segunda-feira, julho 20, 2015

LANÇAMENTO "A IMAGINÁRIA"

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ROMANCE DOLORIDO


‘A IMAGINÁRIA’, LIVRO DE ADALGISA NERY, É RELANÇADO 35 ANOS DEPOIS

Livro abre série de reedições de Adalgisa
Na obra, escritora, jornalista e política narra seu casamento perturbador com o pintor Ismael Nery

Por Nani Rubin - Segundo Caderno, O Globo [20 de julho de 2015]

[Adalgisa Nery em 1971. Foto: Paulo Garcez/O Pasquim]

A mãe morre quando ela é menina. Aos 8 anos, vai para um internato. O pai casa-se novamente, com uma italiana irascível. Aos 14 anos, apaixona-se por um homem seis anos mais velho, “de sensibilidade aguçada”. Casa-se aos 15, e muda-se para a casa da família do marido, um trio de mulheres alucinadas, em que se destaca a mãe beata com delírios persecutórios. Sua residência, mais tarde, é frequentada por intelectuais e artistas — de cujas animadas conversas, apesar de inteligente e curiosa, é alijada. Diagnosticado com tuberculose, o marido confessa ter um caso e, entre outras atitudes impiedosas, pede-lhe que procure a amante em seu nome. Jovem viúva com filhos pequenos, foge das sandices da sogra mudando-se para uma pensão, e sai à cata de emprego. É assim, entre episódios de mesquinharia, crueldade e loucura, que transcorre a vida de Berenice, narradora do romance “A imaginária”, de Adalgisa Nery. Assim transcorreu a vida da própria Adalgisa, contada neste livro de autoficção que chega às livrarias depois de 35 anos fora de catálogo, desde a morte da autora.

“A imaginária” será lançado amanhã, na Travessa de Botafogo, numa espécie de celebração da volta ao mercado da obra de Adalgisa (1905-1980) — depois dele, serão publicados seu outro romance, “Neblina” (em outubro), os volumes de contos “Og” e “22 menos 1″ e uma coletânea de poemas, ainda sem nome (os três em 2016). O fato de a escritora, poeta e tradutora ser mais lembrada, hoje, por sua carreira de jornalista (assinou durante 12 anos, no jornal “Última Hora”, a coluna diária “Retrato Sem Retoque”) e política — teve três mandatos de deputada, de 1960 a 1969, quando foi cassada pelo regime militar —, não surpreende Ramon Nunes Mello, poeta e jornalista à frente do projeto. Decidido a promover o resgate da obra, ele procurou seus cinco netos para negociar os direitos e bateu à porta da José Olympio, editora que publicou todos os livros da autora a partir de 1947 — o único anterior a esse ano, “Poemas” (1937), saiu pela Pongetti.

— Para mim, um dos motivos de ela ter sido esquecida foi seu segundo casamento, com Lourival Fontes (chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda de Getúlio Vargas). Ela ficou muito associada ao poder, e as pessoas não perdoam isso — observa Ramon, que cursa atualmente um mestrado, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, com foco na produção poética da escritora.

“LIVRO-VINGANÇA”, DIZ ANA ARRUDA

Para a escritora e jornalista Ana Arruda Callado, autora da biografia “Adalgisa Nery — Muito amada e muito só” (1999, editora Relume Dumará), produzida para a série Perfis do Rio, o fato de a obra literária ter caído no ostracismo se deve, em grande parte, à falta de interesse dos dois filhos (Ivan e Emmanuel, ambos já falecidos) em cuidar do legado da mãe.

— Dizem que o sofrimento torna as pessoas boas. Não foi o que aconteceu com ela. Era valente, corajosa, mas má com os filhos. O Samuel Wainer, seu patrão na “Última Hora”, dizia que ela só se casou com Lourival Fontes para maltratar o Murilo Mendes (o poeta, muito ligado a Ismael, pediu-a em casamento diversas vezes após a morte do amigo).

“A imaginária” foi publicado em 1959, 25 anos depois da morte de Ismael Nery (1900-1934) e seis após a separação de Lourival Fontes, tornando-se um grande sucesso à época, com cinco edições. O romance trata apenas do primeiro casamento, aquele que a oprimiu. Na abertura de sua biografia, Ana Arruda Callado reproduz uma cena entre Ismael, com a tuberculose avançada, e a mulher. “Sentindo a hemoptise iminente, ele abraçou-a com força. Enquanto o sangue se espalhava pelo vestido simples e bem talhado, ela ficava impassível”, relata. E conta ainda que ele a intimava a beber do mesmo copo no qual já havia sorvido a gemada que a mulher lhe preparara.

— O Ismael foi de uma violência horrível. E ela foi totalmente submissa. Enquanto esteve casada, não escreveu uma linha. Se o fez foi escondida — diz Ana, que, em sua biografia, refere-se a “A imaginária” como “Livro-vingança”, já que expõe um lado nada glamouroso do artista e pensador, importante nome do modernismo brasileiro.

LIVRO-CHOQUE, DIZIA DRUMMOND

Que Berenice, a narradora de “A imaginária”, é Adalgisa, isto é certo. Ainda que detalhes tenham sido modificados (como a idade do casamento, ocorrido aos 16 anos, ou a nacionalidade da madrasta, que era espanhola), a história da menina de infância triste que se apaixona pelo vizinho bonito e interessante foi confirmada como real pelos dois filhos e pela própria Adalgisa, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, em 1967.

O interessante é que ela só floresceu após a morte de Ismael. Sua beleza e inteligência foram louvadas por poetas e pintores. Durante o casamento, a casa era frequentada por Murilo Mendes, Pedro Nava, Jorge de Lima e Manuel Bandeira, entre outros. Mendes, Bandeira e Carlos Drummond de Andrade lhe dedicaram poemas. Portinari pintou-lhe o retrato (é dele a capa da primeira edição de “A imaginária”). Ismael, naturalmente, fez vários. E, muito depois, Diego Rivera também (o pintor e Frida Kahlo tornaram-se próximos de Adalgisa e Lourival Fontes quando este foi enviado ao México por Getúlio Vargas para servir na embaixada brasileira).

Editora-executiva da José Olympio, Elisa Rosa vê no romance, saudado por Drummond como “livro-choque”, de “beleza dolorida e profunda”, qualidades que justificam sua reedição:

— “A imaginária” é altamente poético, bem escrito, conta uma história muito feminina. Tem qualidade literária, além de ser relevante até historicamente. Lembra, de certa forma, Clarice Lispector, com seus diálogos interiores, sua sensibilidade feminina, oprimida pelo casamento, pelos pais, pelo mundo.

No lançamento, amanhã, haverá uma conversa com a participação de Ramon Nunes Mello, Ana Arruda Callado, que assina o prefácio da nova edição, e Affonso Romano de Sant’anna, cujo ensaio “Adalgisa Nery: vampirismo masculino ou a denúncia de Pigmalião” (1988) é reproduzido no volume.

TRECHO DE “A IMAGINÁRIA”:

“Eu notava mais esse desconcerto. Ele sentia-se acima de todas as conjunturas da vida. Opinava drasticamente. Lembro-me de um fato importante para mim naquela época. Um dia um amigo nosso, poeta extraordinário, vendo-me e sabendo que eu não tinha convivência de amigas, conhecendo a minha vida entre alucinados, sem distrações normais, perguntou ao meu marido se ele não receava que eu, uma mulher tão jovem, vivendo unicamente entre homens, viesse a ter preferência por um de seus amigos. Recebeu como resposta: ‘A minha mulher é como a minha mão. No dia em que ela gangrenar, eu a decepo e continuo a viver com o resto do corpo.’

Sim, eu não passava de um detalhe que não fazia falta ao todo. Mal sabia ele que o meu mundo era grandioso, o meu mundo estava na sua vida e na sua alma separado por um silêncio que ele mesmo provocara”.

terça-feira, junho 16, 2015

NOTAS DE UM ENCONTRO COM A FUNDADORA E DIRETORA DO THÉATRE DU SOLEIL




O Oi Futuro Ipanema realizou ontem (22/06/2015) um encontro da fundadora e diretora do Théâtre du Soleil, Ariane Mnouchkine, com uma plateia de 50 artistas - aproveitando sua passagem pelo Brasil para participar do ciclo de encontros ‘Ato criador’, que ocorre hoje, terça-feira, 23/06/2015, Biblioteca Parque Estadual (Av. Presidente Vargas 1.261, Centro - Rio de Janeiro).

1. Ao lado de sua companheira, a atriz Juliana Carneiro da Cunha, e de um jovem tradutor, Ariane Mnouchkine aguardava a entrada do público sentada no proscênio. O encontro foi apresentado pelo Gerente de Cultura do Oi Futuro, Roberto Guimarães e pela curadora do ciclo ‘Ato Criador’, Ana Lucia Pardo, que chamou o encontro de “bate-bola”.

2. A expressão “bate-bola” provocou risos em Ariane, que arriscou repetir a expressão em português carregada de sotaque francês: “bate-bola”. Disse que esperava que o público pudesse “pegar a bola” no ar.

3. Inúmeras vezes Ariane interrompeu o jovem tradutor para que fosse fiel às suas palavras. Embora não fale português com fluência, a diretora do Soleil esforça-se para se compreendida na gênese de sua fala. Por vezes, Juliana também interrompia o tradutor para fazer uma correção e outra. Por fim, até a plateia mais íntima do francês, sentia-se à vontade para corrigir rapaz, nitidamente nervoso.

4. Ariane começou falando da sua mais recente criação, “Macbeth”, de Shakespeare: “As urgências desfilam na minha cabeça”.

5. Sobre a expressão “ato criador”, Ariane resolveu problematizar: “Talvez, sobre o ato criador, essa interrogação que propomos discutir coletivamente, temos que entender o caráter de urgência. Por que Camboja e não Argélia? Por que Iraque e não Síria? É com isso que os artistas se defrontam. Os demônios são incontáveis”.

6. “Porque o criador é deus. Se existir um Deus.”

7. Pauster que era sábio: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.

8. De que forma os acontecimentos do mundo afetam o Théâtre du Soleil? “Não sei. Eu nunca sei como será o próximo espetáculo.”

9. “Urgência não quer dizer colado com a realidade, é mais profundo que isso”, pontua Ariane, instaurando um clima de suspense na plateia. Quando o técnico do teatro pergunta se alguém tem mais uma pergunta, Ariane se incomoda: “Não interrompa. Deixem as pessoas refletirem e sentirem vontade realizar mais perguntas.” Ariane Mnouchkine preza o tempo de reflexão da plateia.

10. O que é o teatro? “O Teatro não é um supermercado. Teatro é o Palácio das Maravilhas. O público deveria entrar num teatro como quem entra no ‘Palácio das Maravilhas’.

11. É possível mudar o mundo. Só mudamos o mundo através de um pequeno exemplo. O que é o Théâtre du Soleil no mundo? Nada. Grande como um micróbio. Mas podemos mudar o mundo.

12. Qual sua reflexão sobre o teatro no Brasil? “Sou ignorante demais sobre a riqueza do teatro brasileiro. O que sei é que as pessoas de teatro no Brasil são tristes e assustadas. Não sei como conseguem sobreviver nessas condições.”

13. Ainda sobre a situação dos artistas: “O ideal é que exista um pacto entre os artistas. Um pacto de direitos e necessidades. Isso é muito complicado, a situação é muito difícil. Na Europa (digo França e Alemanha) a situação é difícil. Mas em comparação ao Brasil é um privilégio”.

14. Devemos relembrar a frase de Churchill, durante 2ª Guerra Mundial: “Se vamos cortar tudo da Cultura, por que vamos fazer a guerra?”

13. “Economia criativa? Não entendo. Uma economia que não seja destrutiva já é alguma coisa”.

14. Repito sempre o provérbio: “O tempo se vinga daquilo que fazemos sem ele”.

15. Sobre os Jogos Olímpicos: “Não. Não são os jogos olímpicos que vão mudar o mundo”.

16. “As melhores perguntas são aquelas que fazemos a nós mesmos”.

17. Uma pergunta que me faço constantemente: “Será que vamos reencontrar o teatro? Não sei. Ensaiamos muito, mas há ensaios em que não acontece teatro. Será que os deuses do teatro nos abandonaram? Todos têm o mesmo temor: Será que vai ter teatro?”.

18. “Meu papel, enquanto diretora, é que os atores tenham tempo para atuar bem. Gosto da expressão ato criador”.

19. Quantas horas de ensaio? Juliana Carneiro responde: “Dezesseis horas”. Ariane fica vermelha, e tenta se defender, aos risos: “São pequenos rituais”.

20. “Que ator me faz feliz? Quando ele está transfigurado. Atores me deixam feliz quando encontram um poço sem fim. Juliana, que aqui está, é esse tipo de ator, que está sempre em busca de poços sem fim.”
21. “Quando olho para minha trajetória, vejo que há coerência. Mas não há essa consciência no momento presente. O que tenho a impressão de ter vivido e estar vivendo? Muito afeto, risadas, chateações, amor, risadas... A impressão que estou construindo algo com amor.”

22. Por fim, pergunto: Diante de tantos desencantos no mundo, gostaria de saber o que no Brasil lhe causa encantamento? “Só de pensar, tenho vontade de chorar. A gentileza dos brasileiros. Ao mesmo tempo acho que são gentis demais. Vocês têm uma paciência quase angelical.”

23. “Como na história judaica, sejamos os melhores da rua. Sendo os melhores da rua, seremos os melhores do mundo”.

Em tempo, há dois excelentes livros para quem deseja conhecer mais o pensamento de Ariane Mnouchkine: “Encontros com Ariane Mnouchkine - erguendo um monumento efêmero”, de Josette Féral – Tradução de Marcelo Gomes (Editora Senac SP / Edições Sesc SP, 1995) e “A arte do presente: Entrevistas com Fabienne Pascaud”, tradução de Gregório Duvivier (Editora Cobogó, 2005).

Rio de Janeiro, 15 de junho de 2015.

Ramon Nunes Mello

sexta-feira, junho 12, 2015

A IMPORTÂNCIA POLÍTICA DE COPI



Neste tempo triste em que acompanhamos o drama da Verônica Bolina (transexual agredida por policiais a ponto de ter o rosto desfigurado), a OCUPAÇÃO COPI no Espaço Sesc em Copacabana - a partir da obra do argentino Raúl Damonte Botana (1939-1987), conhecido pelo pseudônimo de Copi - além de fundamental, é um ato político: fortalece o debate sobre identidade sexual e intolerância.
Merece atenção a montagem da companhia Teatro de Extremos que apresenta o texto inédito no Brasil, escrito em 1971 por Copi: “O Homossexual ou a Dificuldade de se Expressar” (tradução de Giovana Soar), dirigida por Fabiano de Freitas, com atuação intensa de Higor Campagnaro, Leonardo Corajo, Mauricio Lima, Fabiano de Freitas, e Renato Carrera - que se destaca pelo primor da construção da personagem. Os personagens travestis (Irina, Madre, Nikita, Sra Simpson) são marcados pela ironia e escatologia. A peça é uma mistura de melodrama e absurdo, que literalmente faz o espectador rever a própria existência.
Também no Espaço Sesc está a montagem do monólogo tragicômico “A Geladeira” (tradução de Maria Clara Ferrer), dirigido Thomas Quillardet, com atuação de Márcio Vito. No texto, um homem, no dia do seu aniversário, acorda e encontra um refrigerador no meio da sala do apartamento. Assim, se desenrola a cena marcada pelo absurdo que Copi nos apresenta. Marcio Vito é um ator virtuoso que se desdobra em vários personagens, entretanto a concepção de direção de Thomas Quillardet não favorece sua atuação. A sensação é de que falta ritmo ao espetáculo, e também cores para o delírio dos personagens de Copi.
Vale lembrar, o ator Fernando Fecchio estreou em novembro de 2014 em São Paulo esse mesmo texto de Copi - "A Geladeira". Fiquei com vontade de conferir a encenação. E também interessado em ler o romance "O Uruguaio", lançado recentemente no Brasil pela editora Rocco com tradução do poeta Carlito Azevedo. A propósito, um imenso agradecimento pesquisadora Renata Pimental pela dedicação em trazer a obra de Copi para conhecimento dos brasileiros.
Rio de Janeiro, 12 de junho de 2015.
Ramon Nunes Mello

INTIMIDADE COM A POESIA CABRALINA



Há 10 anos acompanho a Cia de Teatro Íntimo, de Renato Farias, que tem a ousadia de levar a literatura para o palco – tarefa árdua, pois dramatizar as palavras de poetas e escritores não é para qualquer um. Neste tempo, assisti à encenação de textos de Caio Fernando Abreu, Adélia Prado, Oscar Wilde, e tantos outros autores que povoam meu imaginário.
Com talentosos atores, vivenciei experiências inquietantes como espectador: “Os Dragões” (2005 – Ah, Fernanda Boechat!), “Viridiana e eu” (2006), “Cuidado com o Cão” (2007), “Degustação Poética” (2008/22009), “Histórias da Democracia” (2008/2009), “Adélia” (2010), “8 Solos Acompanhados” (2011), “Dorian” (2012), “Ere, Piá, Curumim” (2013) e, agora, a primorosa montagem “João Cabral”, que encerra temporada no Espaço Sesc em Copacabana e segue para a Sede das Cias na Lapa.
A mais recente montagem da companhia traduz o resultado de uma década de pesquisa sobre o casamento da literatura com o teatro. A vantagem está no amadurecimento da direção de Renato Farias e do trabalho dos atores que prezam pela intimidade com o interlocutor. O poeta João Cabral de Melo Neto (injustamente considerado difícil pelos leitores) ganha mais humanidade na atuação certeira de Caetano O’Maihlan, Rafael Sieg, Raphael Viana e Gaby Haviaras. A única mulher do espetáculo apresenta um trabalho delicado e firme, como a poesia de Cabral, principalmente nas cenas em que dança flamenco com os atores, um dos momentos emocionantes da encenação.
A dramaturgia mistura cartas de Cabral, trechos de depoimentos e versos famosos de “O cão sem plumas”, “Morte vida severina”, “Os três mal-amados”, “Primeiros poemas”, “Sevilha andando” e outros livros do "poeta-engenheiro". Emoldurando o espetáculo, a direção de arte e figurino de Thiago Mendonça, o visagismo de Ezequiel Blanc e a cenografia de Melissa Paro se unem para valorizar as palavras de Cabral e suas “ideias fixas”: o rio Capibaribe, Recife, Sevilha, a cana, a faca, a arquitetura, a mulher, o amor...
A “poesia do menos” de João Cabral é compreendida por todos, e o resultado é a composição de um espetáculo preciso, na medida exata do poeta: “puro sol em si”.
Rio de Janeiro, 07 de junho de 2015.
Ramon Nunes Mello

sexta-feira, maio 01, 2015

SOS ESCOLA DE TEATRO MARTINS PENA

Antes de me formar em jornalismo, estudei na Escola Estadual de Teatro Martins Pena. Na minha turma havia alunos talentosos como meu amigo Jô Bilac, hoje um dos dramaturgos mais atuantes do teatro. Posso afirmar que devo grande parte de minha formação humana, afetiva e intelectual a essa instituição.
Para quem não conhece, trata-se da mais antiga escola de teatro da América Latina, localizada no solar do Barão do Rio Branco, na Rua 20 de abril, próximo a Praça da República. Uma verdadeira incubadora de talentos, tendo entre seu mais ilustre aluno Procópio Ferreira.
A história da Escola de Teatro Martins Pena é marcada pelo descaso do Governo do Estado Rio de Janeiro, que lamentavelmente não a valoriza. Quando fui presidente do Grêmio Renato Viana, durante passagem na Martins Pena, perdi a conta das inúmeras vezes que fui à FUNARTE para conversar sobre o descaso, principalmente ao pagamento dos professores.
Por que uma instituição importante como a Escola Estadual de Teatro Martins Pena é tão desvalorizada? Hoje a escola é administrada pela FAETEC, quando deveria ser administrada pela Secretaria de Cultura do Estado.
Passado alguns, os alunos continuam brigando com o Governo do Rio de Janeiro pela mesma situação:
"No início do semestre atual, a Martins Penna se despediu de 5 professores e 4 funcionários. Algumas disciplinas estão interrompidas desde então, mas nos reunimos em uma assembleia de professores, funcionários e estudantes, optando por manter a escola em funcionamento apesar disso. No dia 28 de maio, entretanto, perderemos mais 15 professores e 9 funcionários, o que causará um desfalque irremediável, e a consequente paralisação das aulas.
Estamos também sem telefone e internet, a escola está incomunicável, e não há recebimento de verba a contar de outubro do ano passado. Nossas estruturas são antigas e necessitam reformas para garantir o mínimo que é a segurança dos funcionários, professores e estudantes que utilizam esses espaços todos os dias. O orçamento da escola é absurdamente ineficiente para o atendimento das necessidades mais básicas, o que dirá para aperfeiçoamentos. A nossa escola de teatro está parada no tempo."
Peço a Senhora Secretária Estadual de Cultura, Eva Doris Rosenthal, e o Senhor Presidente da Funarte, Francisco Bosco, pessoas que respeito, atenção com a Escola de Martins Pena. Convido aos alunos, ex-alunos, artistas dessa cidade, a cobrar do Governo do Estado uma posição de responsabilidade com essa instituição tão importante na história do teatro brasileiro.
Sociedade civil, mídias e as autoridades aceitem o convite dos alunos para visitar a Escola de Teatro Martins Pena no dia 30 de abril, a partir das 17 horas, quando haverá o Ato Artístico Martins Resiste, e uma grande roda de conversa em busca de solução para as dificuldades.
Evoé!
Ramon Nunes Mello
sobre a sobrevivência da Etet Martins Pena
vídeo que realizei em 2008 na ocasião do centenário da escola
uma história de resistência, diante do permanente descaso do Governo do Estado do Rio de Janeiro

no momento em que se discute a Educação no Brasil, é importante lembrar da Escola Estadual de Teatro Martins Pena.
e cobrar da Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, da Faetec e da Funarte a necessidade de tombar essa instituição como patrimônio imaterial

sábado, fevereiro 07, 2015

DO AMOR, DA GRATIDÃO



costumo dizer que muitos dos meus anjos são mulheres (sim, no meu imaginário, meus anjos têm sexo, e são tão sagrados quanto profanos). eu poderia listar algumas almas femininas (que incluo até alguns homens mais sensíveis) inúmeras têm marcado minha vida. são tantos encontros belos que seria injusto listá-los.
hoje quero citar apenas apenas uma, que tem ampliado meu caminho, com amor: Ana Vitória Vieira Monteiro, que nesta data completa 70 anos de luz. sua trajetória daria mais que uma história, um poema: “vitória sempre cantada pelos poetas e reis”.
agradeço pelo seu senso de humanidade, pela sua coragem e sensibilidade, por acreditar que é possível construir um mundo mais pacífico. gratidão por ensinar, professora, principalmente quando silencia em meditação. por me ajudar a expandir a consciência, para além da minha limitação e ignorância, resgatando o sentido de transcendência em minha vida, gratidão.
amada Ana Vitória tenho alegria por nos (re)encontramos nesta jornada intensa de auto compreensão. desejo um novo ciclo de paz e constante alegria, e muitos (mesmo! inspirado em Dona Filó, sua mãe) anos de vida.
te amo.
Rio de Janeiro, 7 de fevereiro de 2015,

Ramon Nunes Mello

quinta-feira, janeiro 29, 2015

ACIMA DE TUDO, COM AMOR



trata-se de um ritual: magia e respeito com as palavras. assim é "No se puede vivir sin amor", monólogo encenado pela atriz e professora Nara Keiserman.
neste dia de Oxalá, em Copacabana, a convite da atriz Natasha Corbelino, tive o privilégio de assistir ao ensaio geral do espetáculo que celebra a vida e a obra de Caio Fernando Abreu da forma como ele merece, com amor.
além do primor técnico com as Artes Cênicas, Nara Keiserman tem a generosidade de presentear o público com suas memórias afetivas. ela, amiga e confidente de Caio F., imprimi uma encenação límpida e espiritual da obra do tão querido escritor gaúcho, raridade nos palcos.
a amizade entre os dois artistas foi fundamental na composição deste espetáculo, principalmente na escolha dos textos: "Metâmeros”, “Mergulho II”, “Como era verde meu vale”, “Fotografias”, “Quando setembro vier”, “Creme de alface”; “Dodecaedro” e a “Última carta para além dos muros” - impossível não se emocionar.
há ainda textos inéditos escritos especialmente para Nara, que a cada leitura embala a plateia como numa gira de orixás.
Nara é um prisma de cabelos brancos, cabocla Jurema, loira sedutora, mística, doce Oxum, pura essência de uma trajetória de vida pautada por sentimentos nobres. Efigênia, força guerreira da mulher.
como é bom assistir teatro bem-feito, com Ramisvanuchi, esse guardião da verdade. Caio deve estar sorrindo, Nara, dando uma piscadinha com Deus. pois as vontades coincidiram.
com gratidão, Evoé!
Ramon Nunes Mello.
Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 2014.

sexta-feira, dezembro 05, 2014


passei no mestrado de Literatura Brasileira da UFRJ! vou estudar a obra da poeta Adalgisa Nery (1905-1980). sei que é só o começo do caminho, mas quer saber? estou muito feliz.

tentei a prova de mestrado a primeira vez em 2012, na PUC/RJ, mas não passei. de fato, não estava preparado.
depois de muito estudo (quem já tentou sabe), passei para a UFRJ. entonces, aos amigos que acompanharam a saga de perto, com palavras de incentivo, meu agradecimento.

gratidão Eduardo Coelho pelas longas conversas sobre literatura, pela amizade, e por ter sido o primeiro editor a acreditar nos meus poemas.

agora começa uma nova jornada. evoé!