política brasileira. Isso é o que povo ganha no período eleitoral. Esse deputado, o Ibsen, é do Sul, quer aparecer, ficar conhecido por ter levado o lucro do petróleo para o seu estado. Esse Congresso é lamentável, uma tristeza. É o andamento da política populista do presidente Lula. Estão pensando no interesse público? Não”, critica o poeta maranhense, radicado no Rio de Janeiro desde 1951.

A cantora carioca Fernanda Abreu prefere acreditar na sensibilidade do presidente Luis Inácio Lula da Silva, que tem o poder de vetar o projeto.

"Estou convencida que o presidente Lula não vai deixar passar essa agressão que estão tentando fazer com o Estado do Rio de Janeiro. Ele sabe que o estado do Rio do Rio de Janeiro será palco, nos próximos seis anos, dos maiores eventos esportivos do mundo e que o Brasil terá uma visibilidade internacional sem precedentes. Confiamos no presidente Lula e nos senadores que pensam em projetos de futuro para o país”, diz a cantora.

[Texto publicado originalmente no portal Cultura.RJ, da Secretaria de Cultura do Estado]



terça-feira, março 09, 2010

HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS

o roteirista paulo halm faz uma belíssima estreia na direção com ‘histórias de amor duram apenas 90 minutos':




sinopse:

"Caio Blat é Zeca, um jovem escritor, vivendo a crise dos trintas anos e Maria Ribeiro é Júlia, mulher independente e bem resolvida. Entre eles surge Carol, vivida pela atriz argentina Luz Cipriota, que chega para desestabilizar a relação do casal. O ator Daniel Dantas completa o elenco, no papel do pai de Zeca, um homem crítico que mantém uma relação fria e distante com o filho. Hugo Carvana faz uma participação especial."