segunda-feira, agosto 03, 2009

AZUL





LEMBRANÇAS DO MUNDO AZUL

Por Ramon Mello

O mundo ficou mais triste com a morte do escritor e poeta Rodrigo Souza Leão. Soube da notícia durante a última edição da Festa Literária Internacional de Paraty, através da homenagem realizada pelo poeta Carlito Azevedo no painel “Evocação de um poeta”. Fiquei chocado. Rodrigo foi uma das maiores surpresas que tive na vida, seu delírio e lucidez me fascinavam – poesia pura, a mesma matéria-prima dos textos de Stela do Patrocínio, Maura Lopes Cançado, Lima Barreto, Samuel Beckett e Antonin Artaud.

Em 2008 recebi um exemplar do romance Todos os cachorros são azuis (7Letras) para realizar uma entrevista com o autor para o site Portal Literal. Peguei o pequeno livro, fui para um café e mergulhei no universo lírico, irônico e melancólico de Rodrigo Souza Leão: a trajetória (autobiográfica) de um homem internado no hospício.

No mesmo dia liguei para Rodrigo e combinei um encontro. Ele só fez uma ressalva: "A entrevista tem de ser aqui em casa." Topei. Em seguida, justificou: "Sou esquizofrênico e faz alguns anos que não saio de casa." Fiquei receoso, talvez por medo de que o encontro com um esquizofrênico me revelasse que, afinal, não éramos assim tão diferentes. Mas não desisti, fui até Rodrigo. A entrevista aconteceu numa quinta-feira, no Rio de Janeiro.

Paixão por Rimbaud e horror ao hospício

Quando cheguei ao apartamento, a porta da sala estava aberta, e o autor me esperava sentado num sofá florido, acariciando um cachorro. Foi ele quem fez a primeira pergunta: “Gostou do livro?” Depois levantou, apertou minha mão e disse: “Não repara, minhas mãos estão tremendo por causa dos remédios. É uma merda: engorda, enfraquece os dentes e deixa mão amarelada. Só não deixa brocha. Mas eu fico calminho”, disse com um riso irônico.

Começamos a falar sobre o título do seu livro: “Na minha primeira infância eu tive um cachorro de pelúcia azul. Depois esse cachorro sumiu e nunca mais eu vi. É forte lembrança desse tempo. (...) Mas nenhum cachorro é azul, é bom deixar claro. Só os cachorros de pelúcia são azuis.”


Por duas horas, Rodrigo falou sobre a paixão pela poesia de Rimbaud, o sofrimento em lidar com a esquizofrenia, a admiração por Nise da Silveira e o horror ao tratamento concedido aos loucos no hospício: “São lugares tão bonitos que lembram cemitérios." Seu irmão, Bruno, acompanhou o encontro e tornou a conversa mais engraçada ao revelar curiosidades sobre o poeta, como o hábito de assistir o programa da Igreja Universal do Reino de Deus, embora gostasse de ler Nietzsche e não tivesse muita crença: “Nem sei se Deus existe. Eu sou meio revoltado com Deus. Por que eu fui nascer esquizofrênico?”

Próximo do final da entrevista, perguntei o que era mais importante em sua vida, e Rodrigo respondeu: "O mais importante, no momento, é eu não saber o que é a coisa mais importante na minha vida. É saber colocar importâncias variadas. É importante que eu continue estável e consiga viver o máximo de tempo possível"

E, por fim: “Você quer viver muito?”


"Não. Eu espero viver pouco. Se eu conseguir viver até 50 anos ficarei contente. Porque viver muito é para quem não tem problemas. Quando a pessoa tem muito problema é até melhor morrer cedo porque se livra um pouco dos traumas e angústias. Sou uma pessoa muito traumatizada. Mas feliz! Eu sou feliz. Posso dizer que sou muito feliz, mais feliz que a grande maioria das pessoas. Eu sou feliz. Eu não estou realizado porque ainda estou no meu primeiro livro. Estou na batalha para publicar um livro há muito tempo, desde os 27 anos."


Depois desse encontro, Rodrigo passou a me ligar todas as quintas-feiras por volta das 15 horas. Com o decorrer da amizade, criei coragem e pedi autorização para adaptar Todos os cachorros são azuis para o teatro. Para minha surpresa, Rodrigo me enviou a autorização por escrito, junto com um CD da sua banda Krâneo e seus neurônios – uma produção experimental em parceria com Gizza Negri. Depois de inúmeras consultas por telefone e trocas de e-mails, finalizei a adaptação. Mas, infelizmente, não tive tempo de lhe mostrar o trabalho. Resta, agora, homenageá-lo no palco.

Sua obra merece ser republicada e reavaliada

Rodrigo Souza Leão não precisa de sentimentos de piedade, o que está muito claro na carta de despedida deixada por ele: “Nunca tenham pena de mim. Nunca deixem que tenham pena de mim. Lutei. Luto sempre.” Não tenham pena de Rodrigo, apenas cuidem de sua obra. “Os loucos têm seu céu particular”, ele afirmou.

Mas, afinal, o que é a morte?

“Eu torço para que exista algo além. Gostaria de ver o que as pessoas acham de mim quando eu estivesse morto. Sabe? Para saber se meu melhor amigo iria chorar, se alguma namorada ia lembrar de mim, se meu livro ia vender depois de morto... Porque depois que morre todo escritor vende”, profetizou Rodrigo.

Não tenho dúvidas de que o mundo azul de Rodrigo Souza Leão nos oferece um caminho infinito. Os poemas do blog Lowcura devem ser reunidos. Carbono Pautado, Há flores na pele e Todos os cachorros são azuis merecem edições novas, acompanhadas de textos críticos. E Tripolar tem de sair da gaveta logo. Sua produção literária merece ser republicada, relida e reavaliada.


Ficamos com a lembrança do seu mundo azul. Paz, meu amigo.

Ramon Mello é poeta, autor de Vinis mofados, que será lançado pela editora Língua Geral.

quarta-feira, julho 22, 2009

MUDANÇA 7 - O RETORNO


hum passei a manhã implorando CAIXAS DE PAPELÃO nos supermercados da CONDE DE BONFIM. sufoco e MAU HUMOR. seguindo a PROFECIA DA SEXTA-FEIRA 13, do poeta e guru indiano LUCAS VIRIATO, estou saindo da TIJUCA e retornando para COPACABANA.

há OITO anos no RIO DE JANEIRO, esta é a SÉTIMA vez que mudo de apartamento. e a primeira vez que vou morar com um PIANO (ainda sem nome) e um FELINO, meu filho adotivo: BORGES. AINDA não sei tocar nenhum dos dois. vou estudar o MANUAL DE FUNCIONAMENTO DO GATO.


[Borges fotografado pelo pai biológico, João Daher]


preciso de um AMIGO SOLIDÁRIO, que goste de ACORDAR CEDO, para ajudar na MUDANÇA neste DOMINGO, dia 26. é pouca BAGUNÇA: uma escrivaninha 15 anos, uma TV 29’’ queimada, alguns LIVROS e panos de BUNDA.

ALGUÉM se habilita?

quinta-feira, julho 16, 2009

PROCURANDO QUEM?


Estreou a segunda temporada do programa 'Procurando Quem?', de Rodrigo Bittencourt. Trata-se da história de um diretor de TV à procura dos seus entrevistados, entre eles: Diogo Mainardi, Mart'nalia, Marcelo Adnet, Ney Latorraca, Juca Kfouri, Ed Motta, Zeca Baleiro, Mariana Ximenes...

Assino a pesquisa de personagens.

'Procurando Quem?'
TODAS AS TERÇAS, ÀS 21H, NO CANAL BRASIL
REPRISES AOS SÁBADOS AO MEIO-DIA

AINDA SOBRE A FLIP


Foto: Felipe Grillo


ENTONCES: Cheguei da FLIP numa correria tão louca de trabalho que estou sem tempo (e força) para escrever aqui no Sorriso. Paraty foi incrível, principalmente pela companhia dos amigos que ficaram hospedados (ou apenas passaram) na casa da Rua do Comércio, 26, no Centro Histórico.

Foto: Tomás Rangel



[Dorigatti, Nanda, Leka, Ramones, Flavinha, Lídice, Bruna, Marcio e Branca]



Passei a maior parte do tempo entrevistando escritores para o Saraiva Conteúdo, junto com a equipe toda. Descanso mesmo só na festa de lançamento do portal na Casa de Cultura de Paraty, com o escritor e DJ Dodô Azevedo. Fiz da jaca minha pantufa, mas consegui ficar ileso. Leia o que Felipe Machado, jornalista da Folha de S. Paulo, escreveu sobre a festinha, AQUI!

Momento triste foi descobrir, durante uma mesa de poesia, o falecimento do poeta Rodrigo Souza Leão . Triste, muito triste.

Voltamos ao Rio de Janeiro com muitas entrevistas exclusivas em vídeo: António Lobo Antunes, Sophie Calle, Mario Bellatin, Catherine Millet, Cristóvão Tezza, Milton Hatoum, Gregóire Boullier, Bernardo Carvalho, João Paulo Cuenca, Affonso Romano de Sant’Anna, Marina Colasanti, Ollivier Pourriol, Dira Paes, Rafael Coutinho, Ondjaki e os gêmeos quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá.

Imperdível a entrevista do Lobo Antunes e da Sophie.

OUTRAS fotos de Tomás Rangel:


[Felipe Grillo, Sonia Viana e João Daher]




[Alessandra Colasanti, Fernanda Felix e Rodrigo Nogueira]



[Bruno Dorigatti e Bruna Renha]

segunda-feira, julho 06, 2009

NA MANTIQUEIRA

Carson McCullers, a saga de Xico Sá. Por Cecilia Giannetti.

terça-feira, junho 30, 2009

sexta-feira, junho 26, 2009

LAR, ARMANDO FREITAS FILHO

Foto: Tomás Rangel

Conversei com o poeta Armando Freitas Filho para o Saraiva Conteúdo. Um longo papo sobre seu novo livro de poemas, 'Lar', AQUI! No Blog de Letras: dois novos poemas, AQUI!

HOMEMÚSICA

Não fui um jovenzinho apaixonado por Michael Jackson (nem por Madonna!). Ouvi muito Beatles, Renato Russo e Raul Seixas. Serve?

Não aguento mais: "Michael Jackson morreu, né?" Em todo lugar - elevador, banheiro, mesa de trabalho, casa - as pessoas estão monotemáticas. Ok ele era pop etc. e tals. Mas por que ficar triste? Ele não queria ficar jovem? Morrer aos 50 anos foi melhor. Não acha?

Ontem fui assistir a peça 'Homemúsica', do Michel Melamed, a última parte da Trilogia Brasileira (‘Regurgitofagia’ e ‘Dinheiro Grátis’). Entonces, no final do espetáculo Melamed soube que o Jackson tinha ido embora com a turma da Caverna do Dragão e resolveu homenageá-lo. O que ele cantou?

Como Vovó Já Dizia: Quem não tem colírio / Usa óculos escuros. Raul. Faz Sentido.

Para quem deseja entender a cabeça do "primeiro transracial da história", indico a leitura de um texto antológico do Francisco Bosco: O COMEDOR DE CRIANCINHAS - publicado no livro de ensaios ‘Banalogias’ (Objetiva, 2007). Leia, AQUI!

Para dar sorte, bebi a morte de Michael Jackson na Cinelândia. Lembrei do Lula e do Sarney, devem estar bebendo cachaça, alegres.

terça-feira, junho 23, 2009

terça-feira, junho 16, 2009

VÍDEO INÉDITO DE CAIO F.


O ator MARCOS BREDA disponibilizou um vídeo inédito do escritor CAIO FERNANDO ABREU fazendo a leitura dramatizada do texto 'O homem e mancha'.

A leitura realizada no dia 28 de setembro de 1994, no teatro da Sala Álvaro Moreira, em Porto Alegre, fazia parte de um evento intitulado “Ciclo Caio Fernando Abreu”.

Entonces: fiz um post para o blog de Letras - Saraiva Conteúdo. Assista, AQUI!

domingo, junho 14, 2009

SOBRE AFETOS

Frio e chuva fina, véspera do Dia dos Namorados. Uma ótima noite para ficar debaixo do cobertor, assistindo filmes, comendo chocolate e transando até cansar. Eu? Sozinho. Depois da fase de carência ficar só torna-se uma opção, momentânea. Sem problemas, acredite. Morando na Tijuca, há uns oito meses, ainda posso contar nos dedos as minhas saídas noturnas no bairro.

A solidão me expulsa do quarto, ligo para dois ou três amigos, todos compromissados, amando. Decido ir ao restaurante OTTO – na esquina da Uruguai com a Conde de Bonfim – um lugar charmoso que serve petiscos alemãs e um bom vinho. Fico apenas com uma garrafa de vinho chileno. O restaurante está lotado, eu e uma mulher loura somos os únicos solteiros, ou melhor, desacompanhados. Casais acariciam o rosto um do outro, beijam com tesão.

Na extremidade oposta a minha mesa, entre um casal de gordinhos apaixonados, há um casal gay, dois jovens de aproximadamente vinte e tantos anos. Eles se comportam exatamente com os outros casais, demonstrando afeto, sem pudor – como se deve fazer. Fico admirado com a coragem e atitude dos meninos num bairro extremamente conservador, habitado pela tradicional família hipócrita tijucana.

No mundo real, nas mesas em volta, os casais se sentem constrangidos, se cutucam, falam baixinho, apontam, escondem risinhos (não se sabe se de ironia ou nervosismo). Os funcionários da casa, preocupados com a moral e os bons costumes, começam a se articular para acabar com alegria dos meninos. Uma garçonete se planta do lado da mesa, como quem diz: “Pára com a sem vergonhice! Respeitem os nossos clientes”. Não adianta. Os jovenzinhos apaixonados não têm olhos para mais nada.

Um garçom fala com outro, que aponta, balança a cabeça em reprovação e comenta baixinho, esperando minha cumplicidade: “Hoje o dia está fresco mesmo, né?”, depois se afasta sem graça. O maitre se aproxima, serve meu vinho e diz: “Absurdo, não?” Não acho, respondo. Ele se cala e sai. Rapidamente, chegam outros funcionários, que olham os meninos se beijando com se estivessem num zoológico admirando uma girafa. Eles se reúnem na frente do restaurante e começam a cochichar alto, a espera da ‘aprovação’ de um dos clientes – suponho.

“Vocês estão incomodados com o casal gay?”, pergunto ao coletivo. Um dos funcionários, penso que seja o gerente, diz (balançando seu rabo de cavalo louro): “É que aqui não é o lugar mais apropriado para essas coisas. Entende?”. Um casal ao meu lado também reage: “Preconceito?” O grupinho de funcionários se desfaz resmungando algo que não entendo - provavelmente xingamentos.

Entre o exercício do direito individual e o respeito ao direito da coletividade daqueles que se sentem desconfortáveis com a alegria alheia, fico com o exercício da individualidade. Afeto é a expressão do sentimento – o óbvio, às vezes, precisa ser relembrado.

sexta-feira, junho 12, 2009

LIMÃO ENAMORADO


Lourdes Alves, cordelista recifense, colheu esse limão enamorado no quintal de casa. Influência do dia 12 de junho?

quarta-feira, junho 10, 2009

SEVEN

eu ramones e bruno dorigatti fizemos essa entrevista com os sete novos para o portal literal, no dia do lançamento do livro 'amoramérica', no teatro sérgio porto, no rio de janeiro. 04/11/2008

PARTE 1



PARTE 2



PARTE 3







ORÁCULO

- orkut -

sorte de hoje:

o livro é uma casa de ouro

terça-feira, junho 09, 2009

SÉQUIÇO


fui mediador de um insólito encontro sobre séquiço. foi engraçado, no mínimo. o auditório estava lotado, é óbvio.



MATURIDADE MUSICAL



Conversei com o saxofonista Leo Gandelman e publiquei o encontro na Revista O GRITO!

ESTUDO SENSORIAL

quando se sente
o cheiro das coisas
(e das pessoas) - que já se foram
é porque o coração está
apertando de saudades.

quinta-feira, junho 04, 2009

EXAME DE VISTA

scapino me pregou uma peça: acabo de perder meus óculos de grau. foi no táxi. no metrô? não importa. há pouco tempo perdi você - triste, é verdade – mas nenhum desastre, me disse bishop. estou enxergando melhor, acho: x f t y o w s z h q a t r p d b i ç j n v

terça-feira, junho 02, 2009

PEIXE

para paco:

- ramon, onde você nasceu?

- nomar.

segunda-feira, junho 01, 2009

MINHOCA


I


- ramones, de onde você é?
- de araruama.
- não sabia que nascia gente lá.
- pois é. nasce morre, reproduz e morre.

II

- ramones, onde você nasceu?
- araruama.
- onde?
- interior do estado do rio de janeiro. perto de cabo frio, búzios, afeganistão...

III

- ramones, você é do rio?
- não.
- são paulo? branco desse jeito, só pode ser de sampa.
- araruama.
- ah?

...

acabo de chegar da serra da mantiqueira. quando volto de uma viagem tenho a impressão que mergulho pra dentro, fico reflexivo. não é triste, é silencioso e um pouco angustiante. falta algo, não tenho dúvidas.

SARAIVA CONTEÚDO


a livraria saraiva lança nesta terça-feira, dia 02 de junho, um portal de cultura: saraiva conteúdo. o espaço possui três blogs: música (mauro ferreira), cavi borges (cinema) e letras (eu ramones).


no blog de letras vou publicar notícias do mercado editorial, lançamentos de livros e entrevistas com escritores (principalmente os jovens autores). conversei com nélida piñon, francisco bosco, diana de hollanda, carla faour, felipe pena, miguel gullander, armando freitas filho... confira, aqui!

- blog clickinversos -

não vou abandonar o blog clickinversos. mas o espaço vai ganhar um novo projeto editorial e uma casa independente. a poeta (e webdesign) priscila andrade é a responsável pela reconstrução.

sexta-feira, maio 29, 2009

VINIS MOFADOS NA LÍNGUA

ouça:

meu livro de poemas, 'vinis mofados', será publicado pela editora língua geral, em 2009! alegrias!!!



sexta-feira, maio 22, 2009

CIRCO

arrumando minha velha escrivaninha - alguém ainda sabe o que é isso? -, encontrei essa foto de infância. araruama, rio de janeiro, circo trampolim:


chica, eu e renato, meu irmão mais novo.

I AM BLIND

'o último leitor do jornal do brasil' informa:
fonte: jornal do brasil - foto: marcelo migiliaccio

quarta-feira, maio 13, 2009

13 DE MAIO



Pretos Velhos, Salve!

terça-feira, maio 12, 2009

Les chansons d'amour - As-tu déjà aimé


por bruna beber.

minha versão emo, segundo ela.

>> a tradução meia-bomba:


>> a versão da zélia duncan:


quinta-feira, maio 07, 2009

INVERNO PORTEÑO

depois de muita insistência, sem graça, sentou-se ao piano e tocou piazzolla sob o olhar assustado do gato. um conto fantástico, réquiem de despedida, sussurrou borges no meu ouvido.

terça-feira, maio 05, 2009

SERTÃO NA LAPA



‘Bendito Seja’ da banda Caririense Dr.Raiz


Dr. Raiz. Conhece? Tudo bem. Eu também não conhecia.

Domingo fui numa Terreirada Cearense na Lapa (no prédio do Grupo de Teatro Tá na Rua) e fiquei impressionado com Geraldo Junior, vocalista do Dr. Raiz. O nome dele é engraçado (é ou não é?) mas o poeta e cantor caririense é dos melhores, um intérprete. O show mistura rock com forró, impossível ficar parado. Dá pra bater muita coxa. Hum?

'Caldeirão' é uma das músicas mais belas do show. Geraldo Junior - acompanhado das guitarras de chinelo de couro - dá voz às 700 pessoas que foram mortas pelo Exército Getulista, em 1937, acusadas de comunismo e fanatismo, nos cofins do Sertão do Cariri, num sítio chamado Caldeirão da Santa Cruz do Deserto.

Made in Ceará, com a benção de 'Padim Ciço'.


SIMONAL

Wilson Simonal canta Tributo a Martin Luther King




'Simonal - Ninguém sabe o duro que dei', de Caludio Manoel, Cavito Leal e Micael Langer



quarta-feira, abril 29, 2009

POÉTICA - MANUEL BANDEIRA

ESTOU FARTO do lirismo comedido
do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente

[protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário

[o cunho vernáculo de um vocabulário

Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar

[com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar
[ás mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

COERÊNCIA?

não me cobre! mamãe costuma dizer: 'um amor se esquece com outro'.

quarta-feira, abril 22, 2009

EU APOIO!

Marcha da Maconha em Debate
Quinta 23 de Abril no Circo Voador a partir das 16h
A Marcha da Maconha acontece em mais de 200 cidades no mundo, sendo 13 no Brasil nos dias 2, 3 e 9 de Maio. No Rio de Janeiro a Marcha está marcada para o dia 9 de maio, com concentração no Posto 9 da praia de Ipanema. Diferente do ano passado, quando a Marcha foi reprimida em quase todo o país, nesse ano a justiça já legitimou a manifestação no Rio.

Comemorando essa decisão e dispostos a manter o assunto em discussão, o coletivo Marcha da Maconha Rio de Janeiro está promovendo o evento "Marcha da Maconha em Debate" no Circo Voador dia 23 de Abril. Trata-se de um evento cultural gratuito que inclui oficinas criativas, exibição de vídeos, ensaio da Orquestra Vegetal (banda que acompanhará a Marcha em Ipanema), além do debate interativo com transmissão para a Internet.

Estarão em debate os caminhos para a legalização da maconha, discutindo experiências de outros países, o cultivo da cannabis para uso próprio, além de suas aplicações industriais e medicinais.

Estão confirmados para o debate os seguintes convidados:


Marcelo Yuka, músico e ativista.
Orlando Zacone, delegado da polícia civil e autor do livro "Acionistas do nada"
Rodrigo Pinto, Jornalista blog "Sobredrogas" do Jornal o Globo
Sérgio Vidal, Estudante de Ciências Sociais, pesquisador, redutor de Danos e representante da UNE no CONAD
Renato Cinco, Cientista Social e membro do coletivo Marcha da Maconha RJ

Programação e Serviço: 16 às 17h

- DJs e VJ17 às 18h
- Exibição do filme "Waiting to Inhale"18 às 19h30
- Oficina Criativa (confecção de faixas e alegorias)19:30 às 20h
- Exibição do documentário sobre a proibição da Marcha de 200820h às 22h
- Debate + Transmissão via web22h às 24h
- Festa - DJ's + Ensaio Aberto da "Orquestra Vegetal"

Quinta 23 de Abril no Circo Voador a partir das 16h
Rua dos Arcos S/N - Lapa
Entrada Grátis!

Participação Especial: Orquestra Vegetal
Djs Marcelo Yuka, Dani Roots, Matias Maxx, Juca e Café com Leite

Saiba mais:
http://www.marchadamaconha.org/

[release - imprensa]

sábado, abril 18, 2009

TATO

gozar é
a hora
de veludo
sente?

quinta-feira, abril 16, 2009

HUM

I

Numa entrevista que fiz com Fernanda Montenegro, antes da apresentação do monólogo ‘Viver em Tempos Mortos’, em São João de Meriti: Você e Fernando Torres ficaram muitos anos juntos... Fernanda diz: "Nós ficamos juntos 60 anos. Hoje em dia, ficar – não rapidinho – ficar muito tempo já é uma atitude revolucionária".

II

Durante um temporal, ilhado no Metrô da Praça Saens Peña, descobri - por uma dessas 'velhinhas caçadoras de assunto' (expressão do Fernando Ceylão) - que Tijuca, na linguagem dos índios, significa terreno argiloso e lamacento. Pensei: Nunca o nome de um bairro fez tanto sentido!

III

Recebi um convite surpresa para ir ao show da Elba Ramalho, no Teatro Rival, na Cinelândia. Fui ouvir o canto agudo da paraibana, a eterna Lúcia da ‘Ópera do Malandro’, de Chico Buarque de Hollanda. Elba relembrou a carreira de atriz, contando sobre o convite de Sérgio Britto, produtor do espetáculo na época. Quando? 1978. Ela ainda fez um paralelo entre a obra de Cole Porter e Chico Buarque. Hum?! A companhia: Lídice Xavier, paixão.

Cena do filme 'Ópera do Malandro', em que Elba Ramalho e Cláudia Ohana disputam Edson Celulari: 'O Meu Amor'.

sábado, abril 11, 2009

CHORA

Pranto Livre - Elza Soares
Composição: Everaldo da Viola/ Dida

Chora, desabafa seu peito,
Chora, você tem o direito.
Se tratando de amor,
Qualquer um pode chorar.
Não se envergonhe do pranto, que é
Privilégio de quem sabe amar.

Quem não teve amor nunca sofreu,
E desconhece o que é agonia.
Abra o peito e deixe o pranto livre como eu.
Ah, desabafe a melancolia.


sexta-feira, abril 10, 2009

terça-feira, abril 07, 2009

STELA DO PATROCÍNIO


Sou apaixonado pela poesia de Stela do Patrocínio. Conheci o livro 'Reino dos bichos e dos animais é o meu nome' (Azougue - Org. Viviane Mosé), há três ou quatro anos, quando aluguei o apartamento no Bairro Peixoto - Copacabana.

Stela ficou muito pop (cult?!). Há filmes, espetáculos de dança e várias peças de teatro - a melhor montagem foi realizada pela atriz Raquel Rocha.

Estou louco (sic) para assistir ao documentário 'Stela do Patrocínio - A mulher que falava coisas', de Marcio de Andrade. Se liga: o filme será exibido no dia 27/04 meia-noite e no dia 3/05 12h30 no Canal Brasil. Imperdível. Ó o blog do filme: http://www.steladopatrocinio.blogspot.com/


Eu já fui operada várias vezes

Fiz várias operações

Sou toda operada

Operei o cérebro, principalmente


Eu pensei que ia acusar

Se eu tenho alguma coisa no cérebro

Não, acusou que eu tenho cérebro

Um aparelho que pensa bem pensado

Que pensa positivo

E que é ligado a outro que não pensa

Que não é capaz de pensar nada e nem trabalhar


Eles arrancaram o que está pensando

E o que está sem pensar

E foram examinar esse aparelho de pensar e não pensar

Ligados um ao outro na minha cabeça, no meu cérebro


Estudar fora da cabeça

Funcionar em cima da mesa

Eles estudando fora da minha cabeça

Eu já estou nesse ponto de estudo, de categoria


- Stela do Patrocínio -

No You Tube encontrei esses vídeos com a poesia da Stela do Patrocínio:


1




2





3




4



5

segunda-feira, abril 06, 2009

; - <

choro. não sei dizer o motivo. será você morrendo dentro de mim? espero.

lágrima:

1 - secreción, excreción, humor, gota
2 - lloro, sollozo, lamento
3 - pizca, insignificancia

qual seria o melhor sinônimo?

sábado, abril 04, 2009

SE JOGA




Lapa, Rio de Janeiro.

GERMINA

Alguns poemas dos 'Vinis Mofados' no Germina Literatura, AQUI!




LEIA MAIS:

http://www.germinaliteratura.com.br/

março de 2009 - ano VII – edição 28

Capa

A Genética da Coisa José Aloise Bahia e Rodrigo de Souza Leão

Feche os Olhos e Leia, por Alberto Pucheu

Xadrez, por José Aloise Bahia

Quase um Réquiem, por Márcia Maia

Todos os Cachorros São Azuis, por Rodrigo de Souza Leão

A Eleita, por Silvana Guimarães

Ars Nova José Aloise Bahia Parte

Mark Rothko: Variações Cromáticas, Citações, Retângulos Multiformes

Cinema

Estórias de Trancoso, de Augusto Sevá

Fios de Luz na Tela do Tempo, por Beatriz Amaral

O Filme Noir, por Danilo Fernandes Rocha

Crônica

Duas, por Rosa Pena

Impressão Digital Moacir Amâncio

Fragmentos

Letras Adelto Gonçalves

Ramalho Ortigão: Vencido e Vencedor da Vida

Lettera Brasilis Mauro Rosso

Humor à Carioca

Literatura

ABC da Literatura na Blogosfera: Um Guia sem Academicismos para Autores Iniciantes, por Márcio Almeida Júnior

Arte: Um Breve Instrumental de Trabalho, por Dirceu Villa

Livros

A Lenda do Mamaluco Voador, por Edmar Monteiro Filho

Satori, de Horácio Costa

Três Livros e Uma Revista, por José Aloise Bahia

Música

Encontros e Despedidas, por Danilo Fernandes Rocha

Na Berlinda

2 Contos, por António Galrinho

Reminiscências e Elocubrações em Videopoema, por Cláudio Portella

No Rasto de Panaplo Jorge Pieiro

Nem de Perto Um Guerrilheiro

O Mal-Entendido Universal Roberto Amaral

Marcuse e Rosa: A Literatura como Resistência Política

O Nosso Homem na Índia O Pandit

Bollywood

Palavras Cruzadas

Entrevista: Bernardo Carneiro Horta, por Rodrigo de Souza Leão

Entrevista: Carlos Felipe Moisés, por Rodrigo de Souza Leão

Entrevista: Cecília Giannetti, por Rodrigo de Souza Leão

Entrevista: Julio Daio Borges, por Rodrigo de Souza Leão

Entrevista: Paula Cajaty, por Rodrigo de Souza Leão

Entrevista: Rodrigo de Souza Leão, por Julia Debasse

Papel Picado Guttemberg Guarabyra

Morrendo e Aprendendo

Stultifera Navis Fabiano Calixto

Dois Novos Livros de Poemas

Sem Mídia, Sem Média, Sem Medo: Proibidão, de Marcelo Mirisola


Volúpia Verbal Xico Sá

Pelos Poderes de Grayskull


Uns A-D

Alexandre Coimbra António Galrinho Danilo Fernandes Rocha

Outros E-J

Fábio Reynol Francisco dos Santos Germano Xavier Jana Lauxen Jean Narciso Bispo Moura
Poucos K-M

Leonardo Morais Letícia Palmeira Maria Odila

Raros N-Z

Neuzza Pinhero Paula Cajaty Ramon Mello Tatiana Alves Valeska de Aguirre Vera Carvalho Assumpção Wilson Torres Nanini Z.A. Feitosa

Eróticos & Pornográficos

J. J. Sobral

Classificados Blogue

Notícias de eventos literários e artísticos

Links


quarta-feira, março 25, 2009

H2O

Do poeta Ferreira Gullar:

Nasci cercado de água por todos os lados: São Luis do Maranhão. Mas decidi beber Cultura no Rio.

O poeta é aquele que não sabe nada. Se dependesse dos poetas nem a roda seria criada. A arte não revela nada, a arte inventa.

Outra dia uma repórter perguntou: 'Você apaga a torneira quando escova os dentes? ' Não! Eu apago a luz. Quando escovo os dentes fecho a torneira. É um descaso com a linguagem, porra!


No Seminário 'H2O - O Futuro das Águas' no Sesc Flamengo, no Rio de Janeiro, com a participação de Heloisa Buarque de Hollanda, Henrique Lins de Barros, Luiz Fernando Duarte e Paulo Herkenhoff.

ARTE DE APRENDER

Estou emocionado, acabo de entrevistar o ator Sérgio Britto. Nunca fiquei tão comovido com um encontro. Sérgio é um menino, um homem de teatro.

"Tenho tesão pela vida, amo o teatro. São 85 anos de idade e 63 de carreira, ainda estou aprendendo."

Assista:
A ÚLTIMA GRAVAÇÃO DE KRAPP E ATO SEM PALAVRAS 1

Em A Última Gravação de Krapp o velho personagem faz um balanço de sua vida, cheia de sonhos não realizados, usando para isto um gravador no qual estão registradas, há quase meio século, suas emoções, esperanças e frustrações.

Direção de Isabel Cavalcanti.

13/3 a 5/4, 6a a domingo, 19h30. R$ 5 (comerciários), R$ 10 (estudantes, idosos), R$ 20. [16 anos] Teatro Sesc Ginástico

quarta-feira, março 18, 2009

IMPULSOS

I

Bêbado, às três e pouca da manhã, encontro Arnaldo Antunes acompanhado por Gabriel O Pensador na Pizzaria Guanabara. Sem vergonha, peço um cigarro para Arnaldo. Obrigado. Digo: ‘A função da literatura é nutrir de impulsos’, segurando ‘Infância’ nas mãos. Essa frase, de Ezra Pound, Arnaldo Antunes cita no filme ‘Palavra Encantada’. Ele responde: “Cigarro? Ainda não assisti ao filme”. Assista, Arnaldo!

II

Pensei duas vezes antes de falar com você na Livraria. Fiquei sem graça com o encontro, depois de rejeitar flores e cartas. Seus olhos, me buscando entre livros, ainda me incomodam. Amizade. Hum?

III

Depois de alguns anos, descubro que a neurose não era à toa. Ironia. Suas viagens a São Paulo me rendiam chifres. Idiota. Estou aprendendo: ‘Amor é bobagem, ilusão’. Por quê?

segunda-feira, março 16, 2009

VINIS MOFADOS NO PLÁSTICO BOLHA

Três poemas do meu livro 'Vinis Mofados' foram publicados no Jornal Plástico Bolha - edição Fevereiro/Março de 2009.




Confira a versão digital no site do Plástico Bolha. Visite o blog do Plástico Bolha.

O jornal de poesia é editado por Lucas Viriato, poetamigo. A distribuição é gratuita!



foto: blog plástico bolha

Onde encontrar? Em muitos lugares:


Centro

- Fundição Progresso - Rua dos Arcos, Lapa
- IFCS - Largo do São Francisco
- Real Gabinete Português de Leitura - Largo do São Francisco
- Livraria 44 da Camões - Largo do São Francisco
- Livraria Letra Viva - Largo do São Francisco
- Academia do Saber - Av. Passos
- Escola de Música da UFRJ - R. do Passeio
- Cinema Estação Odeon - Cinelândia
- Livraria Ed. Capanema - R. da Imprensa
- Livraria Arlequim - Paço Imperial
- Cinema Estação Paço - Praça XV
- Escola de Cinema Darcy Ribeiro - R. da Alfândega
- Livraria Leonardo Da Vinci - Av. Rio Branco
- Livraria Berinjela - Av. Rio Branco
- Museu Nacional de Belas Artes - Av. Rio Branco
- Biblioteca do Centro Cultural de Justiça Federal - Av. Rio Branco

Botafogo

- Espaço de Cinema - R. Voluntário da Pátria, Botafogo- Estação Botafogo - R. Voluntário da Pátria, Botafogo
- Mundo Verde - R. Voluntário da Pátria, Botafogo
- Via Verde - R. Voluntário da Pátria, Botafogo
- Banca - R. Voluntários da Pátria / R. Real Grandeza, Botafogo

Copacabana

- Modern Sound, Barata Ribeiro, Copacabana

Ipanema e Leblon

- Livraria DaConde - R. Conde Bernadotte, Leblon- Livraria Argumento - R. Dias Ferreira, Leblon
- Livraria Letras e Expressões - Av. Ataulfo de Paiva, Leblon
- Teatro Leblon - R. Conde Bernadotte, Leblon
- Livraria Café com Letras - Av. Bartolomeu Mitre, Leblon
- Livraria da Travessa - Shopping Leblon
- Livraria Letras e Expressões - R. Visconde de Pirajá, Ipanema
- Casa de Cultura Laura Alvim - Av. Vieira Souto, Ipanema

Gávea

- PUC-Rio - R. Marquês de São Vicente
- Bar do Pires - R. Marquês de São Vicente
- Astrobar, Planetário
- R. Vice-Governador Rubens Berardo
- Casa da Táta - R. Prof. Manoel Ferreira
- Livraria Timbre - Shopping da Gávea
- Livraria Malasarte - Shopping da Gávea
- Casa da Gávea - Prça. Santos Dumont

Barra da Tijuca

- Restaurante Ettore - Av. Armando Lombardi
- Livraria diVersos - Av. Érico Veríssimo
- Bibi Sucos - Av. Olegário Maciel
- Cinema Estação Barra Point - Av. Armando Lombardi
- Centro Cultural Suassuna - Av. das Américas
- Livraria Argumento Rio Design - Av. das Américas
- Cinema Espaço Rio Design - Av. das Américas
- Locadora Animatrix - Est. da Barra da Tijuca, Itanhagá
- Locadora BR Mania - Av. Rodolfo Amoedo- Espaço de Yoga Karana
- Bl.21, Downtown

Niterói

- Botequim Honesto - Rua Ministro Otávio Kelly, 483, Icaraí
- HM Livros - Estr. Francisco Cruz Nunes, 6501, Piratininga
- Bistrô do MAC - Mirante da Boa Viagem, s/n, subsolo

Cidades Fluminenses

- Rio das Ostras: Biblioteca Pública, Av. Amazonas
- Rio das Ostras: Fundação de Cultura, Prça. São Pedro
- Paraty: Centro Cultural, R. Dona Geralda
- Resende: Cultura e Cia., R. Luiz Pistarini
- Itaguaí: Estação das Artes, R. Ismael Cavalcanti
- Paraíba do Sul: Banca da Praça, Praça Garcia
- São João da Barra: Casa de Cultura Zenriques, R. do Rosário

Por que não em Araruama?

domingo, março 15, 2009

NADA ALÉM

"Nada, nada além, Márcia repetia, quase sem se mover, afastando-se do poste apenas para abaixar-se, estendendo dramaticamente a mão pra frente, erguendo para o alto o rosto desfigurado pelos filtros mortiços das luzes. Fechando os olhos vi novamente aquela poltrona verde. E mais nada, nada além, até começar a lembrar dos mesmos versos cantados por outra voz. Uma voz de mulher, antiga, densa, pesada.

- Corta! - alguém gritou.

Então lembrei, num relâmpago: Dulce Veiga."


('Por onde andarás Dulce Veiga' - Caio F. Abreu - pag33 - Ed. Agir/2o07)



NADA ALÉM

Composição: Custódio Mesquita e Mário Lago

Nada além
Nada além de uma ilusão
Chega bem
Que é demais para o meu coração
Acreditando
Em tudo que o amor mentindo sempre diz

Eu vou vivendo assim feliz
Na ilusão de ser feliz
Se o amor só nos causa sofrimento e dor
É melhor bem melhor a ilusão do amor

Eu não quero e não peço
Para o meu coração
Nada além de uma linda ilusão

Hummm...hum.. .humm.humm
Hummm...hum.. Hummm...hum....hum...humm
Hummm...hum...humm humm
Hummm...hum...humm
...

Se o amor
Só nos causa sofrimento e dor
É melhor, bem melhor
A ilusão do amor

Eu não quero e não peço
Para o meu coração
Nada além de uma linda ilusão


ORLANDO SILVA




EMÍLIO SANTIAGO




CAETANO VELOSO



DONA JANDIRA




NELSON E OS GONÇALVES

EXTRATO

nem alegre e
nem triste



















vazio?

CANÇÕES

... fiz uma matéria sobre a Sala CECÍLIA MEIRELES e redescobri a poeta. 'Viagem' e 'Vaga Música' estão no topo da lista, não paro de reler as canções.

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

***

ACEITAÇÃO


É mais fácil pousar o ouvido nas nuvens
e sentir passar as estrelas
do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos.

É mais fácil, também, debruçar os olhos no oceano
e assistir, lá fundo, ao nascimento mudo das formas,
que desejar que apareças, criando com teu simples gesto
o sinal de uma eterna esperança.

Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar,
nem tu.

Desenrolei de dentro do tempo a minha canção:
não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar.

ALÔ?!

- Oi.

- Tudo bem?

- Mais ou menos. Tô com saudades.

- (...)

- (...) Ah.

- O que disse?

- Nada.

- Hum.

- Tô com saudades!

- (...) O que eu digo? Hein?

- (...)

- Alô? Alô?!

sábado, fevereiro 28, 2009

PRÉ-ESTRÉIA E SARAU DO FILME

Atención:

Dia 04 de março, quarta-feira, acontece uma nova pré-estréia do documentário ‘Palavra Encantada', de Helena Solberg e Marcio Debellian.

Após a exibição do filme, haverá um sarau com a presença dos poetas Chacal, Botika, Maria Rezende, Alice Sant'Anna, Omar Salomão, Os Sete Novos, Vitor Paiva, Mano Melo, Viviane Mosé e eu, Ramones. Além de vários grupos de poesia do Rio de Janeiro.

O filme percorre uma viagem no cancioneiro brasileiro a partir da relação entre poesia e música e conta com a participação de grandes nomes da nossa cultura, como Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes, BNegão, Chico Buarque, Ferréz, Jorge Mautner, José Celso Martinez Correa, José Miguel Wisnik, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Lenine, Luiz Tatit, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Paulo César Pinheiro, Tom Zé e Zélia Duncan.

No site do filme, http://www.palavraencantada.com.br/ , você encontra mais detalhes, e pode assistir ao trailer.

A estréia nacional do 'Palavra Encantada' será no dia 13 de março.

IEMANJÁ, ODOIÁ

por Adriana Calcanhotto

Sargaço Mar

Composição: Dorival Caymmi

Quando se for esse fim de som
Doida canção
Que não fui eu que fiz
Verde luz verde cor de arrebentação
Sargaço mar, sargaço ar
Deusa do amor, deusa do mar
Vou me atirar, beber o mar
Alucinar desesperar
Querer morrer para viver com Iemanjá
Iemanjá, odoiá...

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

(...)

"Todo escritor, mesmo o mais experiente, se faz a partir dessas desilusões. Desiludir-se é o primeiro passo para a literatura. Abdicar dos encantos e das fantasias, desistir de 'vir a ser' - grande, genial, impecável - para simplesmente ser (...) O escritor iniciante não deve se importar em escrever bem, ou escrever corretamente, ou escrever para brilhar. Tudo isso queima - e passa. Tateando às escuras, ele deve preocupar-se, apenas, em escrever. Pode parecer fácil, mas é o mais difícil."

Trecho do artigo A lanterna negra de José Castello, no Prosa & Verso, sobre O Pudim de Albertina (7 Letras) - livro de estréia de Natália Nami. Publicado em 14/02/2009.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

NA MÃO DO















Carnaval, Rio de Janeiro 2009

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

PIROTECNIA


queimo
amores
na pele deixo
o coração
em brasas

MINHA ANALISTA SURTOU




Um furacão passou na minha vida, em 2008: o namoro de (quase) três anos acabou; mudei de casa e bairro; perdi um emprego e ganhei outro para perder logo depois; e finalmente terminei a faculdade.

Como se não bastasse tudo isso, minha analista surtou! Verdade. Essa é a minha conclusão, depois chorar, gritar e tentar desesperadamente entrar em contato com ela: liguei, mandei e-mail, deixei recado na secretária eletrônica, fui até o consultório... Nenhum sinal de vida. Nada.

Achei que ela tivesse se matado. Uma analista famosa se suicidou recentemente no Rio de Janeiro, sabia? Mas esse não foi o fim dela, graças a Deus! Eu iria me sentir muito culpado. De certa forma o desaparecimento me trouxe um pouco de culpa, pelo menos no início. Pensei: “Será que ela não suportou ouvir meus problemas? O que eu fiz?”

Depois que o porteiro do prédio me informou que ela prosseguia com o atendimento, fiquei puto! Um mês depois, resolvi deixar um recado malcriado na secretária eletrônica dizendo que queria meus textos de volta, que iria denunciá-la na imprensa, etc. e tal. Depois de muita insistência, ela enviou um e-mail, sem título e sem assinatura, com duas frases:

Os textos solicitados estarão disponíveis sexta-feira, dia 06 de fevereiro, na portaria do prédio no horário de 9h às 17h. Solicito informar quando serão quitadas as consultas em aberto.

Ela ainda teve coragem de me cobrar!?! Então, respondi:

“Vou mandar alguém pegar os textos. Quando vou pagar as consultas? Quando você tiver a dignidade de marcar um dia para explicar o que está acontecendo. Você acha profissional o que está fazendo? Não entendo como uma psicanalista pode desaparecer. Desistiu de me atender e não existe motivo? Quero saber. Tenho direito.”

E copiei uma outra psicanalista no e-mail, como testemunha.

Quem é ela? Não vou dizer, pelo menos agora. Mas vou descrevê-la: magra, alta, cabelos grisalhos, parece com a Clarice Lispector e tem jeito de sapatão francesa. Ela atende no Leblon, na Rua Venâncio Flores, e freqüenta bastante a Livraria Argumento. A mulher adora livros, o consultório é abarrotado deles.

Nossas conversas eram sempre em torno da literatura e dos meus fantasmas, é claro. Escrevi meu romance All Star Bom é All Star Sujo durante o tratamento, não posso reclamar. Para quem acreditava que a análise bloqueava o processo de criação - tolice! – até que o resultado foi gratificante. Inclusive, vou dedicar meu livro a ela, só que in memoriam. Para sobreviver, resolvi matá-la – dentro de mim, que fique claro!

Quem me indicou essa analista? Ninguém. Conheci a espécie rara numa palestra Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro (SPCRJ) sobre depressão e processo criativo. Mas ela não é da Sociedade, estava só assistindo, como eu e meu amigo que fez o convite para conferência. Decidi fazer análise com ela porque parecia com a Clarice Lispector, confesso. Quem manda, né?! Devia ter lembrado que Clarice não era fácil.

Um analista tem todo o direito de não querer me atender mais um paciente. No entanto, eles têm a obrigação de fazer esse desligamento. A surtada podia dar uma desculpa, dizer que não dava mais para receber tão pouco ou coisa parecida. Mas não, optou pelo silêncio. Sumiu. Desapareceu. Escafedeu-se. E se eu estivesse muito deprimido e quisesse me jogar na Conde de Bonfim? Entraria para a lista dos poetas suicidas. Não, não faz meu gênero – creio.

O que devo fazer? Disseram para denunciá-la no Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ). Não sei. Estou em dúvidas, acho que devo dar mais um tempo para ela pensar, colocar a cabeça no lugar. Hum?

Só sei de uma coisa: Não quero entrar num consultório de psicanálise tão cedo. Freud e Jung que me desculpem, mas vou precisar de um tempo para voltar a confiar em outro profissional. Estou de luto.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

NÃO PERTURBE

tempo
de sonho
imagino
acontece

14 DE FEVEREIRO


Fiz 25 anos no dia 14 de fevereiro: Valentines Day e Era de Aquário. Comemorei na Sexta-Feira 13, num boteco em Botafogo e depois da meia-noite fui ao Cinemateque. Só espero que 2009 seja melhor que ano passado, por favor. Será.

Dia 14 também é a data de morte da escritora Carolina Maria de Jesus, a mineira que morava na favela do Canindé, em São Paulo, autora do famoso livro-diário 'Quarto de despejo' – traduzido para 31 idiomas.

1 de julho. Eu percebo que se este Diário for publicado vai maguar muita gente. (...) Quando passei perto da fabrica vi varios tomates. Ia pegar quando vi o gerente. Não aproximei porque ele não gosta que pega. Quando descarregam os caminhões os tomates caem no solo e quando os caminhões saem esmaga-os. Mas a humanidade é assim. Prefere vê estragar do que deixar seus semelhantes aproveitar.

Ganhei meu primeiro Moleskine, aquele famoso caderno de notas produzido na Itália. O caderninho ficou conhecido por ter sido usado por artistas como Van Gogh, Matisse, Picasso e Hemingway. Não tenho frescuras para escrever, rabisco muito em guardanapos, mas gostei do presente. Escrevi esse poema:

medito
paro de
fumar
ouço rôrô
acendo vela
canto pontos
de oxum
faço de
tudo para
apagar
você da
memória


Diana de Hollanda me enviou esse texto sobre os 25 anos, autoria do escritor francês Georges Perec:

“Você quase nada viveu, e no entanto, já está tudo dito, tudo terminado. Tem apenas vinte e cinco anos, mas sua trajetória está inteiramente traçada. Os papéis estão prontos, os rótulos: do urinol de sua primeira infância à cadeira de rodas de seus velhos dias, todos os postos estão ali e esperam a sua vez. Suas aventuras são tão bem descritas que a mais violenta revolta não abalaria ninguém. Você poderia em vão descer à rua e mandar às favas os chapéus das pessoas, cobrir a cabeça de imundícies, ir descalço, publicar manifestos, atirar à passagem de um usurpador qualquer, de nada adiantará: sua cama já está pronta no dormitório do asilo, seu talher está posto na mesa dos poetas malditos. Barco enfurecido, miserável milagre. O Harrar é uma atração popular, uma viagem organizada. Tudo está previsto, tudo está preparado nos mínimos detalhes: os grandes ímpetos do coração, a fria ironia, o dilaceramento, a plenitude, o exotismo, a grande aventura, o desespero. Você não venderá sua alma ao diabo, não irá, de sandália nos pés, lançar-se ao Etna, não destruirá a sétima maravilha do mundo. Tudo já está pronto para a sua morte: a bala de canhão que o levará há muito foi forjada, as pranteadeiras já estão designadas para acompanhar seu caixão.”

Maria Rezende me deu muitos livros de presente, ela e Rodrigo. Entre tantos livros, o ‘Livro dos Abraços’, de Eduardo Galeano – paixão de Maria. Destaco essa A função da arte/1:

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul.

Ele, o mar, estava do outro lado das dunas, esperando.

Quando o menino enfim alcançou a areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

- Me ajuda a olhar!

Melhor ainda é ler esse texto e depois ouvir Caymmi:





É doce morrer no mar, por Dori Camymmi.

sábado, fevereiro 14, 2009

INJURIADO

ontem, sexta-feira 13, conversando com lucas viriato, descobri que essa música é minha:

Injuriado

Composição: Eduardo Dusek

Não é que eu tava numa mais ou menos
Andando com a rapaziada catita e legal
Mas de repente detalhes pequenos
Me fizeram entre outras coisas sair do normal
Eu fui ficando pouco a pouco injuriado
Malhumorado, abandonado sem até poder amar
A tal da crise deixou minha vida maluca
Com vontade na tijuca de voltar lá pra copacabana
Fui à macumba
Pedi baixa no emprego
Me internaram numa clínica
Depois fui viajar
Quando voltei foi então que pude constatar
Que não adianta fazer nada
Pra essa coisa melhorar
E então melhorei!...



quinta-feira, fevereiro 12, 2009

HOMO ERECTUS

Animação do conto de Marcelino Freire, por Rodrigo Burdman e com narração do Paulo César Pereio:

terça-feira, fevereiro 10, 2009

22h30

tijuca: 'ô playboy, perdeu'. correr correr correr. atravesso a conde bonfim entre os carros para fugir do assalto. 'tá com medo, playboy? vamos pegar você!', gritam. fico parado na portaria de um prédio, digo ao porteiro o que está acontecendo: 'dois pivetes querem me assaltar'. 'ih não posso fazer nada', disse o filho de uma égua. sem grana, entro num taxi e chego em casa esbaforido. penduro a corrida.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

CONVERSA AFIADA

- Algum pedido?

- Tem chope claro e escuro?

- Não, Senhor. Só tem chope black e claro.

- Então traz um chope claro.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

CHATTERTON

"A poesia é uma doença cerebral." Thomas Chatterton

Serge Gainsbourg

Le Claqueur de Doigts

PALAVRA ENCANTADA ESTRÉIA EM MARÇO

Fui à Casa de Cultura Laura Alvim assistir a nova pré-estréia do documentário PALAVRA ENCANTADA, de Helena Solberg e Marcio Debellian. Recomendo: a ESTRÉIA OFICIAL será em MARÇO DE 2009.




Leia o texto sobre a estréia do filme no Festival do Rio 2008:

Palavra (En)Cantada’ seduz amantes de música e poesia

Por Ramon Mello

O público do Festival do Rio lotou o Cine Odeon, na noite do último sábado, dia 27 de setembro, para assistir à pré-estréia do filme Palavra (En)Cantada, de Helena Solberg e Marcio Debellian, dentro da programação do Festival.

Adriana Calcanhotto, cantarolando versos do poeta medieval Arnaut Daniel, inicia o filme sobre a relação entre música e poesia.

“Não vamos cair numa discussão infértil: se poesia é mais que letra de música, se letra de música é poesia... Eu acho a vida curta, não tenho tempo para esta questão.”, afirma Calcanhotto, que, através da sua paixão pela poesia, costura a narrativa do filme junto a outros músicos.

Chico Buarque se esquiva da polêmica, minutos depois do compositor Paulo César Pinheiro afirmar que ele é poeta. "Não tenho pretensão de ser chamado de poeta. Nem acho a coisa mais bacana do mundo ser chamado de poeta. E ainda por cima cria um problema danado com os poetas, que ficam com ciúmes.”

A cantora Maria Bethânia, intérprete que carrega a poesia para os palcos, aparece no filme declamando “Eros e Psique”, de Fernando Pessoa, e faz uma bela homenagem a Caymmi.

“Falar de Caymmi é como falar de Guimarães Rosa. É um país bruto e puro (...) Caymmi é como o céu e a terra”, derrete-se Bethânia ao falar sobre o músico e compositor baiano, falecido em agosto deste ano.

Alguns entrevistados arrancam risos da platéia com seus ‘depoimentos-performances’, como Tom Zé falando sobre o seu deslumbre ao ouvir Dorival Caymmi pela primeira vez.

“Eu ouvia no rádio aquele homem cantando ‘vamos chamar o vento, vamos chamar o vento’, assobiando, cantando devagar e depois cantando rápido. Aquilo era muito moderno!”, afirma o ícone do Tropicalismo.

José Celso Martinez Corrêa também faz a platéia gargalhar com sua rápida participação: “Eu comi os Rolling Stones e o Rolling Stones me comeram. Eu comi todo o hemisfério Norte...”, diz o irreverente diretor de teatro enquanto rebola para câmera.

Outro momento hilário é o depoimento do compositor Luiz Tatit sobre a liberdade dos compositores contemporâneos: "Você ouve uma música do Djavan e às vezes nem sabe do que ele está falando".

O longa ganha fôlego e conquista o público através dos recortes de depoimentos com imagens históricas, como Caetano Veloso no Festival da Record, em 1967, logo após cantar “Alegria, Alegria”; a encenação de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto, no Festival de Teatro Universitário de Nancy, na França, em 1966; ou Zeca Baleiro conversando com Hilda Hist na Casa do Sol.

No fim da sessão, a platéia comenta o filme, entre eles: Letícia Spiller, Maria Ceiça, Antonio Pitanga, Suzana de Moraes e Antonio Cicero – que participa do filme recitando o poema “Eu Vi o Rei” (musicado por Marina Lima).

“Sou apaixonada por música e poesia. Esse filme é maravilhoso, provoca sentimento de amor pelo Brasil”, emociona-se a atriz Letícia Spiller.

“Palavra é filme doce! Fiquei com a sensação de que estamos todos interligados pela arte, num só corpo. É lindo”, Pitanga fortalece o coro.

O filme encanta pela forma simples de tratar um tema polêmico. Palavra (En)Cantada é um ensaio de poesia, com a vantagem de reunir sons e imagem sem o hermetismo da linguagem acadêmica. Uma obra que merece ser distribuída nas escolas de todo Brasil. Quem assistir vai sentir orgulho de ser brasileiro e entender melhor o país.
[Matéria publicada em setembro de 2008 no Portal Literal]

domingo, fevereiro 01, 2009

TOLA FOI VOCÊ, POR ANGELA RORÔ

UM COPO DE UÍSQUE, UM CIGARRO E UMA MÚSICA PARA CORTAR OS PULSOS. AHAH




TIA ANGELA , DIZ: 'TÔ MUITO FELIZ!', ANTES DE COMEÇAR A CANTAR.

SABÊ VOCÊ O QUE É O AMOR?


Acabo de assistir o último trabalho do saxofonista Leo Gandelman, ‘SABE VOCÊ' - ganhei o DVD de presente. A voz dos convidados, o repertório, a solidão do saxofone tocam a alma - por mais clichê que essa frase possa parecer.

De todos os intérpretes, dois me emocionam muito: Lirinha declamando o poema São demais os perigos dessa vida, de Vinícius de Moraes; e Ney Matogrosso cantando Pra Machucar Meu Coração, de Ary Barroso:

"Está fazendo um ano e meio amor, que nosso lar desmoronou".

As ruínas estão expostas como alicerce do trabalho. Lembro de Clarice Lispector, no livro ‘Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres':

"Estava caindo de tristeza sem dor. Não era mau. Fazia parte com certeza. No dia seguinte provavelmente teria alguma alegria (...) E isto não era mau".

A música invade e fica mesmo após a partida. É lindo. E, também, um pouco triste. Mas a tristeza pode ser bela, não é? É poesia.

Caetano diz, em algum momento do vídeo, que "balada é uma forma de poesia". Fico com a definição do poeta para esse ‘disco' - para usar uma palavra meio fora de moda. Ainda ouço vinil numa vitrola da década de 50.

Gosto mais de tristezas belas; me trazem alegria. É inevitável.

Sabe VOCÊ o que é o AMOR? Não. NÃO SABE!

LIRINHA NO CLICK(IN)VERSOS

fotos: Tomás Rangel

JOSÉ PAES DE LIRA, o LIRINHA, vocalista da banda CORDEL DO FOGO ENCANTADO lançou o livro: ‘Mercadorias e Futuro’. E, ainda, está em cartaz com uma peça de teatro homônima. Conversei com o poeta - a entrevista está no BLOG CLICKIN(IN)VERSOS – na Livraria Odeon, na primeira edição do Boca de Baco, evento que contou com a participação do escritor e amigo Marcelino Freire. Confira, AQUI!



SE LIGA: na próxima semana os entrevistados são Alice Sant’Anna e Lucas Viriato.