sexta-feira, dezembro 05, 2014


passei no mestrado de Literatura Brasileira da UFRJ! vou estudar a obra da poeta Adalgisa Nery (1905-1980). sei que é só o começo do caminho, mas quer saber? estou muito feliz.

tentei a prova de mestrado a primeira vez em 2012, na PUC/RJ, mas não passei. de fato, não estava preparado.
depois de muito estudo (quem já tentou sabe), passei para a UFRJ. entonces, aos amigos que acompanharam a saga de perto, com palavras de incentivo, meu agradecimento.

gratidão Eduardo Coelho pelas longas conversas sobre literatura, pela amizade, e por ter sido o primeiro editor a acreditar nos meus poemas.

agora começa uma nova jornada. evoé!

domingo, setembro 07, 2014

TUDO VAI FICAR DA COR QUE VOCÊ QUISER

Ramon Nunes Mello
     
                                                                                                                               [foto: Tomás Rangel]


"Tomara que exista eternidade. Nos meus livros. Na minha música.Nas minhas telas.Tomara que exista outra vida. Esta foi pequena pra mim."
Rodrigo de Souza Leão

O documentário inédito sobre RODRIGO DE SOUZA LEÃO, dirigido por Letícia Simões ("Bruta aventura em versos", sobre Ana Cristina Cesar), com a luxuosa produção executiva do cineasta Pedro Cezar ("Só 10% é mentira", sobre Manoel de Barros), tem o título homônimo da exposição de telas e poemas que idealizei no Museu de Arte Moderna (MAM-RJ, 2011/2012): TUDO VAI FICAR DA COR QUE VOCÊ QUISER -  curadoria em parceria com Marta Mestre, que ocorreu através de financiamento colaborativo no site Catarse. Organizei a catalogação das obras, fotografadas por Tomás Rangel, que foram publicadas pela editora Pinakotheke (2011), acompanhadas de textos críticos de Paulo Sérgio Duarte, Heloisa Buarque de Hollanda, José Aloise Bahia e João Magalhães.

Selecionado em 2011 pela Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro para Produção de Longas-Metragens de Baixo Orçamento, TUDO VAI FICAR DA COR QUE VOCÊ QUISER tem sido uma experiência de amadurecimento e paciência freqüente. Para o roteiro, argumento e pesquisa do longa metragem, que assino em parceria com Letícia, utilizamos o áudio inédito da entrevista que realizei, em 2009, com RODRIGO DE SOUZA LEÃO. Além de depoimentos de familiares (Antonio Leão, Maria Sylvia, Bruno, Maria Dulce, Marina...), poetas (Leonardo Gandolfi, Suzana Vargas, Silvana Guimarães...), artistas (Julia Debassi, João Magalhães...), bailarinos (Januária Finizola) e atores – como, por exemplo, parte do elenco (Bruna Renha, Natasha Corbelino e Gabriel Pardal) do espetáculo “Todos os cachorros são azuis”, dirigido por Michel Bercovitch (2011). Há ainda preciosos vídeos produzidos pelo próprio poeta, que guardei com cuidado.

Desde 2009, venho trabalhando na organização do seu acervo e na publicação de seus livros: “Me roubaram os dias contados” (Record, 2010 - apresentação de Silvana Guimarães) – que Letícia Simões leu e me procurou, por intermédio de Pedro Cezar e Maria Rezende, para realizarmos juntos a parceria para o documentário em 2012 - ; “O Esquizóide” (Record, 2011 - apresentação Leonardo Gandolfi); “Carbono Pautado” (Record, 2012 - apresentação Fraklin Alves Dassie); e “Todos os cachorros são azuis” (2010 – 2 edição - apresentação de Jorge Viveiros de Castro) – este último, publicado em Londres (And Other Stories,2013 - tradução Stefan Tobler e Zoë Perry) e no México (Sexto Piso, 2013 – tradução de Juan Pablo Villalobos).

Atualmente, estou organizando uma antologia com seus livros de poemas, e selecionando os textos inéditos... O acervo literário doei ao Arquivo Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa (2013/2014) e o acervo pictórico ao Museu de Imagens do Inconsciente (2013), obviamente com consentimento dos herdeiros. GRATIDÃO a família Souza Leão pela confiança em convidar-me para atuar como curador e representante legal da obra do poeta, músico, escritor e artista.

Ainda não assisti ao filme, mas quem assistiu garante que está lindo. Espero que Letícia Simões me envie uma cópia final antes da exibição marcada para este mês na Mostra Novos Rumos no Festival do Rio 2014. Com a mesma curiosidade que tenho em assistir AZUIS (filme de ficção baseado nos livros do poeta, a ser protagonizado por Cauã Reymond), aguardo a estréia de TUDO VAI FICAR DA COR QUE VOCÊ QUISER. Parabéns, Letícia e Pedro! Tenho certeza que valerá todo esforço e dedicação ao nosso filme.

Ramon Nunes Mello é poeta, jornalista, escritor e roteirista.



domingo, julho 13, 2014

Poeminha da Copa do Mundo 2014



data: 8 de julho de 2014
horário: 17h00 (de Brasília)
local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
técnico da Seleção Brasileira: Luiz Felipe Scolari
técnico da Seleção Alemã: Joachim Löw
árbitro: Marco Rodriguez (MEX)

1° tempo

(00:09)
gol da Alemanha??
Thomas Müller sozinho abre o placar

(00:22)
gooooollll da Alemanhaaaaaa??!!??
Klose faz o segundo e se torna o maior artilheiro do mundo

(00:24)
gooooooooooollllllll da Alemanhaaaaaa??!!??
Toni Kroos faz o terceiro gol alemão

(00:25)
gooooooooooollllllll da Alemanhaaaaaa??!!??
Toni Kroos faz seu segundo no jogo, o quarto

(00:29)
gooooooooooollllllll da Alemanha??!!??!!??!!?@#%$&*@
Samir Khedira faz o quinto...
.
2° tempo

(00:22)
cartão amarelo para Dante, jogador brasileiro
@#%$&*@ por que pagar R$960 mil/mês?

(00:23 )
gooooooooooollllllll da Alemanhaaaaaa!!!!!!!!!!
Andre Schürrle faz o sexto

(00:33)
gooooooooooollllllll da Alemanhaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Schürrle também faz o sétimo gol alemão

(00:45)
gol do Brasil @#%$&*@$%&*#$ até que enfim!
quase nos acréscimos, Oscar tenta salvar a honra seleção canarinho

placar
[Brasil 1 x 7 Alemanha]

Ramon Nunes Mello
Rio de Janeiro, 11 de julho de 2014.

sexta-feira, junho 20, 2014

1 ANO DE JUNHO/2013

"você não pode esperar resultados diretos e imediatos à partir dos protestos.o que é importante é uma nova consciência, um choque cultural que terá efeitos a longo prazo na sociedade brasileira", Pierre Levy

Em progresso... from Alexandre Maia on Vimeo.

vídeo de Alexandre Maïa


>>> assista também sobre a estreia da peça "Entrevista com Vândalo", dramaturgia de Luiz Eduardo Soares e direção de Marcus Vinicius Faustini




"podem cortar todas as flores mas não podem conter a primavera", Pablo Neruda

terça-feira, maio 27, 2014

TEMPO DE MUTAÇÃO

JEAN WYLLYS NA TRAJETÓRIA POLÍTICA DO BRASIL

Conheci o texto de Jean Wyllys em 2008, após sua participação no Big Brother Brasil 5, por ocasião de uma entrevista sobre "Ainda Lembro" (Editora Globo, 2005), coletânea de crônicas sobre a experiência no reality show e contos do seu primeiro livro, "Aflitos" (Fundação Casa de Jorge, 2001). Com a atuação do escritor, professor e deputado federal Jean Wyllys desfiz alguns equívocos sobre a cultura de massa.

Desde então fiquei atento ao seu crescimento profissional e humano, passei a admirar sua dedicação às palavras – sejam elas escritas ou faladas. Consciente de seu trabalho político-social, acaba de publicar "Tempo Bom, Tempo Ruim – Identidades, Políticas e Afetos" (Cia. das Letras/Paralela, 2014), antologia de ensaios capaz de despertar mentes adormecidas ou aprisionadas por preconceitos e/ou estigmas:

“Sempre que uma minoria reivindica direitos ou procura influir na organização de relações que a oprimem e estigmatizam, os “guardiões” da ordem social – que, claro, gozam de privilégio nessa ordem estabelecida – opõem-se a tais reivindicações, às transformações e ao processo que elas podem trazer. A atitude mais freqüente desses mantenedores da ordem e da moral majoritária consiste em desqualificar os movimentos das minorias por meio de acusações infames e falácias. Um exemplo é afirmação de que as minorias, em sua mobilização, estariam tentando estabelecer uma ditadura. Em relação às reivindicações do movimento, os “guardiões” cunharam até mesmo a descabida expressão “ditadura gay” - como se afirmar o direito à homossexualidade significasse impedir heterossexuais de serem o que são (...) Cada grande momento de afirmação homossexual e reivindicação do direito à homossexualidade provoca, invariavelmente, uma reação homofóbica.”

O lançamento de seus textos engajados registra um capítulo importante na história política do Brasil: o livro é uma referência para se entender a defesa dos Direitos Humanos em tempos atuais, tão sombrios e tão iluminados. "Tempo Bom, Tempo Ruim" também deve ser considerado uma leitura fundamental para os estudos da homossexualidade, ao lado do clássico "Devassos no Paraíso" (Record, 1986) do escritor e ativista João Silvério Trevisan.

Para além da representação como deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, ele se estabelece como um crítico de seu tempo, pois através da reflexão sobre sua trajetória defende causas urgentes: a criminalização da homofobia, o combate ao fundamentalismo religioso, a efetivação da laicidade do Estado, a solidariedade ao portador do vírus HIV, a democratização dos meios de comunicação e a regulamentação da maconha. Como parlamentar, sua voz faz eco com a voz de seus parceiros de lutas sociais, como, por exemplo, Chico Alencar, Erika Kokay, Marcelo Freixo e Luiz Eduardo Soares.

O escritor e teólogo da libertação, Leonardo Boff, caro na formação de Jean Wyllys, destaca em “Nova Era: Civilização Planetária” (Editora Ática, 1994), que, em tempo de mutações, para transformar as relações sócio-culturais, “devemos acreditar na força revolucionária da semente”. Ou seja, devemos acreditar em nossos ideais e lutar por eles com a “consciência solidária e planetária, o sonho de uma democracia social”.

Pode-se afirmar que Wyllys tem fé (e muita) nesta “semente” que chamo de “palavra”. E que, por sua vez, ele próprio batiza de “arma” – que utiliza para vencer, não somente o embate com a linguagem, mas a “guerra perene” que enfrentamos ao nascer. Em seu caso, uma luta constante (da sobrevivência à infância pobre na Bahia aos atuais embates políticos em Brasília) que tem resultado em suadas vitórias.

Talvez o que mais revolte seus adversários políticos, num meio tão medíocre quanto hipócrita, é a capacidade que Jean Wyllys tem de articular seus pensamentos e defender seus ideais. Gay, pop, altruísta, celebridade, ativista, político... Pois é, ele é tudo isso, sem vergonha, o que faz suas palavras serem pautadas pela liberdade. Que venham mais livros e outros mandatos de parlamentar; aumentando assim sua força para lutar pelos Direitos Humanos.


Ramon Nunes Mello é poeta, jornalista e ativista dos Direitos Humanos.

[Publicado originalmente no site Ornitorrinco]

terça-feira, maio 13, 2014

PAPOULAS POLIPAPOULAS, PEDRO NAVA

Rafael Cardoso lembrou em um post de Facebook:

"Neste 13 de maio, quero lembrar uma data triste na história literária brasileira: há 30 anos, perdemos Pedro Nava, vítima de fantasmas e medos que rondam sempre nossa cultura. Fica minha pequena homenagem a esse grande escritor mineiro, que merecia ser muito mais lido."

- 13 de maio de 1984: O suicídio de Pedro Nava

http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=29912

- O suicídio anunciado de Pedro Nava
Humberto Werneck
[21 de julho de 2013]

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-suicidio-anunciado-de-pedro-nava,1055754,0.htm

=> Zuenir Ventura escreveu sobre o tema no livro "Minhas histórias dos outros" (Planeta, 2005) . Fiz um poema sobre o suicídio do Nava, publiquei no meu último livro, “Poemas tirados de notícias de jornal” (Móbile, 2012):


PAPOULAS POLIPAPOULAS

13 de maio de 1984
assim os fatos da memória
uma vida para pôr no papel as lembranças de família
exercita sua escrita frankenstein
deixa um retrato de amargura

chão de ferro nas páginas virgens o maior memorialista brasileiro
que pode adivinhar no infante
o parricida?
caleidoscópio mapas tempo caricaturas memória inconsciente
comentários puzzle baú de ossos
ele era? egon?
classificados: beto da prado júnior
por que não lembrar o galo-das-trevas ou círio
perfeito?
no basfond de copacabana assíduo frequentador em
narrativa benjaminiana proustiana
busque o sinônimo da vergonha
vermelho rubro carmim escarlate carmezim fulvo
ruivo aleonado (fauve) magenta nacarado púrpura
vinhoso garance nácar zarcão rubicundo goles solferino encarnado...
junto da árvore à beira-mar
glória! na têmpora o taurus calibre 32
um tiro
sangue vinho guelras fauces inferno lava vulcão carne
sangue canto de galo clarim toque de clarim grito
de raiva cólera colérico bancos de coral
em que brahmas em brumas pedro nava se afogou?
a ruína da catedral barroca
nava suicidou-se
solidão povoada de fantasmas

corrupção da memória
pare com isso
mocinho chantagista
eu temo mais matar do que morrer desejo ser embalsamado
injeção (dois litros) de formol na artéria femural
ou de preferência na carótida
por que acabar com sua própria vida?
e as memórias?
esquecer é um capítulo da memória (assim como que seu tombo)

Ramon Nunes Mello -“Poemas tirados de notícias de jornal” (2012)

segunda-feira, maio 12, 2014

VOZES EM ALTA

leituras transdisciplinares de poemas


Poesia contemporânea compartilhada por vozes com atuação em múltiplos segmentos profissionais.

Concepção e curadoria: Natasha Corbelino

Um ciclo que busca evidenciar a vida como poema. Versos dos quatro autores contemporâneos _espelhados em temas caros como a memória, a informação, o feminino, a existência _ atravessados por leituras de múltiplos segmentos da produção intelectual. Os textos serão lidos em voz alta, para a escuta no outro, por artistas, médicos, professores, biólogos, advogados, jornalistas. Noites de encontro para que possamos compartilhar a poesia que desenha caminhos para se estar na vida com a potência de existir, no mais humano em nós.



14 de maio, 20h30:
Ramon Nunes Mello: poemas tirados de notícias de jornal
> na polifonia da informação "a poesia se esfrega nas coisas, percebe?"

Leitores convidados:
Gabriela Dottori => estudante de psicologia (UFRJ) e artes visuais (Parque Lage),

Gisela de Castro => atriz e produtora cultural,

Leilane Neubarth => jornalista,

Luiz Eduardo da Gama e Silva => advogado,

Marcéli Torquato => atriz,

Nara Keiserman => atriz, diretora e preparadora corporal,

Rita Isadora => doutoranda em Literatura (UFF),

Sílvia Jardim => psicanalista e psiquiatra,

Vanessa Pereira Leite => psicanalista.

MIDRASH CENTRO CULTURAL
Rua General Venâncio Flores, 184, Leblon
Tel 2239 1800
Classificação etária: 16 anos
Lotação: 50 pessoas
Entrada franca

IMORAL

acabo de saber que o Sr. Eduardo Rosa, do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Acre (Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour), ficou tão chocado com minha literatura que teve o trabalho de escrever (em 15/10/2013) ao SNIIC/MinC (Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais) para denunciar meus livros como "impróprio/imoral". 

impróprio, para menores, concordo. principalmente meu primeiro livro de poemas, mas lê quem quer. quanto a imoral!? 

imoral é a política realizada no Acre! 

com toda sua riqueza natural e cultural, o Acre ainda é um dos estados mais pobres do país, com alto índice de analfabetismo, devido a péssima atuação de políticos.

quinta-feira, abril 17, 2014

MAIS QUE UMA CANÇÃO


dia 26 de abril, às 20h, no CPFL de Campinas/SP, terei a alegria de assistir meu primeiro livro de poemas, VINIS MOFADOS, transformado em música erudita pela compositora clássica Patricia De Carli.

a execução será realizada por Manuela Freua (soprano), Dana Radu (piano) e solistas instrumentais...

a SÉRIE: MAIS QUE UMA CANÇÃO, com curadoria do crítico João Luiz Sampaio, reúne o trabalho de compositores brasileiros da nova geração, que foram convidados a criar ciclos de canções a partir de textos de jovens poetas.

http://www.cpflcultura.com.br/wp/evento/musica-erudita-contemporanea-vinis-mofados-com-manuela-freua-dana-radu-e-solistas-instrumentais/

INSTITUTO CPFL CULTURA - 2014

música erudita contemporânea | vinis mofados, com manuela freua, dana radu e solistas instrumentais
26 de abril de 2014 in
série: mais que uma canção

a prática da canção é uma das manifestações mais importantes de diversas correntes musicais mundo afora. entretanto, a modernidade ainda está por explorar todo o potencial da voz humana e sua combinação com diferentes formações instrumentais. a série, assim, reúne o trabalho de compositores brasileiros da nova geração, que foram convidados a criar ciclos de canções a partir de textos de jovens poetas. e dessas parcerias, articulando tradição e modernidade, surge um novo diálogo poético-musical, que tanto revisita com novo olhar temas-chave do cancioneiro ocidental – amor, paixão, desejo, natureza – como advoga em favor de uma não-poesia e abarca temas novos como a tecnologia e a vida urbana.

curadoria: joão luiz sampaio

26/04/2014 | sáb | 20h

vinis mofados

estar aberto a diversas influências – e entender e explicar a própria vida a partir da paixão pela música e sua presença no cotidiano. essa é a tônica da poesia do carioca ramon nunes mello, que articula a palavra dita e a palavra sentida com a palavra cantada no livro-álbum “vinis mofados”, adaptado pela compositora patrícia de carli.

manuela freua | soprano

dana radu | piano

solistas instrumentais

programa

arnold schoenberg

brettl-lieder

manuela freua | soprano

dana rad| piano

 leonard bernstein

i hate music

manuela freua | soprano

dana rad| piano

michelle agnes

“vinis mofados”

* primeira audição mundial de ciclo baseado no livro “vinis mofados”, de ramon nunes mello

série:  mais que uma canção
curador: joão luiz sampaio
local: cpfl cultura (rua jorge figueiredo corrêa, 1.632, chácara primavera, campinas – sp);
data: 26 de abril de 2014
horário: 20h;
capacidade: auditório umuarama: 162 lugares;
classificação etária: 14 anos;
entrada gratuita, por ordem de chegada, a partir das 19h. vagas limitadas;
informações: cpfl cultura (19) 3756-8000 ou em www.cpflcultura.com.br;





RODRIGO DE SOUZA LEÃO NA FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA

no dia 16 de abril, às 17h, a Fundação Casa de Rui Barbosa organizou a série Arquivos Pessoais, com mesa-redonda em homenagem ao escritor Rodrigo de Souza Leão (1965-2009). 

participei, ao lado da arquivista da FCRB Rosely Rondinelli (responsável pelo acervo) e da poeta e cineasta Letícia Simões (diretora do documentário 'Tudo vai ficar da cor que você quiser' - em montagem).

=> sobre o acervo de Rodrigo de Souza Leão:

em 27 de novembro de 2013, o setor Arquivo Museu de Literatura Brasileira (AMLB), da Fundação Casa de Rui Barbosa, recebeu seu primeiro acervo digital, do escritor, jornalista e poeta Rodrigo de Souza Leão.

com autorização da família Souza Leão, formalizei a doação do acervo em mídias de transporte, equivalente a 114 disquetes, 14 CDs, 4 DVDs e 1 pen drive. todo o material foi transferido para o servidor da instituição e devidamente organizado. hoje, encontra-se disponível para consulta nas dependências da FCRB.








gratidão Eduardo Coelho por formalizar a doação do acervo de Rodrigo de Souza Leão, em 2012, período em que esteve na direção do Arquivo Museu de Literatura Brasileira

domingo, abril 06, 2014

DO RETORNO À RAIZ


“devagar, devagarinho / é assim que eu entro / no caminho / dou um passo, / volto um passinho” (Ana Vitória Vieira Monteiro)

Inicio um novo ciclo ao decidir, após 14 anos morando no Rio de Janeiro, voltar para minha terrinha, Araruama. Os motivos? Entre tantos, ter mais qualidade de vida, passar um tempo com minha família e dedicar-me com atenção à criação. Aproveitei os 30 anos para colocar minha trajetória na balança e retornar à raiz.

Quando decidi sair do Rio de Janeiro, li o apaixonado texto da jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho (publicado em Revista O Globo, em 23/02) relatando sua despedida. Pois é, caríssima Alexandra, compreendo seu desencanto. Os moradores do Rio estão enfrentando uma realidade dispendiosa para se manter no território que ajudam a construir. Esse lugar de belezas infindas perde trabalhadores de diferentes classes, principalmente os artistas, que criam o imaginário cultural da cidade.

Ao comentar sobre minha saída, um amigo perguntou se eu não me envergonhava de expor meu regresso. Não, respondi, pois tenho plena consciência de minha integridade e dos meus sonhos. Vergonha? De uma política que desvaloriza artistas, educadores e médicos; desqualifica o trabalho de garis; desrespeita indígenas; e combate reivindicações com violência.

Desejo que toda essa crise traga uma profunda reflexão sobre o que está sendo feito com o Rio de Janeiro, e com o Brasil de forma geral. Acredito em mudanças efetivas no modelo de administração pública do país, com maior investimento nos Direitos Humanos. Para, então, vislumbrarmos uma cidade mais pacífica e possível para se viver, onde a capacidade de alumbramentos e perplexidades no dia-a-dia possa ser preservada.

Estarei por perto, é inevitável. Faço apenas uma pequena pausa, vou escrever meus livros. Com afeto, digo: Até logo, Rio de Janeiro. O fim é o meio. Sou grato por tudo que conquistei até o momento, principalmente aos amigos. A distância não impedirá que eu continue a amar essa cidade. Paz sem fronteiras, sempre.

Ramon Nunes Mello

[Revista O Globo 06/04/2014 - matéria assinada por Mariana Filgueiras]

sábado, março 08, 2014


desenho do leitor Marcio Enrique Lorenzo sobre o poema Cartilha, do livro "Vinis Mofados" (2009)

SOBRE "VINIS MOFADOS"

no Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea:

O sujeito lírico voyeur de Ramon Mello e Caio Meira
por Antonio Eduardo Soares Laranjeira
Professor adjunto de Teoria da Literatura na Universidade Federal da Bahia (UFBA)


terça-feira, fevereiro 18, 2014

HENFIL, 70 ANOS

"É muito importante quando você consegue se libertar. Liberte os outros e você estará se libertando. Eu sempre trabalhei com uma coisa linda chamada esperança.", Henfil

>>>  no excelente blog Zona Fronca, de Fernando do Valle, há uma matéria sobre os 70 anos que Henfil completaria neste ano.

>>> vídeo do Arquivo News a sobre a história e trajetória de Henfil.


>>> Henfil - Cartas da Mãe




>>> Documentário Henfil Plural

   










Henfil, Chico Mário e Betinho

   

domingo, fevereiro 16, 2014

TUPINIQUIM

[...] quando conheci a escritora e jornalista  portuguesa Alexandra Lucas Coelho no Rio de Janeiro, em 2010,  apelidou-me de imediato de Dylan Thomas:

"Dylan Thomas apareceu na praia. Chamaram-me, voltei a cabeça, e era a cara dele à minha frente, com aquele topete de caracóis e sem álcool. Dylan Thomas aos 20 anos."

soube depois, quando já havia criado um personagem para suas crônicas no jornal O Público, agora reunidas no livro Vai, Brasil (Tinta da China, 2013), publicado em Portugal. ela me achava parecido com o poeta inglês.

achei engraçado, fui rever a imagem do poeta. há semelhança, o cabelo ondulado e o olhar triste, um pouco mais gordo talvez. ao apelido acrescentei um sobrenome: Tupiniquim.

"O Dylan Thomas que batizei na praia agora assina Dylan Tupiniquim. Brasileiro não teme deixar de o ser, ao comer o outro fica mais forte. Antropofagia é fusão, seria a saída para israelitas e palestinos."

no Brasil, tive a alegria de receber esta portuguesa-carioca com a benção dos Orixás: na praia de Ipanema com Yemanjá e na Floresta da Tijuca com Oxóssi e Oxum.

"Dylan Tupiniquim me abriu as magias..."

e você, caríssima Alexandra, com sua brincadeira me fez reler os versos do poeta idolatrado pela geração beat: "não entre tão depressa nessa noite escura" – se tornou meu mantra.

feliz com sua passagem pelo Brasil (em breve ela retorna a Portugal, infelizmente), sigo seus passos na escrita, trilha amorosa do presente. já estou com saudades de sua amizade que tanto me enriquece; admiro e me encanto por sua paixão pela literatura.


amor, Ramones, seu Dylan Thomas Tupiniquim.

Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2014.


ps: com meu bigode, como você percebeu, estou agora mais para "Chico Buarque fase-bigode" anos 70.

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

Uma linda homenagem
MARIA FORTUNA [O GLOBO, GENTE BOA]
13.02.2014 

Adriana Calcanhotto chegou ao encontro com a professora de literatura Cleonice Berardinelli, anteontem, na Casa do Saber O Globo, vestindo smoking. Era uma referência ao traje usado pelo poeta português Mário de Sá-Carneiro no dia de sua morte. A obra do escritor era o tema do recital que reuniu as duas. 

O evento foi apresentado pelo jovem poeta Ramon Nunes Mello, que tinha o sonho de reuni-las para homenagear o escritor, já que Dona Cleo é uma grande estudiosa de sua obra. Adriana Calcanhotto, também fã confessa, musicou alguns de seus versos.

Ramon estava eufórico. “Não acreditei quando elas toparam”, diz ele. “É um sonho reunir essas duas grandes damas, da literatura e da música brasileira, em torno do poeta português, de ‘de mãos longas e lindas / que ninguém quer apertar...’”




Depois da leitura de “Um grande poeta — pobre menino infeliz”, Dona Cleo recitou versos e se emocionou durante a leitura de “Quase” (“Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído”).

“Desculpe a explosão de emoção, esses versos me tocam profundamente”, disse a professora, de 97 anos, enxugando as lágrimas. Ao intercalar a leitura com poemas musicados, Calcanhotto finaliza dizendo: “Preciso tomar Red Bull para acompanhar Dona Cleo”.





***



Quase
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mário de Sá-Carneiro
“Dispersão” (1914)






quinta-feira, fevereiro 06, 2014

sempre vou ficar com a imagem do Eduardo Coutinho lendo seus jornais na extinta livraria Ponte de Tábuas, no Jardim Botânico. luz, mestre!


[foto: Gabriel Pardal]
das surpresas felizes:

meus livros de poemas "Vinis mofados" e "Poemas tirados de notícias de jornal" são objetos de pesquisa da dissertação de mestrado de Luciano Motta na Universidade Federal Fluminense (UFF): "Ressonâncias literárias e midiáticas na poesia de Ramon Mello". a defesa será dia 10 de março de 2014, às 14h.

FRAGMENTOS DE UM AUTO-RETRATO AOS 29 ANOS


Quando acordo, sempre penso que eu poderia ser outra pessoa. A época também poderia mudar, conforme meu humor. Ao escovar os dentes os pensamentos intrusos desaparecem, estou repleto deles, aceito cada apresentação cotidiana. Vontade obsessiva de criar outros eus. Observo minha morte todos os dias, em cada linha que se forma no esboço de um sorriso. Ou melhor, minhas mortes. Escrevo, cometo pequenos suicídios no decorrer da manhã, logo após o café. Normal. O fim faz parte / o que é vivo / por ser vivo / contrai, descontrai / e morre / ela me disse. Escrever poemas dói, insisto apesar de. Pessoas especiais morrem no dia do nascimento, não será o meu caso. Silêncio. Batizei um dos meus gatos de Silêncio para me lembrar disso. Passo a maior parte do dia calado, sem música – valorizo a quietude dos objetos, dos livros. À noite, para dormir ouço mantras, ou cantos indígenas. Tenho muitas manias, só me desfaço delas quando percebo que se tornaram obrigação. Mania não é obrigação, é mania mesmo. Anotar num caderno trecho de livros possíveis, a primeira frase de um romance inacabado: É perigoso quando o espírito inquieto passeia assim pelo espaço, fica sempre ligado aos sentidos por um laço secreto. Mania. Também gosto de comprar edições autografadas de escritores que admiro. Mania. Sou esquisito. Eu sei. Não sou fácil. Difícil é eu mesmo me aguentar. Tem dia que tenho vontade de sair do corpo, por isso medito diariamente. Um vazio sinistro. Fico quieto esperando o coração acalmar, nem sempre é possível. O que fazer com tanta inquietude? Por um coração que compreenda, repito. A meditação me trouxe a fé. Ou será o contrário? Tenho muita fé, na vida e na arte. Encarando a angústia, motivos humanos passam a ocupar meus vazios. Quem disse que seria fácil o retorno de Saturno? Além de dois gatos, tenho dois livros de poemas publicados e um livro de contos auto-rejeitado. Estou escrevendo o terceiro livro de versos: “a vida efêmera dos peixes de aquário”. Ah, quando mudar para uma casa maior, quero adotar outro gato, branco. Ou, quem sabe, uma lebre que mia. Seria interessante a lebre miando entre os livros, subindo na estante de poesia. Pretendo finalizar o primeiro romance aos 30 anos, promessa interior. E, antes disso, apresentar o infantil “a menina que queria ser árvore”. Sempre quis ser árvore, mas nunca quis ser menina. Gosto de ser homem, e amo homens autênticos. Interesso-me mais por pessoas solidárias do que inteligentes, observo. No mais, tenho preguiça de preconceito, e pessoas que falam em excesso. É sempre complicado falar de mim, fico perdido em labirintos, deixo os outros constrangidos. Prefiro falar sobre sonhos que surgem quando estou presente, agora por exemplo.


Ramon Nunes Mello
Rio de Janeiro, 04 de janeiro de 2014.

[Texto escrito para o "Projeto Autoretrato", de Renan Nazzos e Sandra Alvarez]

Di Couto - Ipanema, Rio de Janeiro

AMPLIANDO A CONSCIÊNCIA POLÍTICA

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“Que tempos são esses em que é necessário defender o óbvio?”
Bertold Brecht
Felizmente a vida surpreende, estamos despertando de um sono profundo. A população – principalmente o estudante, vanguarda das transformações sociais – está nas ruas do Brasil clamando por mudança, a maioria de forma pacífica, ampliando a consciência política. E violência e vandalismo? Reflexo da desigualdade em que vivemos, não faz parte do grito de paz do povo que ecoa pelo país.
Neste novo tempo só acredito em revolução relacionada com a paz – a maior transformação que podemos realizar. Tente fazer algo, qualquer coisa que seja, sem paz. Impossível. Alguns indivíduos consideram anacrônica (ou até ingênua) a cultura da paz. Como se o movimento de pacificação estivesse dissociado da reflexão crítica. Talvez porque essa palavra esteja esgarçada pelo uso, como diz a poeta Viviane Mosé sobre a necessidade de ressignificação de algumas palavras e conceitos no livro ‘Receita para lavar palavra suja’. Sejamos paz, então, em nossas ações, diariamente.
Falo de um estado de harmonia, onde os opostos se equilibram. Quem está acostumado a meditar com freqüência ou praticar a espiritualidade (não falo de religião, é bem diferente) consegue vislumbrar esse estado com mais facilidade, aquietando a mente e o coração. Isso está muito além de sentar em posição de lótus. Não se trata de inércia, pelo contrário, movimento contínuo, ação em harmonia. É preciso disposição para pacificar-se, ainda mais num mundo em que a cultura da guerra e violência está em nosso cotidiano. Impossível? Não. É um desafio, possível e gratificante.
Sempre me considerei uma pessoa engajada, principalmente por aprender ainda menino lições de política com meu pai. Descobri cedo que o poder quando mal usado pode causar estragos. E quando fui estudante da Escola Estadual de Teatro Martins Penna e me tornei presidente do Grêmio Renato Vianna aprendi muito sobre democracia. No entanto, a palavra paz não se encontrava no meu dicionário. Ou, estava lá, e eu a ignorava. Hoje posso afirmar que faz muita diferença pensar e exercitar a política pelo prisma da paz.
“A Paz é barulhenta”, costuma afirmar Ana Vitória Monteiro, fundadora da Ong Paz Sem Fronteiras. De fato, é verdade, podemos constatar nas ruas, nas postagens das redes sociais, nas matérias de jornais e televisão. Os milhares de cidadãos que estão indo às ruas desejam um mundo em paz, com menos desigualdade social. Esse pedido de paz está presente nos diversos cartazes como “Fora Feliciano!”; “Pare Belo Monte!”; “ Fora Renan Calheiros!”; “Reforma política!”… Qual ser humano que não deseja paz para sua vida? Desconheço.
Participei de diversas passeatas em 2013. Levei para uma delas (na Presidente Vargas, Rio de Janeiro, no dia 17/06, que reuniu mais de 100 mil pessoas) um cartaz onde estava escrito: PAZ SEM FRONTEIRAS. Foi interessante observar a surpresa das pessoas, pediam para fotografar/filmar o cartaz. Paz é o que mais desejo nesse momento de transformação. Que tal começar essa mudança em nós mesmos? Praticar o que exigimos nos cartazes que levantamos nas ruas? Ética, cidadania, solidariedade, amor, respeito ao próximo, e paz.
No yoga esse almejado estado de paz chama-se ahimsa – uma espécie de fio dourado que conduz a prática, traçado pelo cultivo da não-violência e do respeito a si e aos outros. Que possamos recriar nossa realidade, ancorando a paz em nós para que então se instaure no mundo.
Ramon Nunes Mello
Rio de Janeiro, julho de 2013.