sexta-feira, março 25, 2011

PIVA


'a piedade', filme com o poeta roberto piva e vozes de jim morrison, willian burroughs, patti smith, jack kerouac, antonin artaud. o vídeo foi realizado para o www.interzona.com.br - visite o site, há uma excelente entrevista com o poeta.

A PIEDADE, de Roberto Piva

Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento abatido na extrema paliçada
os professores falavam da vontade de dominar e da luta pela vida
as senhoras católicas são piedosas
os comunistas são piedosos
os comerciantes são piedosos
só eu não sou piedoso
se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria aos sábados à noite
eu seria um bom filho meus colegas me chamariam cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio bóia? por que prego afunda?
eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as estátuas de fortes dentaduras
iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos pederastas ou barbudos
eu me universalizaria no senso comum e eles diriam que tenho todas as virtudes
eu não sou piedoso
eu nunca poderei ser piedoso
meus olhos retinem e tingem-se de verde
Os arranha-céus de carniça se decompõem nos pavimentos
os adolescentes nas escolas bufam como cadelas asfixiadas
arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através dos meus sonhos

quarta-feira, março 23, 2011

INSPIRAÇÃO


poetas contemporâneos recitam poemas que os inspiram:

Zulmira Tavares
Poema: A vida errada
Autor: Augusto Massi
Ed. Moby Dick

José Almino
Poema: Irmão, irmãos
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Ed. Nova Aguilar

Fernando Moreira Salles
Poema: sem título
Autor: Paulo Leminski
Ed. Global Editorial

Fabrício Corsaletti
Poema: Castelos, estações
Autor: Arthur Rimbaud
Ed. Perspectiva

Antonio Fernando de Franceschi
Poema: Os limões
Autor: Eugenio Montale
Ed. Record

ôÔÔôôÔôÔ


clipe do ôÔÔôôÔôÔ da Thaís Gulin, por Joyce Santiago

segunda-feira, março 21, 2011

PRECEITO


minha filha, você
não se sente sozinha?

não, mãe
eu me divirto

sexta-feira, março 18, 2011

PETHIT E OS VINIS


o cantor thiago pethit lê meu poema 'vinis mofados'.
o vídeo foi realizado para o blog 365 POEMAS A 1 REAL, idealizado por fred leal.

segunda-feira, março 14, 2011

sexta-feira, março 11, 2011

FELIZ 2011

ilha grande, fevereiro de 2011

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

HOSPÍCIO É DEUS

“Sou um anjo com vocação para demônio.

(...)

O que me assombra na loucura é a distância – os loucos parecem eternos. Nem as pirâmides do Egito, as múmias milenares, o mausoléu mais gigantesco e antigo, possuem a marca de eternidade que ostenta a loucura.

De novo: o que me assombra na loucura é a eternidade.

Ou: a eternidade é a loucura.

Ser louco para mim é chegar lá.

(...)

Hospício são flores frias que se colam em nossas cabeças perdidas em escadarias de mármore antigo, subitamente futuro. (...) Hospício é não se sabe o quê, porque Hospício é Deus.

(...)

O hospício é uma cidade triste de uniformes azuis e jalecos brancos.

(...)

Não aceito nem compreendo a loucura. Parece-me que toda a humanidade é responsável pela doença mental de cada indivíduo. Só a humanidade toda evitaria a loucura de cada um.”


[Maura Lopes Cançado, 'Hospício é Deus' (1965)]

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

RABISCOS


[minhas novas tatuagens, desenhos do ilustrador português andré letria]

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

27


14 de fevereiro de 2011, 27 anos.

fotinha de 1995, quando eu praticava motocross...


quinta-feira, fevereiro 10, 2011

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

ZAZ, “A NOVA PIAF”

Ramon Mello

Ando viciado em música francesa contemporânea. Em busca de cantores interessantes na web, me deparei com a artista ZAZ. Aos 29 anos, a cantora - cujo nome verdadeiro é Isabelle Geofroy - é considerada “a nova Piaf” pelos franceses.

ZAZ começou a cantar em 2001 no grupo de blues "Fifty Fingers". Em 2006, ela saiu de Tours, sua cidade natal, para cantar pelas ruas de Montmartre, em Paris. Durante um ano e meio, se apresentou todas as noites no Cabaret ‘Aux 3 Baquetas’ Saint-Michel, cantando sem microfone.

Na mesma época foi escolhida pelo produtor e compositor Kerredine Soltani, que havia feito um anúncio na internet, para interpretar canções de jazz. Isabelle Geoffroy encantou Soltani com sua voz doce e rouca.

Em 2010, lançou seu primeiro álbum, homônimo, uma mistura de jazz, soul e acústico. Em janeiro de 2011, o álbum de estréia de ZAZ vendeu 500.000 cópias em quase 20 países e tornou-se um disco de diamante.

Com o sucesso da canção "Je Veux", ZAZ ficou famosa na França. "Dans ma Rue", regravação da música de Edith Piaf, também caiu no gosto do público. Essas canções, além de “La fée” e "Les passants", são as minhas preferidas.

As influências musicais de ZAZ passeiam por Ella Fitzgerald, Enrico Macias e Richard Bona. Se a alma de sua música está no gracejo da voz, o coração das canções está nas composições de Raphael. Enfim, quem tem Isabelle Geofroy não precisa de Carla Bruni.




ZAZ je veux (clip officiel)
Enviado por kerredine. - Veja os últimos vídeos de música em destaque.










sábado, fevereiro 05, 2011

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

'POESIA INCOMPLETA'



livraria "poesia incompleta"
rua cecílio de sousa, 11, 1200-098, lisboa

[via alexandra lucas coelho]

segunda-feira, janeiro 31, 2011

sábado, janeiro 29, 2011

JE VEUX




Mescla de estilos e ''panelas'' no Rio
A Palavra Toda também recebeu música, teatro e artes visuais; MCs deram tom da diversidade

Roberta Pennafort - O Estado de S.Paulo

Com um semblante que se traduzia em assombro e alegria, Heloísa Buarque de Hollanda avaliava, na terça-feira à noite, sua mais recente empreitada: o festival de poesia A Palavra Toda, gratuito e inédito. "Eu que inventei e eu mesma me espanto. A gente afirma que a poesia não é para todos, que é de elite, mas, na hora do "vamos ver", não é, não."


Fabio Motta/AE
Chacal. O poeta provocador fala ao 'desrespeitável público'
A pesquisadora tem toda a razão. Bastava olhar para a plateia do Espaço Sesc, em Copacabana, para ver nos rostos (de estudantes, senhorinhas, escritores e aspirantes) o interesse e a satisfação - maiores do que um certo estranhamento -, de ver misturados poesia, teatro, música, artes visuais, durante quatro horas.

Foi assim na segunda e na terça, quando se revezaram no palco do teatro de arena gigantes da poesia brasileira - Antonio Cicero, Carlito Azevedo, Geraldo Carneiro, Salgado Maranhão - e nomes novos e instigantes, como Alice Sant"Anna, Ramon Mello, Omar Salomão, Maria Rezende e Marília Garcia, "marinheiros de primeiros naufrágios".

Nas duas noites da "festança da palavra", a participação de MCs deu o tom da diversidade. Na terça, o grupo REP (Ritmo e Poesia), formando por cinco jovens que se reúnem para batalhas nas ruas semanalmente, contagiou mesmo os não iniciados, com versos de improviso que falavam da sensação de se estar "a dois passos do paraíso, mas a um do precipício". Ocuparam o mesmo espaço para onde iriam se dirigir mestres e doutores da língua portuguesa, caso de Mariano Marovatto, Aderaldo Luciano, Masé Lemos e Paulo Henriques Britto, entre outros, que recitaram suas poesias. Diferentes dicções, "alta" e "baixa" cultura; o mesmo entusiasmo com a "matéria-prima".

A costura era feita pelo provocador Chacal, o homem-palavra, símbolo da poesia marginal dos anos 70, que também leu das suas para o "desrespeitável público". "Já fiz muito evento de poesia, mas nada assim tão didático, com os diferentes suportes, as gerações misturadas, essa profundidade toda", contou o criador do longevo "centro de experimentação poética" CEP 20.000, que festejou 20 anos em 2010.

"Queremos refazer uma ou duas vezes por ano. O Rio é muito associado ao samba e ao carnaval, e, com esse calor, é difícil até pensar. Mas é legal mostrar que há uma inteligência na cidade, mesmo no verão. Até porque o Rio sempre foi forte na poesia falada, desde Vinicius de Moraes à poesia marginal. Em São Paulo, é mais a poesia concreta."

Empolgada com a "demanda reprimida" que constatou, Heloísa, que há muito acompanha essa diluição de fronteiras na internet, também já pensa no próximo festival. Quer que seja "grandalhão", com mais "misturas de panelas". Possivelmente serão chamados escritores de fora do Rio - esta primeira edição teve elenco bem carioca. Mesmo porque tudo foi organizado em apenas um mês.

Quase todo mundo que foi convidado aceitou de pronto - quem não veio foi porque já tinha compromissos assumidos. "Os poetas querem expor seu trabalho, e não ficar só no suporte do livro", disse Ramon Mello, coorganizador.

O mais bonito é ver o encontro: de turmas, de estilos, de palavra e música (MC Nike, Letuce, Madame Kaos, Fausto Fawcett), poesia e teatro (com Paulo José e Ana Kutner mostrando um pedaço de seu belo trabalho sobre Ana Cristina César, e Carla Tausz encenando Hilda Hilst).

"Saio daqui louca de vontade de escrever, poderia ficar muito mais horas. Encontrei vozes bem diferentes", conta Maria Rezende, que tem 32 anos e dois livros publicados.

"Isso aqui abriu minha cabeça. Sou formado em Farmácia, mas escrevo, e me identifiquei muito com a maneira com que a minha geração escreve. Quando estudo, eu só vejo o que os poetas já mortos viveram", comentava Ricardo Fernandes, de 24 anos. "Isso aqui vai pegar! O Rio é a cidade da poesia!", predisse Salgado Maranhão.

Festival 'A palavra toda' reúne diversos artistas no Espaço Sesc

Luiz Felipe Reis - O Globo

Heloísa Buarque de Hollanda não esperou o sol esquentar para sair de casa. Às 8h, ela já estava na rua para uma reunião. Às 9h, seguiu para outra. E às 10h voltou para casa, para uma terceira. Mas esta última era diferente. Tratava de uma causa inédita. Afinal, nestas segunda e terça-feira, o Espaço Sesc, em Copacabana, serve de palco para "A palavra toda", o primeiro festival de poesia da cidade. Quem afirma é ela - acadêmica respeitada por sua contribuição à palavra - e o poeta Chacal, seu parceiro na empreitada ao lado do jovem poeta Ramon Mello. De pé, na sala de seu apartamento, no Leblon, Heloísa quase não se contém ao ter que esperar a chegada dos dois.

Ela suspira, a campainha toca, Chacal e Ramon chegam e a palavra ganha forma para explicar o evento. Chacal diz que o Rio estava com saudade dele mesmo, que a cidade não pode viver incompleta, e que a poesia tem esse papel unificador. Heloísa afirma que nunca se produziu e se veiculou tanta poesia como hoje, por diversas plataformas, e que um evento para celebrar a plavra era mais do que necessário. Enquanto Ramon ressalta a liberdade para transitar entre diferentes linguagens artísticas através da poesia. Juntando as ideias do trio, armam-se os pilares que sustentam "A palavra toda".

- É um momento parecido com a época da antologia ("26 poetas hoje", de 1976), aquela vontade de juntar todo mundo - recorda Chacal. - Mas a antologia era mais a praia marginal, fruto de um período meio seccionado, cheio de panelas, antagonismos... Hoje vivemos um período de convergência, fusões acontecendo entre a academia e o que seria a poesia marginal, além da periferia.

Heloísa joga luz na quebra de barreiras entre as mais variadas formas do fazer poético:
- A grande diferença hoje é a de circulação, a liberdade que temos para experimentar... Todo jovem poeta que eu conheço tem banda, trabalha com teatro, literatura... A poesia se espraiou, não é mais apenas a poesia em si.

E Ramon Melo concorda:

- Hoje você pode estar longe do centro, acessar o blog de um escritor, se comunicar com ele... Isso nos aproxima, desmitifica a posição do autor. Além disso, a facilidade que temos para publicar não se compara com o que acontecia no passado. Muitos poetas ganham seus primeiros leitores nos blogs. Antes tinham que manufaturar seus mimeógrafos, ir para a rua.

Nos dois dias, há atrações das 18h às 22h. Entre os destaques desta segunda-feira, "A palavra em cena", com Paulo José e Ana Kutner, às 18h30m; "Agora é hora", com Alice Sant'Anna, Mariano Marovatto e Gregorio Duvivier, entre outros, às 19h30m; "Noves fora tudo", com Viviane Mosé e Carlito Azevedo, entre outros, às 20h30m; "Às margens plácidas", com Antonio Cicero e outros, às 21h30m; e "A palavra cantada", com Letuce, às 22h. Na terça, prometem "Agora é hora", com Ramon Mello, Omar Salomão, Vitor Paiva e Ericson Pires, entre outros, às 19h30m; "Às margens plácidas", com Geraldinho Carneiro, Chacal, Pedro Lage, Salgado Maranhão e Armando Freitas Filho, às 21h30m; e "A palavra cantada", com Fausto Fawcett, às 22h.

Chacal frisa que o Rio sempre esteve próximo à palavra, viva, em constante transformação, seja através dos bailes funk, das rodas de samba ou das batalhas de improviso do rap. E é mesclando poesia teatro e música que eles chegaram à essência que rege o encontro.

- Fui convidada pelo Sesc para fazer um evento de poesia e não pensei duas vezes antes de chamar o Chacal - conta Heloísa. - Ele é uma peça fundamental. É o único que continua militando fielmente, e representa o começo da minha paixão pela poesia. A gente está ficando mais velho, então acho que é a hora de ficarmos juntos, botar para quebrar.

A intenção do trio é que o evento se torne anual, sempre no verão, que é quando a cidade vai para as ruas. Aos olhos dos três, é nesse cruzamento que a poesia tem de estar inserida.

- O Rio passou por um longo período de baixa autoestima - diz Chacal. - Então, essa união da cidade partida precisa ser celebrada. Nos anos 60 e 70, a poesia era ligada à cidade, aos movimentos políticos, ao carnaval, ao calor do verão... Depois a coisa migrou para a academia e para os guetos. Agora vejo que ela tem de retomar seu lugar, a cidade ficou carente de poesia e de pensamento. Temos que nos reunir através da poesia para pensar a cidade.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

LIÇÃO DO PROFESSOR LATUF





palavras finais?
não existem
toda palavra é
recomeço

quarta-feira, janeiro 19, 2011

A PALAVRA TODA




A PALAVRA TODA PARA O RIO

“O Rio estava com saudade dele mesmo. Aquilo que as circunstâncias separaram, volta organicamente a se juntar. A cultura carioca não pode viver sem ser completa. Fica faltando. O Rio sempre foi uma cidade inclusiva, sede da corte imperial, capital da república até a invenção de Brasília. Uma cidade acima de tudo cosmopolita.

O Rio sempre foi bom alquimista. Do samba-jazz da bossa nova ao samba-rock de Jorge Benjor, ao beat-modernista da poesia marginal, às reuniões de Villa-Lobos, Bandeira, Pixinguinha, Almirante na casa de Tia Ciata. Do rap samba funk de Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Marcelo D2 à incorporação da cultura hip-hop pelos nossos mestres Heloisa Buarque e Hermano Vianna. O Rio não precisou de nenhum manifesto modernista. Já tínhamos Noel Rosa.

Uma cidade que sempre esteve próxima à palavra viva com suas rodas de samba, seu partido alto, à grandeza de Vinícius falando seus poemas na noite de Copacabana, à fala em delírio dos poetas marginais dos anos 70 ao rap de D2, BNegão e Black Alien das Batalhas do Real e do Zoeira Hip-Hop na Lapa dos anos 90. Uma cidade assim pede um festival à altura. A PALAVRA TODA vem suprir esta demanda.

A palavra em seus muitos suportes, em seu mais diverso repertório. Espanando o bolor dos puristas, incorporando outras linguagens com a música, o teatro, o mundo digital, A PALAVRA TODA mistura. Mistura a academia com a rua, as mais diversas gerações, mistura a “alta” e a “baixa” cultura, apresenta as diferenças para que nesse atrito, nessa troca, a cultura da cidade volte a fluir.

A palavra poética se tornou muito estigmatizada nesse tempo audiovisual e assim como a cidade de tempos atrás, se bifurcou entre guetos distintos e coisa de especialistas. Mas inspirado nos novos rumos do Rio, juntamos todas as pontas, convocamos suportes que sempre tiveram forte relação com a palavra como a canção e o teatro e invadimos o Espaço Sesc, em Copacabana. Nos dias 24 e 25 um sem-número de poetas de todas as tribos, dos 70, 90 e 00, do rap ao repente, do hip-hop à academia, enfim um batalhão de gente do verbo, da cena e do ritmo para dar força a um unificado e pacificado Rio de Janeiro, dar sentido a esse verão. Ou não.

O Rio tem uma riquíssima tradição no uso da palavra. Seja ela cantada, entoada, falada ou escrita. Aqui nasceram e viveram nossos grandes poetas, músicos e compositores. Do samba à bossa nova, do modernismo à poesia marginal, do neoconcretismo ao tropicalismo, de Nelson Rodrigues ao Asdrúbal Trouxe o Trombone, todos se inspiraram nessa topologia única de montanhas que deságuam no mar.

O Rio sempre foi uma cidade festiva e festeira, de muitos e brilhantes festivais. Durante o verão então, entre turistas de todo lugar, a cidade regurgita sua cultura e natureza nas praias, nas noitadas da Lapa e ensaios das escolas de samba. Rio 40º. Se o Rio comemora a possibilidade de vir a ser uma cidade una, com o direito de ir e vir e de circular por sua imensa geografia cultural, a palavra não pode ficar de fora. Agora que a cidade segue em nova direção, a palavra, padroeira do sentido, instrumento maior de expressão e comunicação, quer estar junto. Agora o Espaço Sesc abre sua gloriosa arena e foyer para um esperado festival de poesia.

A PALAVRA TODA é o festival de poesia que faltava para a cidade. O Rio é poesia, o Rio é A PALAVRA TODA”.

Chacal



PROGRAMAÇÃO

Nos dia 24 e 25 de janeiro, segunda e terça-feira, o Espaço Sesc, em Copacabana, vai soletrar em alto e bom som o que há de mais vivo no Rio de Janeiro em se falando da arte da palavra. Com curadoria de Chacal e Heloisa Buarque de Hollanda, a festa começa às 18h com o VJ Christiano Menezes embalando o público com seus mashups, suas colagens digitais, trazendo a palavra daqui e de fora.

Na segunda, às 18h30, começa “A palavra em cena”, bloco em que o poema se vale da cena para melhor se fruir. E ainda teremos trechos da peça “Um navio no espaço” com textos de Ana Cristina César interpretados pelo ator Paulo José e pela atriz Ana Kutner. Na terça, Carla Tausz faz um trecho de “Jozú, o encantador de ratos”, de Hilda Hilst.

Na sequência, a poesia e o ritmo em “O rapto da palavra”. No primeiro dia o rap ganha força na voz e na rima de MC Nike e Re.Fem. Na terça, Nissin Instantâneo, Ricardinho, Babu, Bidi Dubois e Durango Kid fazem uma roda de rima, que se alastra pelas praças do Rio e Niterói.

Às 19h30 é a vez de “Agora é hora”, em que os poetas da última geração mostram como são atinados com a palavra escrita. Poetas do CEP 20.000, poetas da PUC, poetas que se iniciam por escrito ou na internet. Poetas contemporâneos. Na segunda, Alice Sant´Anna, Augusto Guimarães Cavalcanti, Pedro Rocha, Mariano Marovatto, Ismar Tirelli Neto e Gregório Duvivier. Na terça, o trem parte com Ramon Mello, Maria Rezende, Marília Garcia, Omar Salomão, Vitor Paiva e Ericson Pires.

Em seguida entra “A palavra contada” com seus repentes, a tradicional e popular poesia falada brasileira. Numa Ciro, a imensa performance, e o escritor Marcus Vinícius Faustini, na segunda, e Aderaldo Cangaceiro, o grito do agreste, na terça.

“Noves fora tudo” é a poesia dos anos 90, apurada, refinada, depurada. Na segunda, Viviane Mosé, pilar do CEP 20.000 e sua dança entre poesia e filosofia. Ainda nesse dia, o grupo: Carlito Azevedo, Felipe Nepomuceno, Valeska de Aguirre, Heitor Ferraz trabalharão palavras e imagens. Na terça, o bicho pega, o couro come com Paulo Henriques Britto, Alberto Pucheu, Carmen Molinari e Masé Lemos. Um mix de gêneros e genialidades.

A sequência é feita pelo bloco “Coletivos”. Na segunda, o Coletivo Cachalote, com Gabriela Marcondes (poesia), Ana Costa e Andrea Capella). Elisa Pessoa (fotos). Na terça, Madame Kaos com as poetas Beatriz Provasi, Marcela Gianninni e Arnaldo Brandão (baixo). A poesia e o espetáculo, roda de poetas.

Depois entram os veteranos dos anos 70, o bloco “Às margens plácidas”. A poesia que trouxe a fala e o corpo para o meio da roda. Na segunda, Chico Alvim, Charles Peixoto, Ronaldo Santos, Antonio Cicero e momento K7 com Zuca Sardana. Na terça, Geraldinho Carneiro, Chacal, Pedro Lage, Salgado Maranhão e momento K7 com Armando Freitas Filho.

Enfim, como em toda festa, o corpo também quer balançar, A PALAVRA TODA fecha com “A palavra cantada”. Na segunda, Letuce, de Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos e na terça, fechando os trabalhos, invocando deuses e diabos de Copacabana 40º, o seu cantor, Fausto Fawcett e companhia.

A PALAVRA TODA serão dois dias que formarão um grande painel da palavra no Brasil das últimas décadas do último milênio até agora nos dias que voam. Quem souber ouvir, vai viajar.


DATAS E HORÁRIOS

Serviço: Espaço Sesc
Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana
De 18 às 22 hs.
Entrada franca.
Tel.: (21) 2547-0156

Dia 24 de janeiro – Espaço Sesc, Copacabana


18h30 – ‘A palavra em cena’ – Paulo José e Ana Kutner

19h – ‘O rapto da palavra’ – MC Nike e Re.Fem

19h30 – ‘Agora é hora’ – Alice Sant´Anna, Augusto Guimaraens Cavalcanti, Pedro Rocha, Mariano Marovatto, Ismar Tirelli Neto e Gregório Duvivier

20h10 – ‘A palavra contada’ – Numa Ciro e Marcus Vinícius Faustini

20h30 – ‘Noves fora tudo’ – Viviane Mosé, Carlito Azevedo, Felipe Nepomuceno, Valeska de Aguirre e Heitor Ferraz

21h – ‘Coletivos’ – Cachalote (Gabriela Marcondes, Elisa Pessoa, Ana Costa e Andrea Capella)

21h30 – ‘Às margens plácidas’ – Chico Alvim, Charles Peixoto, Ronaldo Santos, Antonio Cicero e momento K7 com Zuca Sardana

22h – ‘A palavra cantada’ – Letuce (Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos)


Dia 25 de janeiro – Espaço Sesc, Copacabana


18h30 – ‘A palavra em cena’ – Carla Tausz

19h – ‘O rapto da palavra’ – REP (Ritmo e Poesia): Nissin Instantâneo, Ricardinho, Babu, Bidi Dubois e Durango Kid

19h30 – ‘Agora é hora’ – Ramon Mello, Maria Rezende, Marília Garcia, Omar Salomão, Vitor Paiva e Ericson Pires

20h10 – ‘A palavra contada’ – Aderaldo Luciano

20h30 – ‘Noves fora tudo’ – Paulo Henriques Britto, Alberto Pucheu, Carmen Molinari e Masé Lemos

21h – ‘Coletivos’ – Madame Kaos (Beatriz Provasi, Marcela Gianninni, Juliana Hollanda e Arnaldo Brandão)

21h30 – ‘Às margens plácidas’ – Geraldinho Carneiro, Chacal, Pedro Lage, Salgado Maranhão e momento K7 com Armando Freitas Filho

22h – ‘A palavra cantada’ – Fausto Fawcett

Mostra paralela - A poesia toda
Fotos, vídeos e outros objetos poéticos

Alberto Saraiva // Arnaldo Antunes // Alex Hamburguer // André Vallias //Chacal // Christian Caselli // Gabriela Marcondes // GrupoUM // Gustavo Peres // João Bandeira // Lenora de Barros // Márcio-André // Marcelo Sahea // Paulo de Toledo // Renato Rezende // Zuca Sardana

FICHA TÉCNICA

Curadoria
Chacal e Heloisa Buarque de Hollanda

Organização
Ramon Mello

Coordenação Geral
Elisa Ventura

Produção
Camilla Savoia
Luiz Cesar Pintoni
Nanda Miranda

Direção de Arte
Retina 78

Realização
Sesc Rio

Idealização e produção
Aeroplano Editora

Apoio
Blooks Livraria
Retina 78

segunda-feira, janeiro 17, 2011

MANTRA

"ser incoerente na vida é muito importante"
[suzana amaral, cineasta]

quinta-feira, janeiro 13, 2011

DEUS ME LIVRE DE SER NORMAL

















Hermógenes: Deus Me Livre de Ser Normal

Direção: Marcelo Buainain
Co-produção: Marcelo Buainain, Ginga Filmes
TV Universitária do Rio Grande do Norte
Fundação Padre Anchieta - TV Cultura

"O documentário de 50 minutos tenta sintetizar os 84 anos de experiência do mestre yogui José Hermógenes de Andrade Filho, potiguar há décadas radicado no Rio de Janeiro, pioneiro da medicina holística e introdutor do Yoga no Brasil.

Cientista, filósofo e escritor com mais de 30 livros já lançados ao longo de 50 anos de estudos e ensinamentos, o professor Hermógenes ficou conhecido por ser criador de técnicas que visam administrar o estresse e treinar o corpo, a mente e o espírito para a superação das mazelas que atormentam a sociedade moderna como o caos urbano, as doenças, a alienação, a prisão material e o medo da morte.

O documentário tem quatro momentos: um biográfico, outro científico, poético e outro com depoimentos de pessoas como Leonardo Boff, o líder espírita Divaldo Pereira Franco, a cantora Elba Ramalho, o escritor Pierre Weill, o padre Zezinho e o músico Alberto Marsicano. Também há uma breve reconstituição sobre sua infância, narrada por Carlos Vereza, e poemas declamados pelo ator e discípulo Jackson Antunes.

O diretor baseou sua pesquisa em conceitos holísticos e em temas como yogaterapia, egoesclerose (doença do ego), humildação (exercício da humildade), esteticoterapia (terapia através do belo), risoterapia, Hatha Yoga (postura física), meditação e relaxamento".

domingo, janeiro 09, 2011

"triste vida, triste sina, ser escritor de latrina", anônimo, porta de banheiro no estacionamento da cobal - humaitá, rio de janeiro

segunda-feira, janeiro 03, 2011




stromae (inversão silábica de "maestro") é o nome artístico do cantor e compositor belga paul van haver.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

CIRCO

chica, eu e meu irmão renato.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

quinta-feira, dezembro 23, 2010

muitas alegrias por vir!



segunda-feira, dezembro 20, 2010

sábado, dezembro 11, 2010



[via little lody]

sexta-feira, dezembro 10, 2010

quarta-feira, dezembro 08, 2010

terça-feira, dezembro 07, 2010

0

leia a entrevista com adélia prado na íntegra, aqui!

segunda-feira, dezembro 06, 2010

VIOLÊNCIA CONTRA HOMOSSEXUAIS



Drauzio Varella

A HOMOSSEXUALIDADE é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência a mulheres e a homens homossexuais. Apesar de tal constatação, esse comportamento ainda é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (leia-se Deus) criou os órgãos sexuais para a procriação; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).

Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

Se a homossexualidade fosse apenas uma perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em alguma fase da vida de virtualmente todas as espécies de pássaros, ocorrem interações homossexuais que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual foi documentado em fêmeas e machos de ao menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

A homossexualidade entre primatas não humanos está fartamente documentada na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no "Journal of Animal Behaviour" um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre os machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal estão no repertório sexual de todos os primatas já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por mero capricho. Quer dizer, num belo dia, pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas, como sou sem-vergonha, prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente se impõe. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países o fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais que procurem no âmago das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal aceitam a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos.

Afinal, caro leitor, a menos que suas noites sejam atormentadas por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu por 30 anos?

[Ilustrada, Folha de São Paulo, 4 de dezembro de 2010]

ALEXANDRE IVO

sexta-feira, dezembro 03, 2010

NO MEIO DO CAMINHO



Em comemoração aos 40 anos do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, o Instituto Moreira Salles publicou o livro Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema, seleção com o que foi dito sobre os famosos versos, organizado pelo poeta Eucanaã Ferraz.

Por ocasião do lançamento, o IMS produziu esse vídeo com a leitura de “No meio do caminho” em vários idiomas. Leituras por Heloisa Jahn (dinamarquês), Sidney Calheiros (latim), Davi Arrigucci Jr. (italiano) , Jana Binder (alemão), Laura Hosiasson (espanhol), Pieter Tjabbes (holandês), Jean Claude Bernardet (francês), Paulo Schiller e Mariana Schiller (húngaro), Yael Steiner (hebraico), Matthew Shirts (ingles), Carlos Papa (tupi) e Eucanaã Ferraz (português).

THINGS

quarta-feira, dezembro 01, 2010

7 NOVOS

em momentos distintos:

Augusto Guimaraens Cavalcanti

o poeta lança 'os tigres cravaram as garras no horizonte', ao lado de ana salek com
'dezembro'. dia 1 de dezembro, quarta-feira, no astro bar do planetário da gávea


Domingos Guimaraens

o poeta e artista plástico lança a exposição 'risco'. dia 2 de dezembro, quinta-feira, no espaço cultural sérgio porto



Mariano Marovatto

o poeta e músico lança o disco 'aquele amor nem me fale' + compacto 'teu/nunca'+ clip




terça-feira, novembro 30, 2010

SOBRE COLHEITAS

o amor é um fruto ácido? melhor com álcool.


lourdes alves, cordelista recifense, colheu esse limão enamorado no quintal de casa, em junho de 2009.

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sexta-feira, novembro 26, 2010

TEMPO

"Sêneca nos ensina que temos que agir sabendo que vamos morrer. Quando se está consciente da morte, distingue-se o essencial do acessório. A consciência da morte muda o modo como utilizamos o tempo. Muda a forma como vivemos. Carta a Lucílio são cartas de Sêneca a um aprendiz. A primeira carta fala precisamente do tempo. O aprendiz reclama da falta de tempo. Sêneca diz a ele: 'Ao invés de se queixar da falta de tempo, vais ver o que é essencial e o que é acessório. E no dia seguinte fazes somente o que é essencial. E assim verás: tens tempo'. "

Gonçalo M. Tavares

['Máquina de escrever', Segundo Caderno, O Globo, entrevista realizada por Karla Monteiro - 25/11/10]


quinta-feira, novembro 25, 2010

GEOGRAFIAS IMAGINÁRIAS


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GEOGRAFIAS IMAGINÁRIAS, DE MAURO FAINGUELERNT

Abertura: 25 de novembro de 2010, 19h às 22h

Exposição: 26 de novembro de 2010 a 26 de fevereiro de 2011

De terça a sábado, 11h às 19h

Galeria Tempo
Avenida Atlântica 1782, Loja E - Copacabana
Rio de Janeiro

quarta-feira, novembro 24, 2010

LEANDRO JARDIM

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O poeta Leandro Jardim convida para o lançamento do seu livro 'Os poemas que não gostamos de nossos poetas preferidos' (Selo Orpheu/Editora Multifoco), no dia 2 de dezembro, às 19h, no Espaço Multifoco.


Espaço Multifoco
Rua Mem de Sá, 126 - Lapa

SIMONE MAGNO

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A escritora e jornalista Simone Magno convida para o lançamento do seu livro 'A lua depois do gravador' (Grua Livros) no dia 29 de novembro, às 19h, na Blooks Livraria.

Blooks Livraria
Praia de Botafogo, 316
[dentro do Arteplex Unibanco]

"Os encontros e desencontros são os fios que amarram as narrativas curtas de amor de A lua depois do gravador – histórias de você e ele. Um amor contemporâneo, pop, urbano. Simone Magno percorre os sentimentos em relação ao outro, sentimentos nem sempre nítidos, não apenas para o objeto, como também para o sujeito que sente. Sujeito e objeto se confundem no amor vivido pelas personagens. Uma cantada num lobby do hotel, numa reunião de trabalho, acaba num café da manhã no dia seguinte, e este fim, num momento de silêncio, é percebido como o começo de tudo. Um amor por vezes efêmero, por vezes perene. A festa em que o namorado apresenta a você um amigo estrangeiro, cineasta, e as suas memórias estão ainda em carne viva, e os três ficam sem graça até o namorado cair em si e desviar o olhar. Um amor por vezes gritado, por vezes silencioso. A entrevista exclusiva que ele concede à jornalista. E depois do gravador desligado, a carícia, a lua. E depois da lua, o Rio de Janeiro, porque ele se casa e não é com você. Um amor por vezes delicado, por vezes louco. O perfume recebido de presente por engano: você achou forte demais, agradeceu dizendo que gostou, mas não era para você, era para Iemanjá. Um amor por vezes desencontrado. E quando você encontra o amor, despeja o líquido no mar; a Iemanjá o que lhe era de direito. Um amor, em todas as suas faces, sempre intenso."


"Será que também da festa universal da morte,
da perniciosa febre que ao nosso redor
inflama o céu desta noite chuvosa,
surgirá, um dia, o amor?"

Thomas Mann, 'A Montanha Mágica'

[epígrafe do livro 'O macaco ornamental', de Luís Henrique Pellanda]

sábado, novembro 20, 2010

"força é mudares de vida"

‎['torso arcaico de apolo', r.m. rilke - trad. manuel bandeira]

LA QUESTION

alegria é encontrar o vinil 'la question', de françoise hardy, a preço de banana num sebo em copacabana





Composição: Françoise Hardy - Música: Tuca - [1971]

La question
Je ne sais pas qui tu peux être
Je ne sais pas qui tu espères

Je cherche toujours à te connaître
Et ton silence trouble mon silence

Je ne sais pas d'où vient le mensonge
Est-ce de ta voix qui se tait

Les mondes où malgré moi je plonge
Sont comme un tunnel qui m'effraie

De ta distance à la mienne
On se perd bien trop souvent

Et chercher à te comprendre
C'est courir après le vent

Je ne sais pas pourquoi je reste
Dans une mer où je me noie

Je ne sais pas pourquoi je reste
Dans un air qui m'étouffera

Tu es le sang de ma blessure
Tu es le feu de ma brûlure
Tu es ma question sans réponse
Mon cri muet et mon silence.


A Questão
Eu não sei o que você pode ser
Eu não sei o que você espera

Procuro sempre te conhecer
E seu silêncio perturba meu silêncio

Eu não sei da onde vem a mentira
É de tua voz que se cala

Os mundos onde, contudo eu mergulho
São como um túnel que me assusta

De sua distância em relação à mim
Se perde sempre muitas vezes

E procurar te entender
É como correr atrás do vento

Eu não sei por que eu fico
Em um mar onde eu me afogo

Eu não sei por que eu fico
em um ar que me sufoca

Você é o sangue da minha ferida
Você é o fogo da minha queimadura
Você é minha pergunta sem resposta
Meu grito mudo e meu silêncio...

[tradução: saki, letras terra]

segunda-feira, novembro 15, 2010

[clique na imagem para ampliar]



>>> TERÇAS LITERÁRIAS, GERAÇÃO 00
Dia 16 de novembro, terça-feira, 19h
Autores: Cecilia Giannetti e Ramon Mello
Mediação: Beatriz Rezende
Casa da Leitura da Biblioteca Nacional
Rua Pereira da Silva, 86, Laranjeiras

quinta-feira, novembro 11, 2010

DESARMADO E PERIGOSO



é verdade
roubo beijo
mato saudade


['ninguém muda ninguém', livro de poemas de andré dahmer]

quarta-feira, novembro 10, 2010

terça-feira, novembro 09, 2010

BETHÂNIA E OS SAPOS DE BANDEIRA




Os Sapos - Manuel Bandeira

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."

Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...

segunda-feira, novembro 08, 2010

domingo, novembro 07, 2010



Quand je marche
Juien Bensé

Une fois la, porte ouverte
Une fois mes oreilles couvertes
Par le bruit des chansons
Je m’aventure, au dehors
Je ne pense même plus à mes morts
Je souris, j’ai l’air con
Le vent de Paris me caresse
Je suis en vie, je suis heureux
Est-ce car je suis amoureux
J’oublie le monde de sa misère
La maladie qui gronde, les guerres
Soudain je me sens mieux
Quand je marche dans mes rues
Quand je marche, je marche plus
Qu’au pas de mes chansons
Les gens me prennent pour un fou
Me regardent chanter seul je m’en fous
Pour un instant je les aime
J’ai même envie de faire l’amour
A toutes ces filles qui courent
Mon amour ai-je un problème
Quand je marche dans mes rues
Quand je marche, je marche plus
Qu’au pas de mes chansons
Quand je marche dans mes rues
Quand je marche, je marche plus
Qu’au pas
Quand je marche dans mes rues
Quand je marche, je marche plus
Qu’au pas de mes chansons

quinta-feira, novembro 04, 2010

RSL

hoje, 4 de novembro, rodrigo de souza leão faria 45 anos, luz.


foto: antônio leão


EU.

Morri sem conhecer Rodrigo
Há quem diga que ele
Olhava muito o próprio umbigo

Mas não é isso não
Tinha fome de Leão
Queria tudo agora

Foi
Chegada a hora

[Rodrigo de Souza Leão]

quarta-feira, novembro 03, 2010

"agora que nos vimos, disse o unicórnio para alice, se você acreditar em mim eu acredito em você", lewis carroll


[citação encontrada no livro 'como esquecer', de myriam campello, adaptado para o cinema por malu de martino]

terça-feira, novembro 02, 2010

+ CONVITES, LITERATURA



POESIA NO SESI

>>> HOMENAGEM A FERNANDO PESSOA

Dia 10 de novembro, quarta-feira, ao meio-dia
Participarei do evento 'Poesia no Sesi', organizado por Claufe Rodrigues e Mônica Montone. Ao lado de Alexey Bueno, vou ler poemas de Fernando Pessoa, o poeta homenageado.


PAIXÃO DE LER, SESC RIO

>>> ENTER A POESIA WWW

Roda de conversa e apresentação do projeto ENTER - Antologia Digital (idealização e curadoria de Heloísa Buarque de Hollanda). Pensar a literatura hospedada na internet e sua lógica de percepção.

Dia 10 de novembro, quarta-feira, às 15h.
Poetas: Ramon Mello (mediador), Alice Sant'anna e Ismar Tirelli Netto
Sesc Tijuca – Rua Barão de Mesquita, 539 Tel.: (21) 3238-2164

Dia 11 de novembro, quinta-feira, às 15h.
Poetas: Diana de Hollanda (mediadora), Maria Rezende e Omar Salomão
Sesc Madureira – Rua Ewbanck da Câmara, 90 Tel.: (21) 3350-7744


>>> PERCURSOS DA POESIA

Tendências e transformações da poesia brasileira nas últimas décadas. Roda de conversa com dois poetas e mediação de um pesquisador para debater questões sobre percepções e leituras sobre a poesia, construção poética, referências relevantes para a compreensão do momento presente.

Dia 11 de novembro, quinta-feira, às 15h.
Poetas: Ericson Pires e Ramon Mello
Mediação: Júlio Diniz
Sesc São João de Meriti – Av. Automóvel Clube, 66. Tel.: (21) 2755-7070.

Dia 12 de novembro, sexta-feira, às 15h.
Poetas: Paulo Henriques Britto e Ramon Mello
Mediação: Júlio Diniz
Sesc Madureira – Rua Ewbanck da Câmara, 90 Tel.: (21) 3350-7744


PANORAMA JARAGUÁ: LITERATURA

>>>LIVRO: CRÍTICA E DIVULGAÇÃO

Dia 14 de novembro, domingo, 18h30
Autores/Jornalistas: Marcelo Moutinho, Luís Henrique Pellanda e Ramon Mello
Sesc Jaraguá do Sul - Santa Catarina - Rua Jorge Czerniewicz, 633
Evento organizado por Carlos Henrique Schroeder e Loreno Hagendorn
Programação completa, AQUI!


CASA DA LEITURA, BIBLIOTECA NACIONAL

>>> TERÇAS LITERÁRIAS, GERAÇÃO 00
Dia 16 de novembro, terça-feira, 19
h
Autores: Cecilia Giannetti e Ramon Mello
Mediação: Beatriz Resende
Rua Pereira da Silva, 86, Laranjeiras
Programação completa, AQUI!

GULLAR NA PRIMAVERA DOS LIVROS



Flávia Muniz fez a gentileza de registrar a conversa com o poeta Ferreira Gullar:






Fotos: Vitor Vogel