sábado, fevereiro 14, 2009

INJURIADO

ontem, sexta-feira 13, conversando com lucas viriato, descobri que essa música é minha:

Injuriado

Composição: Eduardo Dusek

Não é que eu tava numa mais ou menos
Andando com a rapaziada catita e legal
Mas de repente detalhes pequenos
Me fizeram entre outras coisas sair do normal
Eu fui ficando pouco a pouco injuriado
Malhumorado, abandonado sem até poder amar
A tal da crise deixou minha vida maluca
Com vontade na tijuca de voltar lá pra copacabana
Fui à macumba
Pedi baixa no emprego
Me internaram numa clínica
Depois fui viajar
Quando voltei foi então que pude constatar
Que não adianta fazer nada
Pra essa coisa melhorar
E então melhorei!...



quinta-feira, fevereiro 12, 2009

HOMO ERECTUS

Animação do conto de Marcelino Freire, por Rodrigo Burdman e com narração do Paulo César Pereio:

terça-feira, fevereiro 10, 2009

22h30

tijuca: 'ô playboy, perdeu'. correr correr correr. atravesso a conde bonfim entre os carros para fugir do assalto. 'tá com medo, playboy? vamos pegar você!', gritam. fico parado na portaria de um prédio, digo ao porteiro o que está acontecendo: 'dois pivetes querem me assaltar'. 'ih não posso fazer nada', disse o filho de uma égua. sem grana, entro num taxi e chego em casa esbaforido. penduro a corrida.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

CONVERSA AFIADA

- Algum pedido?

- Tem chope claro e escuro?

- Não, Senhor. Só tem chope black e claro.

- Então traz um chope claro.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

CHATTERTON

"A poesia é uma doença cerebral." Thomas Chatterton

Serge Gainsbourg

Le Claqueur de Doigts

PALAVRA ENCANTADA ESTRÉIA EM MARÇO

Fui à Casa de Cultura Laura Alvim assistir a nova pré-estréia do documentário PALAVRA ENCANTADA, de Helena Solberg e Marcio Debellian. Recomendo: a ESTRÉIA OFICIAL será em MARÇO DE 2009.




Leia o texto sobre a estréia do filme no Festival do Rio 2008:

Palavra (En)Cantada’ seduz amantes de música e poesia

Por Ramon Mello

O público do Festival do Rio lotou o Cine Odeon, na noite do último sábado, dia 27 de setembro, para assistir à pré-estréia do filme Palavra (En)Cantada, de Helena Solberg e Marcio Debellian, dentro da programação do Festival.

Adriana Calcanhotto, cantarolando versos do poeta medieval Arnaut Daniel, inicia o filme sobre a relação entre música e poesia.

“Não vamos cair numa discussão infértil: se poesia é mais que letra de música, se letra de música é poesia... Eu acho a vida curta, não tenho tempo para esta questão.”, afirma Calcanhotto, que, através da sua paixão pela poesia, costura a narrativa do filme junto a outros músicos.

Chico Buarque se esquiva da polêmica, minutos depois do compositor Paulo César Pinheiro afirmar que ele é poeta. "Não tenho pretensão de ser chamado de poeta. Nem acho a coisa mais bacana do mundo ser chamado de poeta. E ainda por cima cria um problema danado com os poetas, que ficam com ciúmes.”

A cantora Maria Bethânia, intérprete que carrega a poesia para os palcos, aparece no filme declamando “Eros e Psique”, de Fernando Pessoa, e faz uma bela homenagem a Caymmi.

“Falar de Caymmi é como falar de Guimarães Rosa. É um país bruto e puro (...) Caymmi é como o céu e a terra”, derrete-se Bethânia ao falar sobre o músico e compositor baiano, falecido em agosto deste ano.

Alguns entrevistados arrancam risos da platéia com seus ‘depoimentos-performances’, como Tom Zé falando sobre o seu deslumbre ao ouvir Dorival Caymmi pela primeira vez.

“Eu ouvia no rádio aquele homem cantando ‘vamos chamar o vento, vamos chamar o vento’, assobiando, cantando devagar e depois cantando rápido. Aquilo era muito moderno!”, afirma o ícone do Tropicalismo.

José Celso Martinez Corrêa também faz a platéia gargalhar com sua rápida participação: “Eu comi os Rolling Stones e o Rolling Stones me comeram. Eu comi todo o hemisfério Norte...”, diz o irreverente diretor de teatro enquanto rebola para câmera.

Outro momento hilário é o depoimento do compositor Luiz Tatit sobre a liberdade dos compositores contemporâneos: "Você ouve uma música do Djavan e às vezes nem sabe do que ele está falando".

O longa ganha fôlego e conquista o público através dos recortes de depoimentos com imagens históricas, como Caetano Veloso no Festival da Record, em 1967, logo após cantar “Alegria, Alegria”; a encenação de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto, no Festival de Teatro Universitário de Nancy, na França, em 1966; ou Zeca Baleiro conversando com Hilda Hist na Casa do Sol.

No fim da sessão, a platéia comenta o filme, entre eles: Letícia Spiller, Maria Ceiça, Antonio Pitanga, Suzana de Moraes e Antonio Cicero – que participa do filme recitando o poema “Eu Vi o Rei” (musicado por Marina Lima).

“Sou apaixonada por música e poesia. Esse filme é maravilhoso, provoca sentimento de amor pelo Brasil”, emociona-se a atriz Letícia Spiller.

“Palavra é filme doce! Fiquei com a sensação de que estamos todos interligados pela arte, num só corpo. É lindo”, Pitanga fortalece o coro.

O filme encanta pela forma simples de tratar um tema polêmico. Palavra (En)Cantada é um ensaio de poesia, com a vantagem de reunir sons e imagem sem o hermetismo da linguagem acadêmica. Uma obra que merece ser distribuída nas escolas de todo Brasil. Quem assistir vai sentir orgulho de ser brasileiro e entender melhor o país.
[Matéria publicada em setembro de 2008 no Portal Literal]

domingo, fevereiro 01, 2009

TOLA FOI VOCÊ, POR ANGELA RORÔ

UM COPO DE UÍSQUE, UM CIGARRO E UMA MÚSICA PARA CORTAR OS PULSOS. AHAH




TIA ANGELA , DIZ: 'TÔ MUITO FELIZ!', ANTES DE COMEÇAR A CANTAR.

SABÊ VOCÊ O QUE É O AMOR?


Acabo de assistir o último trabalho do saxofonista Leo Gandelman, ‘SABE VOCÊ' - ganhei o DVD de presente. A voz dos convidados, o repertório, a solidão do saxofone tocam a alma - por mais clichê que essa frase possa parecer.

De todos os intérpretes, dois me emocionam muito: Lirinha declamando o poema São demais os perigos dessa vida, de Vinícius de Moraes; e Ney Matogrosso cantando Pra Machucar Meu Coração, de Ary Barroso:

"Está fazendo um ano e meio amor, que nosso lar desmoronou".

As ruínas estão expostas como alicerce do trabalho. Lembro de Clarice Lispector, no livro ‘Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres':

"Estava caindo de tristeza sem dor. Não era mau. Fazia parte com certeza. No dia seguinte provavelmente teria alguma alegria (...) E isto não era mau".

A música invade e fica mesmo após a partida. É lindo. E, também, um pouco triste. Mas a tristeza pode ser bela, não é? É poesia.

Caetano diz, em algum momento do vídeo, que "balada é uma forma de poesia". Fico com a definição do poeta para esse ‘disco' - para usar uma palavra meio fora de moda. Ainda ouço vinil numa vitrola da década de 50.

Gosto mais de tristezas belas; me trazem alegria. É inevitável.

Sabe VOCÊ o que é o AMOR? Não. NÃO SABE!

LIRINHA NO CLICK(IN)VERSOS

fotos: Tomás Rangel

JOSÉ PAES DE LIRA, o LIRINHA, vocalista da banda CORDEL DO FOGO ENCANTADO lançou o livro: ‘Mercadorias e Futuro’. E, ainda, está em cartaz com uma peça de teatro homônima. Conversei com o poeta - a entrevista está no BLOG CLICKIN(IN)VERSOS – na Livraria Odeon, na primeira edição do Boca de Baco, evento que contou com a participação do escritor e amigo Marcelino Freire. Confira, AQUI!



SE LIGA: na próxima semana os entrevistados são Alice Sant’Anna e Lucas Viriato.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

POR ONDE ANDARÁ ANNA FRANÇA?


ENTONCES: estou escrevendo para a revista eletrônica O GRITO! - cultura pop sem contra-indicação. Made in Recife. Idéia de Paulo Floro. A crônica de estréia é sobre uma freira lésbica que se tornou escritora e terminou presa ano passado no Rio de Janeiro: Por onde andará Anna França?

Leia, AQUI!

quarta-feira, janeiro 28, 2009

DE MODO GERAL

PAULO SCOTT MANDA AVISAR:

REVISTA AO VIVO DE COMPORTAMENTO BRASILEIRO



Crônicas sem rodeio sobre LITERATURA, MÚSICA, POLÍTICA, MODERNISMOS, HQ E CINEMA, entrevistas, youtube, discotecagem lado A e lado B, opiniões, twitter, vídeos inusitados, com Rodrigo Penna, Flu, João Paulo Cuenca, Allan Sieber, Paulo Scott e Arthur Dapieve, percorrendo as atualidades e idiossincrasias do cenário cultural (e antropológico) brasileiro com humor e ironia. E ainda: show com bandas brasileiras, performances-relâmpagos e, depois de tudo, festa sob a regência sonora dos seis colunistas.

Os convidados desta segunda noite, dia 28 de janeiro, serão: TOTONHO E OS CABRA, EVA UVIEDO, FERNANDA D’UMBRA, LUCAS SANTTANA e XICO SÁ.


Serviço

Quando : 28/01Onde : Cinematheque - Botafogo - Rio de Janeiro - Brasil
Horário : a partir das 20h30Ingressos : 20 reais
Lista amiga (demodogeral@gmail.com) : 15 reais

terça-feira, janeiro 27, 2009

ADALGISA DIZ

“(...) Se eu pudesse alcançar o cume da mais alta montanha do universo e varrer com o olhar toda a extensão do globo terrestre, veria que a única coisa que existe é a solidão.”
Adalgisa Nery - 'A Imaginária'

segunda-feira, janeiro 26, 2009

ESPELHO

o que
de mim
projetei
em você
devolva
me

sexta-feira, janeiro 23, 2009

BOCA DE BACO II


COLETIVO | RIOSEMDISCURSO


RIOS SEM DISCURSO – o título do poema de João Cabral de Melo Neto traduz com precisão a filosofia do coletivo: garantir a pluralidade de vozes.

Promover o diálogo entre leitores e escritores contemporâneos foi o ponto de partida para a reunião do grupo em 2006, resultando na idealização do evento carioca que o grupo organiza, a FL@P! - Festa Literária Aberta ao Público. O coletivo riosemdiscurso é Diana de Hollanda, Leandro Jardim, Priscila Andrade, Ramon Mello e Vinicius Baião.

Diana de Hollanda: escritora e diretora teatral, formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Autora das peças, “, encher-se, esvaziar-se, encher-se,” (2007) e “Sísifo” (2008 ) e do livro “dois que não o amor” (Ed. 7 Letras - 2007), participou como convidada de diversos festivais literários, tais como FL@P-SP, Tordesilhas (SP), Congresso Brasileiro de Poesia (RS), e Psiu Poético (MG), tendo sido homenageada, neste último. Seu trabalho pode ainda ser conferido nas coletâneas “Contos do Rio” (Ed. Bom Texto/Prosa & Verso – 2005), “Contos sobre Tela” (Ed. Pinakotheke – 2005), e em revistas impressas e virtuais, como Poesia Sempre (Ed. Biblioteca Nacional), Inimigo Rumor (Cosac & Naify), Blocos e Bestiário. Para visitá-la, acesse: www.aindahamusica.wordpress.com

Leandro Jardim: poeta, letrista, compositor e comunicador graduado nas habilitações de Publicidade e Jornalismo pela PUC-Rio, com MBA em Engenharia de Produção pela Trilha/Instituto Nacional de Tecnologia. Leandro Jardim é um dos coordenadores da Flap! desde o ano passado. Acaba de lançar pela editora 7Letras seu primeiro livro oficial, Todas as vozes cantam. Em 2006, criou a coleção independente Poesia Presente de “mini-poemas-cartões-de-presente” por onde lançou seus minilivros Gotas e Pétalas e editou, no ano posterior, o Lusco-fusca da autora Nathalie Lourenço. Colaborador em diversos blogs Leandro Jardim centraliza sua criação no http://www.florespragasesementes.blogspot.com/

Priscila Andrade: escritora e produtora de eventos Priscila Andrade é graduada em marketing pelo Centro Universitário da Cidade. Principais eventos: Fórum Social Mundial – Rio com Vida, 20087/2008: produtora; Flap! edições cariocas de 2006/07/08: coordenação, produção e mediação de algumas mesas; Festival Segundas Poéticas, 2005: criação e coordenação. Manteve por seis meses uma coluna de poesia no site Armazém Literário, tem poemas publicados em vários jornais, revistas e sites reconhecidos de literatura, com o Cronópios (www.cronopios.com.br) e se apresenta regularmente em diversos eventos na cidade, como o Festival Nacional de Poesia, o Poesia Voa, no Circo Voador. Foi redatora da revista Mad (2006) e está com um livro de poesia no prelo, Encefalocardia.

Ramon Mello: poeta, escritor, jornalista e ator. Nasceu em Araruama (RJ) em fevereiro de 1984. Formado em Comunicação Social (Jornalismo) pela UniverCidade e em Artes Cênicas pela Escola Estadual de Teatro Martins Pena. Repórter do Portal Literal e do Portal Click 21, mantém os blogs SORRISO DO GATO DE ALICE e CLICK(IN)VERSOS – especializado em entrevistas com jovens escritores. Atualmente finaliza o romance ‘ALL STAR BOM É ALL STAR SUJO’ e o livro de poesia ‘VINIS MOFADOS’.

Vinicius Baião: Ator, poeta e produtor cultural. Formado em Letras (Português/Italiano/Respectivas Literaturas) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Artes Cênicas pelo Studio Escola de Atores. Pós-graduado em Especialização em produção cultural com ênfase em literatura infanto-juvenil pela CEFET-Química. Integra os grupos Coletivo Subverso e Embaixada poética. Publicou o livro Usucapião, editora Multifoco, e participa das antologias Ponte de Versos, Editora Ibis Libris, e Coletivo Vacamarela. É fundador e membro da Trupe do Experimento e diretor da Cenáculo Cia. Teatral. É professor de Língua Portuguesa das redes pública e particular de ensino.

Rios Sem Discurso, de João Cabral de Melo Neto

Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que se fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele escorria.

O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.

PHONO 73

quinta-feira, janeiro 22, 2009

MANTRA

"O homem forte é o que vive só." IBSEN

sexta-feira, janeiro 16, 2009

SÍNDROME DE MAYSA


OUÇA
Composição: Maysa

Ouça, vá viver
A sua vida com outro bem
Hoje eu já cansei
De pra você não ser ninguém

O passado não foi o bastante
Pra lhe convencer
Que o futuro seria bem grande
Só eu e você

Quando a lembrança
Com você for morar
E bem baixinho
De saudade você chorar

Vai lembrar que um dia existiu
Um alguém que só carinho pediu
E você fez questão de não dar
Fez questão de negar


RUFFATO


Entonces: conversei com o escritor Luiz Ruffato. LEIA a entrevista no BLOG CLICK(IN)VERSOS. Lá você também encontra um papo com Lourenço Mutarelli...

quarta-feira, janeiro 14, 2009

ARPOADOR

às vezes
queria voltar no
tempo
pra brincar
como os infantis
fazem

(PAUSA)

domingo, em ipanema:

- me dá um tapa do seu back?
- sim. qual seu nome?
- fj. pô ainda bem que minha mãe naum tá aqui perto.
- qual sua idade.
- sou di maior, tenho vintium. mas naum é por causa disso naum. é que eu tô em condicional, entaum minha mãe pega no meu pé.
- o que você fez?
- trabalhava com fernandinho beiramar. sacoé?
- ahahan.
- mas sô tranquilo. quero ficar livre, na praia. vim de salvador, gosto de praia e sol.
- sim, baiano.
- não soteropolitano.

(pausa)

- posso ficar com a ponta?
- sim, claro.

terça-feira, janeiro 13, 2009

BOCA DE BACO, com oficina de MARCELINO


[release assessoria]

Os sábados não serão mais os mesmos na Cinelândia. A partir de 17 de janeiro, acontece o Boca de Baco na Livraria Odeon, localizada no mezanino do Cinema Odeon Petrobras. O evento reúne literatura, oficina, lançamentos de livros e revistas, troca de experiências e ainda é um espaço em que a livre manifestação artística é permitida e incentivada.

“A idéia é despir a roupagem careta que reveste esse tipo de evento e apresentá-lo de forma inovadora e divertida. Diversão é a palavra-chave. O Boca de Baco, como o nome diz, é uma apresentação dionisíaca, menos bela e mais divertida, sem deixar de ser consistente e ter conteúdo. Os debates, encontros e oficinas apresentam temas inovadores e formas diferentes de pensá-los. À noite, o palco aberto, a cachaça e o gongo complementam a estética de Baco.”, explica Ana Maria Bonjour, sócia da Safo Produções Literárias, produtora do evento, ao lado de Carolina Benjamin.

Na primeira edição do Boca de Baco, o escritor pernambucano e vencedor do Jabuti de Literatura, Marcelino Freire, coordenará uma oficina de produção literária. Após o encontro, será aberto um palco para todo tipo de manifestação artística.


As inscrições para a oficina já estão abertas. O investimento é de R$ 70. A entrada é gratuita para as demais atividades do dia. Na oficina chamada de Narrativas Breves – e Outras nem Tanto, o autor de Contos Negreiros (Record) trabalha com os participantes técnicas narrativas e dá dicas de como "enxugar" o texto, melhor preparar um livro, além de outros macetes.

"Todo o trabalho é feito, principalmente, em cima dos textos apresentados pelos interessados. Fazemos alguns exercícios e discutimos, juntos, o trabalho de cada um", diz o escritor.

Destinada a estudantes, professores, aos amantes da literatura, e também a aspirantes a escritores e poetas, a oficina contará com a participação especial de Lirinha, cantor e compositor do grupo Cordel do Fogo Encantado que acaba de lançar o romance Mercadorias e Futuro (Ateliê Editorial). O público participará de um bate-papo com os dois autores.

O músico Rodrigo Bittencourt, autor de Esmalte Vermelho (Língua geral), apresentará uma versão pocket de seu show. Outro destaque do evento será o lançamento de Ravenala, do poeta Horácio Costa. O livro de poemas é oitavo de sua autoria editado no Brasil. Para completar a diversidade de estilos, Maria Rezende recitará poesias do seu novo livro, Bendita Palavra.

Os próximos encontros serão nos dias 24 e 31de janeiro e 07 e 14 de fevereiro.

Serviço:

Oficina: NARRATIVAS BREVES - E OUTRAS NEM TANTO
Com: MARCELINO FREIRE
Participação Especial: LIRINHA
Horário: 10h
Valor: R$ 70
Lotação Máxima: 25 VAGAS.

As inscrições poderão ser feitas na própria livraria ou através de depósito bancário.

Local: Livraria Odeon. Praça Floriano, 7 (mezanino do Cinema Odeon Petrobras). Cinelândia, Centro, RJ.

A Livraria Odeon é uma livraria de cultura especializada em cinema. Estrategicamente recolhida no mezanino do Cinema Odeon Petrobras, concentra os 25m² quadrados mais acolhedores da Cinelândia. Seu catálogo é selecionado pelo recorte da boa leitura. As estantes concentram tesouros organizados nas seguintes sessões: cinema, teatro, filosofia, literatura, arte (teoria / crítica), música e quadrinhos. Um cantinho reservado às crianças completa o acervo. O espaço é compartilhado com o delicioso restaurante Ateliê Culinário, num ambiente confortável com rede de internet aberta e gratuita. Terreno fértil para lançamentos e diferentes eventos literários, a Livraria Odeon está aberta para agradáveis encontros.

Mais informações:

Informações: contato@livrariaodeon.com.br / 8763-0157 (Ana Maria)

terça-feira, janeiro 06, 2009

GAIOLA

reclama por
liberdade
e não percebe
os pássaros
cantando
dentro de você

livres


- Ramon Mello -

domingo, janeiro 04, 2009

POESIAS EM MOSAICO

Santo Antônio, Chacrinha, Jesus Cristo, Marilyn Monroe, James Dean – personagens famosos enquadrados por um olhar sensível e fragmentado. Se os quadros de Anderson Thives fossem palavras, certamente, seriam classificados como poemas: papéis picados, poesias em mosaico. Olhe, AQUI!
E AQUI:












sexta-feira, janeiro 02, 2009

DOIS MIL E 9

PACIÊNCIA!, uma voz me disse depois que tomei Daime no dia 30 de dezembro.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

MEU FILHO: RAMONES



quando ele acreditava em papel noel e tinha medo do beto carneiro o vampiro brasileiro

EU VOU TE CONTAR, por Fauzi Arap

Eu vou te contar que você não me conhece
E eu tenho que gritar isso
Porque você está surdo e não me ouve
A sedução me escraviza a você
Ao fim de tudo você permanece comigo
Mas preso ao que eu criei e não amei
E não a mim
E quanto mais falo sobre a verdade inteira
Um abismo maior nos separa
Você não tem um nome e eu tenho
Você é rosto na multidão
E eu sou o centro das atenções
Mas há mentira na aparência do que eu sou
E há mentira na aparência do que você é
Porque eu não sou o meu nome
E você não é ninguém
O jogo perigoso que eu pratico aqui
Busca chegar no limite possível de aproximação
Através da aceitação da distância
Ou do reconhecimento dela
Entre eu e você
Existe a notícia que nos separa
Eu quero que você me veja nu
Eu me dispo da notícia
E a minha nudez parada
Me denuncia e te espelha
Eu me dilato
Tu me relatas
Eu nos acuso e confesso por nós
Assim me livro das palavras
Com a as quais você me veste.

[Fauzi Arap]



segunda-feira, dezembro 15, 2008

FRAGMENTOS | 'LITERATURA SEM PAPEL'


Vídeos do Seminário Literatura Sem Papel, no Fórum de Ciência da UFRJ, organizado pela crítica literária Beatriz Resende.

No Portal Literal:


=> Parte 1 => Parte 2 => Parte 3 => Parte 4 => Parte 5 => Parte 6 => Parte 7 => Parte 8 => Parte 9 => Parte 10 => Parte 11 => Parte 12 => Parte 13

Cecília Giannetti fotografou e filmou o encontro no sujinho: Bernardo Carneiro Horta, Marcelo Moutinho, Miguel Conde, Sérgio França, Ana Paula Maia, Manoela Sawitzki e minhas olheiras...

domingo, dezembro 14, 2008

MESTRES: CAIO, RENATO E CAZUZA

"Assim como os poetas Cazuza e Renato Russo, que considero almas irmãs de Caio em matéria de destino e expressão artística, ele, o prosador, viu-se na contingência de ter mesclada a tarefa da criação com o drama da morte anunciada (...)"

Ítalo Moriconi - Cartas Caio Fernando Abreu (Aeroplano, 2002)





Caio Fernando Abreu no programa 'Entrelinhas', na TV Cultura.




Renato Russo entrevistado por Zeca Camargo, em 1993.




Cazuza entrevistado por Leda Nagle, em 1985.

terça-feira, dezembro 09, 2008

segunda-feira, dezembro 08, 2008

CRIANÇA

quando você não
cheira seu olhar
é criança

mergulho fundo
abraço iris dilatada
cabelo enrolado

pernas grossas
prendem
nossos desejos

domingo, dezembro 07, 2008

FL@P! RJ 2008 - INTERFERÊNCIAS

Teaser da FL@P! RJ 2008 - Festa Literária Aberta ao Público. Em sua terceira edição carioca, a FLAP! assumiu o tema INTERFERÊNCIAS. Em dois dias - 20 e 21 de setembro - a PUC foi palco de 4 debates, 2 saraus e a exibição de dois curtas.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

PÓ PÁRA COM O PÓ

Você conhece alguém viciado em cocaína? Então, manda o cheirador para JAKE, a famosa cantora de AXÉ CATÓLICO! Sim, uma espécie genérica de Ivete Sangalo misturada com Margareth Menezes puritana. Olha que bizarro:


As dançarinas fazem coreografia coçando o nariz, notou? Medo! E o MINISTÉRIO CHAMAS DO AMOR dançaaaaaaaa:


Ereuka de Dorigatti.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

CARTILHA


para Elvira Rocha


não

se aproxime

(estou

entre

parenteses)

quinta-feira, novembro 27, 2008

GIRA DE EXU


LEVE UMA ROSA VERMELHA, NADA DE ARRUDA!!!

segunda-feira, novembro 24, 2008

sábado, novembro 22, 2008

MADAME BOVARY SOU EU

Minha esposa está publicando na internet: blog madame bovary sou eu.

sexta-feira, novembro 21, 2008

ALEPH


Antonio’s Bar – Lapa – Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2008:

03:42 – “Desculpa incomodar a diversão de vocês. Mas tenho amendoins gostosos pra oferecer...” Começa diferente, com esse discurso repetitivo eu não compro nada. “Tá bem. Meu nome é Aleph, tenho 14 anos e sou vendedor de amendoins. Moro longe, pego três conduções pra chegar aqui na Lapa. Só volto pra casa quando vendo tudo...” Você sabe o que significa seu nome? “Sim. Aleph: primeira letra do alfabeto hebraico; início do caminho” E você conhece o livro do Borges? "Jorge Luis Borges? Sim! Comprei o livro O Aleph. Fiquei curioso com o meu nome..." Vou pedir um pastel e um refrigerante pra você. "Pode ser Coca com limão e gelo?" Pode. Puxa a cadeira e conta essa história.

TAXI


túnel rebouças
lagoa - tijuca
depois da praça
saens peña

rádio desligado
sem trilha sonora
olhos tristes bêbados
de realidade

vinte e cinco reais
três horas da manhã
uma mensagem
de celular:

POR QUÊ?

Bernardo Carneiro Horta, autor do livro 'Nise - Arqueóloga dos Mares'. Confira entrevista no CLCIK(IN)VERSOS e matéria especial no Portal Literal.

quinta-feira, novembro 20, 2008

II SEMINÁRIO LITERATURA SEM PAPEL


Dia 24 de novembro – das 10 às 18hs
Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ
Salão Moniz de Aragão
Av. Pasteur, 250, 2º. Andar


A professora e crítica literária Beatriz Resende vai promover o II SEMINÁRIO LITERATURA SEM PAPEL, no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, cujo objetivo é colocar em discussão o uso da internet por quem faz Literatura e Teatro ou apenas se interessa por estas expressões artísticas.

Será um dia inteiro de bate-papo com 'militantes' das práticas literárias e teatrais na web: Mario Bortolotto, Heloisa Buarque de Hollanda, João Cícero, Juliana Pamplona, Miguel Conde, Cecilia Giannetti, Ana Paula Maia, Marcelo Moutinho...

Nos painéis, serão apresentados blogs, sites e revistas virtuais dedicados a Literatura e Artes Cênicas. Estarei no debate "E o livro, como vai?", ao lado das editoras Cristiane Costa (Nova Fronteira) e Diana Klinger (Revista Grumos), às 15h30.

O seminário será transmitido pela internet através da rede aberta da TV-UFRJ.

Confira a programação completa:

1Ohs - Abertura. Apresentação do Fórum Virtual de Literatura e Teatro, projeto CIENTISTA DO NOSSO ESTADO da FAPERJ. Coordenação Profa. BEATRIZ RESENDE.

10,30 hs - QUESTÕES DA DRAMATURGIA CONTEMPORÂNEA
Palestra de MÁRIO BORTOLOTTO, dramaturgo.
Blog: Atire no Dramaturgo

11,30hs - IMPRESSÕES DIGITAIS
HELOISA BUARQUE DE HOLLANDA. Coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea – PACC-UFRJ e CLAUDINEY JOSÉ FERREIRA – Instituto Itaú Cultural

12,30hs - A CENA NA REDE: BLOGS E REVISTAS VIRTUAIS DEDICADOS ÀS ARTES CÊNICAS
DANIELE ÁVILA e DINAH CESARE, editoras da Revista Questão de Crítica. Revista eletrônica crítica e estudos teatrais.
JOÃO CÍCERO, crítico teatral, colaborador do Fórum Virtual de Literatura e Teatro.
Apresentação da Revista Z Cultural . AMARA ROCHA, pesquisadora do PACC/UFRJ
Mediação: JULIANA PAMPLONA. Dramaturga, editora do Fórum Virtual de Literatura e Teatro .

13,30 às 14,15 - BRUNCH no Salão Dourado

14,30 – VIDA LITERÁRIA EM TEMPOS DE INTERNET
Palestra de MARCELINO FREIRE, escritor.
Blog: era O dito

15,30 – E O LIVRO, COMO VAI?
CRISTIANE COSTA
, editora de Não-Ficção da Nova Fronteira e DIANA KLINGER, editora da Revista Grumos e RAMON MELLO, escritor e jornalista. Blogs CLICK(IN)VERSOS e Sorriso do Gato de Alice.

16,30 - BLOGS, SITES E REVISTAS ELETRÔNICAS: O JORNALISMO LITERÁRIO ONLINE
MIGUEL CONDE – Caderno Prosa e Verso de O Globo e Prosa on line.
CECÍLIA GIANNETTI, escritora e editora do Portal Literal.
Coordenação: DANIELA BIRMAN, jornalista, Doutora em Letras; Pos-doutorando do PACC/UFRJ

17,00 – ESCRITORES EM REDE
ANA PAULA MAIA, escritora. Blog Killing Travis.
MARCELO MOUTINHO, escritor e jornalista. Blog Pentimento.
Coordenação: BEATRIZ RESENDE

Durante todo o evento serão apresentadas publicações on line em telão.

>>> Leia também:

Matéria, realizada por Bruno Dorigatti, sobre o I Seminário 'Literatura sem papel' em 2006.

sexta-feira, novembro 07, 2008

FLIPORTO





Estou em Recife, na FLIPORTO, Feira Literária de Porto de Galinhas, fazendo a cobertura para o Portal Literal. O lugar é lindo, o hotel é cinco estrelas. Mas nem tudo é perfeito: peguei uma virose. Na verdade, antes da viagem eu já estava pálido, enjoado, vomitando partes do meu pequeno fígado. Fui de táxi para o Galeão, mas tive a impressão de estar num barquinho. No avião, tomei um dramim e dormi. Meu primeiro dia no balneário foi assim: passei a manhã no hotel, no fim da tarde assisti a aula-espetáculo do Ariano Suassuna e à noite fiquei no hospital. Duas bisnagas de soro com dipirona na veia, duas horas e meia de espera. Agora estou vivo. Pronto pra comer de tudo... AHAHA.

>>> Abertura Porto de Galinhas 2008 – Portal Literal.

quarta-feira, novembro 05, 2008

413 USINA X COPACABANA

Foto/Flickr: Fernando Quesada

"(...) estou aqui, neste apartamento pequeno e idiota, e tenho trinta e cinco anos, sou dono de um negócio minúsculo e prestes a falir, e meus amigos não parecem amigos, e sim pessoas cujo o número de telefone eu não perdi."

Trecho de Alta Fidelidade, de Nick Hornby, traduzido por Paulo Reis. Ganhei esse livro de presente, estou lendo no engarrafamento entre a Zona Sul e Zona Norte do Rio de Janeiro. Meia-hora parado na Conde de Bonfim: homens trabalhando e britadeira perfurando meus ouvidos. Mais meia-hora parado no Aterro do Flamengo: um taxi capotou e parou no meio da pista, ninguém morreu.

ALÔ?

10:51 Já estou morando na Tijuca, após a praça Saens Pena, entre a Conde de Bonfim e a Uruguai. Um suburbano quase convicto. Diferente do Bairro Peixoto, em Copacabana, não há silêncio ou conversas de pássaros. Os carros cantam os pneus debaixo da minha janela as seis da matina. Já estou acostumando, triste. As vantagens: o apartamento é enorme e não preciso mais comer comida congelada - continuo com a tarefa de lavar a louça, sem problemas. O trânsito ainda me irrita, MUITO. Se antes eu chegava no trabalho em dez minutos, hoje fico uma hora e meia no trânsito. Tenho lido mais no ônibus. De Metrô tudo é mais rápido (inclusive uma paquera) mas tenho que fazer integração: Argh. Minha vida ainda está encaixotada em caixas de papelão. Preciso comprar uma estante para colocar os livros. Detalhe, o meu trabalho também está mudando de endereço, tudo está encaixotado. Fico me perguntando o que mais vai mudar? Nada me surpreende. Mentira. A honestidade do rapaz que achou o meu celular numa lan house me causou até espanto. Ele ligou para o amigo Sorvete de Morfina, que me avisou sobre o resgate. Obrigado!!! Eu já tinha cancelado a conta e comprado outro aparelho, mas tá valendo.

REUNIÃO DE PAUTA


Equipe Portal Literal: Valeska Zamboni (Produtora), Bruno Dorigatti (Subeditor), Cecilia Giannetti (Editora), Heloisa Buarque de Hollanda (Curadora), Ramon Mello (Repórter).

sexta-feira, outubro 31, 2008

CÉU

Arrumo os livros em caixas de papelão. Mudanças. Na vitrola O Grande Circo Místico me lembra que é necessário brincar, ser criança. Caixas Piraquê: Baudelaire, Drummond, Ruffato, Chico Buarque, Manuel Bandeira: Estrela da Vida Inteira – edição de 1965, capa dura, Mestres da Literatura Brasileira. Abro o livro, leio aleatoriamente, página 30:

Lua Nova

Meu novo quarto
Virado para o nascente
Meu quarto, de novo a cavaleiro de entrada da barra.

Depois de dez anos de pátio
Volto a tomar conhecimento da aurora.
Volto a banhar meus olhos no mênstruo incruento das madrugadas.

Todas as manhãs o aeroporto de frente me dá lições de partir.

Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
- Sem medo,
Sem remorso
Sem saudade.

Não pensem que estou aguardando a lua cheia
- Esse sol da demência
Vaga e noctâmbula
O que mais eu quero,
O de que preciso
É de lua nova.

Manuel Bandeira - Rio, agosto de 1953

CADÊ?


cadê meus cinqüenta reais? urso de pelúcia com tatuagem de tartaruga ninja, filho da puta. foi você? entro no ônibus. cadê o dinheiro filho único? não tem a passagem, desce. banco do brasil, saldo negativo. fudeu.

segunda-feira, outubro 27, 2008

RECADO, por Daniel Gonzaga



Show de lançamento do CD "Comportamento Geral", no Teatro Rival dia 12/03/2008.

IMAGENS DO INCONSCIENTE



“Quando existe um alto grau de crispação do consciente, muitas vezes somente as mãos são capazes de fantasia. Elas modelam ou desenham figuras que são muitas vezes completamente estranhas ao inconsciente”.

C.G.Jung





Darcílio Lima - Casa das Palmeiras - Rio de Janeiro



domingo, outubro 26, 2008

ARQUEÓLOGA DOS MARES - NISE



‘Nise – Arqueóloga dos Mares’, de Bernardo Carneiro Horta, é o livro que estou lendo para realizar a próxima entrevista do CLICK(IN)VERSOS. Não se trata de uma biografia, mas um ‘biografema’ da psiquiatra Nise da Siveira. Bernardo usou as palavras do escritor francês Roland Barthes para convencer a ‘dama do inconsciente’ sobre o livro.

O biografema nunca é uma verdade objetiva, ele nada mais é do que uma anamnese factícia – o que empresto ao autor que amo. A biografemática, ciência do biografema, teria como objetivo pormenores isolados da vida da vida da gente. Essa biografia fragmentada diferiria da biografia-destino, onde tudo se liga tentando fazer sentido. O biografema é o detalhe aparentemente insignificante, fosco – a narrativa e a personagem no grau zero, meras virtualidades de significação. Por seu aspecto sensual, o biografema convida o leitor a fantasiar, a compor, com estes fragmentos, um outro texto, que é, ao mesmo tempo, do autor amado e dele mesmo, o leitor.

O autor teve o privilégio de conviver com Nise da Silveira durante os últimos anos de vida, no Grupo de Estudos C.G.Jung. O resultado é um livro especial sobre a brasileira que mudou a história da psiquiatria no Brasil. Leia esse trecho:

Certa vez, ao ver alunos de psicologia manuseando e comentando livros sobre o tema, Dra. Nise disparou:

“Rasguem os manuais de psiquiatria! Leiam Machado de Assis. Seria mais proveitoso trocar certos tratados de psiquiatria pelos livros deste que é o maior escritor brasileiro de todos os tempos, primeiro grande mestre de psicologia. Suas obras analisam com mais profundidade a alma humana. Quem quiser aprender psicologia, pra valer, deve ler Machado. Não houve melhor psicólogo, no mundo. Ele rivaliza com Willian Shakespeare, que também era escritor – ambos saíram-se grandes autores de psicologia. Vocês concordam? Em Hamlet, o personagem de Shakespeare parece estar desvairado, fora de si. Todos acham que está louco. Então há uma resposta à altura: ‘Desvario sim, mas tem seu método!’ Todo delírio tem um sentido, e cabe ao psiquiatra e ao psicólogo apurá-lo com a visão, olfato e sensibilidade afiados para compreender que método é este. Não é a toa que Machado de Assis cita Hamlet em sua obra”.

Além de recomendar a leitura do Bruxo do Cosme Velho e do Bardo, a Dra. também indicava obras de Dostoieviski e Marcel Proust.

"Seria muito vantajoso que o estudante trocasse vários de seus manuais de psicologia por ‘Em busca do tempo perdido’. Por favor, não me venham com jargões psiquiátricos! Isso é o Grupo de Estudos C.G.Jung. Um grupo de respeito!”, dizia.

PARABÉNS GABEIRA!!!



Gabeira, parabéns! Infelizmente, alguns cariocas preferem os 'jovens promissores' da politicagem brasileira. Agora devemos nos preparar para a maior roubalheira 'da história desse país'.

sexta-feira, outubro 24, 2008

ONDA VERDE: GABEIRA 43!

AMANHÃ, SÁBADO, 10H NO LEME: ONDA VERDE PARA ELEGER GABEIRA.


COLEÇÃO DE AMORES

O múltiplo Rodrigo Bittencourt, meu caro amigo, lançou o clipe da música 'Coleção de Amores', parceria com profeta Jorge Mautner. A direção é do curitibano-carioca Fabiano Vianna, o Fabz, outro talento. É do Fabz o layout do CLICK(IN)VERSOS; o clipe 'Garoto de Aluguel', com Thaís Gulin e o trailer do livro 'Guerra dos Bastardos', de Ana Paula Maia. Salve Mascarenhas!

quinta-feira, outubro 23, 2008



LADO B

desculpa
mas essa música
não quero mais
ouvir

sua voz arranhada
já não convence
vira o lado do
disco

aproveita e dorme


segunda-feira, outubro 20, 2008

CONFISSÃO

Digo e escrevo palavras mentirosas para me proteger. Decepção. Quero preservar o carinho e a amizade, mas preciso de tempo para me reconstruir.

ODEIO VOCÊ




Odeio

Composição: Caetano Veloso

veio um golfinho do meio do mar roxo
veio sorrindo pra mim
hoje o sol veio vermelho como um rosto
vênus, diamante, jasmim
veio enfim o e-mail de alguém

veio a maior cornucópia de mulheres
todas mucosas pra mim
o mar se abriu pelo meio dos prazeres
dunas de ouro e marfim
foi assim, é assim, mas assim é demais também

odeio você, odeio você, odeio você
odeio

veio um garoto do arraial do cabo
belo como um serafim
forte e feliz feito um deus, feito um diabo
veio dizendo que sim
só eu, velho, sou feio e ninguém

veio e não veio quem eu desejaria
se dependesse de mim
são paulo em cheio nas luzes da bahia
tudo de bom e ruim
era o fim, é o fim, mas o fim é demais também

odeio você, odeio você, odeio você
odeio

sexta-feira, outubro 17, 2008



Encontrei com a poeta e filósofa Viviane Mosé no ‘Talho Capixaba’, Rio de Janeiro, para uma conversa sobre filosofia, psicanálise e processo criativo.


A entrevista está no BLOG CLICK(IN)VERSOS.


Aproveita e visita o blog da Viviane Mosé, a poeta acabou de estrear na blogosfera. Leia um trecho do primeiro post dela:


"Há muito tempo ensaio este instante: uma página em branco disposta a meus comentários, impressões, artigos, poemas. Mas a urgência se juntou ao medo de ter que dar conta de uma demanda que não sei se posso ou consigo. Então novamente a necessidade de falar, que sempre atravessou minha garganta. Acho que tem um nó de letras entalado em minha voz que não canta. Então palavras me ofereço e agora compartilho com quem tiver iniciativa de passar por aqui.

Aviso que nem sempre estarei com palavras muito novas, mas toda segunda vou tentar alimentar um tema, ou poema antigo ou inédito, ou contribuição de algum autor que tenha me chamado atenção. E são tantos. No mais vamos ver o que esta tela de luz viva e tão atravessada por pessoas me inspira, se mais medo ou ousadia, ou se um alguém que em mim anda dormindo e aqui vai querer voltar a acordar. Confesso que já estou gostando. Este caminho de letras se delineando''.

EMEIO




Chega em casa e vai direto para o computador. Abre a caixa de e-mail, vinte e três mensagens não lidas. Lê a primeira da lista, 'ONTEM':


(...) saudades da sua bundinha.

Resposta:

NÁDEGAS A DECLARAR: CÚ NÃO TEM CORAÇÃO.

quarta-feira, outubro 15, 2008

SORRISO DO GATO DE ALICE


Sim. Eu sei da existência do disco 'O Sorriso do Gato de Alice', de Gal Costa. Mas não foi por esse motivo que batizei o blog. Foi por causa do livro 'Alice no País das Maravilhas' e do gato de Alice, Cheshire. Até porque Gal HOJE é chata! Ficou tia velha, presa ao passado. Se eu tiver de escolher uma cantora da geração dela, fico com Maria Bethânia. Mas gosto da GAL ONTEM, anos 70, com o disco 'Vapor Barato', em parceria Waly Salomão. Esse disco não sai da minha vitrola. Sim tenho uma vitrola, ainda não me converti ao MP3.




Ah essa teoria Gal ONTEM, Gal HOJE não é minha. Mas de um crítico musical...

ASSISTA:

Cenas do filme ‘Terra Estrangeira’, de Walter Salles e Daniela Thomas, com a música ‘Vapor Barato’ cantada por Gal Costa.




Gal Costa promovendo o disco 'O Sorriso do Gato de Alice' no Faustão, em 1993.





Gal Costa no Programa Roda Viva, da TV Cultura, conversando sobre o show "O Sorriso do Gato de Alice" dirigido pelo Gerald Thomas. Polêmica: os peitinhos da Gal.



FELINOS



'O gato de Alice sorriu pra mim e sumiu na multidão. Como encontrar um gato que não quer ser encontrado? Um gato invisível. Nas ruas às vezes acho que vejo os olhos ou o sorriso, nunca o gato inteiro. Por que sorriu? Por que sorriu e sumiu? Quando achei que ia chegar ao País das Maravilhas, tive que voltar e acordar. O gato existiu ou foi só um sonho? Não sei o que fazer. Não sei o que pensar’.

Se você não aceita o meu silêncio, então vou ser direto: recebi as flores, agradeci e avisei que eu não merecia. Ou melhor, não mereço. Eu não presto! Sério. Sou desses que gosta de figurinhas repetidas, mesmo quando a cola já está gasta. Só desisto delas quando enjôo. Tá certo que já enjoei de algumas figuras, mas não o suficiente para desgrudarem dos meus dedos. Não, não joguei suas cartas no lixo. Mas me assustei com os envelopes amarelos no chão do meu conjugado logo pela manhã, confesso. Publiquei suas palavras porque são bonitas – espero que não se importe. Não duvido dos seus sentimentos, admiro a coragem e a insistência. Se fosse em outros tempos, eu faria o mesmo: flores, presentes e cenas dramáticas na portaria do prédio. Algumas coisas funcionaram, outras nem tanto. Valeu a pena? Talvez. Foi difícil aturar o desprezo. Peço desculpas pela frieza, mas é melhor assim. Tenho de ser duro (sem trocadilho, por favor) para que compreenda o meu momento. Sim, egoísmo. Tive que aprender a olhar meu umbigo para me defender de uma depressão filha da puta. Um umbigo sujo, mas meu. Quem sabe não nos esbarramos numa dessas esquinas sujas de Copacabana? Vai que surge a chance de vivermos um conto de amor escrito por um desses autores deprimidos dos anos 80. Ouvir vinil, falar de literatura e trepar o dia inteiro. Gira mundo, lembra? Respeite os instantes, por favor. Sempre fujo quando o carinho é excessivo e no tempo errado. Percebe como sou parecido com seu gato? Por falar no felino, miados de agradecimento pelas fotografias. Preso por um imã na porta da geladeira, ele me observa digitar essas palavras. Sonho ou realidade? Trata-se de ficção, das melhores. Acredite. Cartas, posts, palavras sinceras e sentimentos confusos. Engano. Não é um romance, infelizmente. Repito: sou viciado em relacionamentos fracassados, minha cocaína. Por enquanto, estou em processo de recuperação. Abstinência. Pense em você e invente o seu mundo encantado sem medo do ridículo. É inevitável.

CAMPANHA NU GROBOOO



hum eu tava bêbado, mas não me arrependo. GABEIRA 43!

sexta-feira, outubro 10, 2008

FIDELIDADE PARTIDÁRIA, NATURALMENTE


Fui ao show 'Naturalmente', da Margareth Menezes, no Mistura Fina, em Ipanema. Não, não sou fã dela. Admiro o trabalho da Margareth cantora de axé. Mas estou repensando o assunto. Cafona. Enfim, fui para acompanhar um amigo que definiu bem o show dela: ‘axé em banho maria’. Encostei no bar e tomei vodka - uma, duas, três, quatro doses - e algumas cervejas. Ou seja, fui muitas vezes ao banheiro. Numa dessas idas e vindas, encontrei a Benedita da Silva. Bêbado, não me contive e perguntei gritando: Bené, como você pode apoiar o Eduardo Paes? Ela riu, me abraçou e respondeu: ‘Fidelidade partidária, acompanho o meu partido. Essa é a minha contribuição para o Rio. Querido, gosto do Gabeira mas não dá...’ Que pena, Benedita! Que pena.

quinta-feira, outubro 09, 2008

PORTAL LITERAL 2.0



ENTONCES: Estou trabalhando como repórter no Portal Literal - convite da escritora Cecilia Giannetti e da professora Heloisa Buarque de Hollanda. O clima da redação é ótimo, meio esquizofrênico. Salve Valeska e Dorigatti!

Entrei no momento de migração, agora o Portal Literal é 2.0 . Ou seja, o Portal Literal está mudando a maneira como se produz, divulga e conhece literatura no Brasil.

Os escritores podem publicar diretamente seus textos. E as editoras também podem publicar press releases, convites para lançamentos e eventos literários, entrevistas com autores e professores, fotos em alta definição, vídeos e áudios relacionados.

Basta fazer o cadastro e você ganha um perfil no Portal Literal:

http://portalliteral.com.br/registro

>>> Se quiser entender a mudança, dá uma lida no texto preparado pela Equipe do Portal Literal:

A reformulação do Portal Literal, que se torna agora totalmente integrado ao modelo colaborativo, inclui sistemas de comentários, mecanismos de indexação (tags) e distribuição de conteúdo por RSS, além das ferramentas para publicação de conteúdo por todos os usuários cadastrados.

O novo Portal Literal busca, portanto, agregar, organizar e difundir conteúdo literário pela web, de acordo com licenças de Creative Commons.

Permanecem como elementos estruturais deste Portal os acervos de Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, Zuenir Ventura, Ferreira Gullar e Luis Fernando Verissimo, precioso patrimônio histórico cultural e resultado de uma extensa pesquisa em seus arquivos pessoais.

É mantida também a produção exclusivamente editorial de nossa equipe, demarcada no site pelo selo Editorial em artigos, reportagens, entrevistas, nas Oficinas Literárias e no concurso mensal de contos Exercícios Urbanos que fazem grande sucesso entre nosso público.

Todo o conteúdo pode ser discutido no Blog da Redação, que é interativo e manterá os usuários informados sobre temas relativos ao site, permitindo que sugiram pautas para desenvolvimento e assuntos para debate.

O segmento colaborativo inclui um Banco de Cultura, em que agora podem ser submetidos diretamente ao site arquivos de texto, bem como áudio e vídeo, entre outros; permitindo, inclusive, a publicação online de obras inteiras bem como o download de livros de novos autores de língua portuguesa de qualquer parte do país e do exterior. A comunidade do Portal Literal conhecerá em primeira mão essas obras, que, com sua participação, ganharão visibilidade.

Nossos leitores passam, desta forma, a atuar como autores e editores de um novo Portal Literal, que construiremos juntos.

Escritores, editores, jornalistas, assessorias, críticos, blogueiros, estudantes e professores ganham uma comunidade cultural online, inteiramente aberta às contribuições de seus integrantes, seja em prosa, poesia ou no debate em torno de nossa paixão em comum: a forma escrita.

quarta-feira, outubro 08, 2008

ESPINHOS

, mesmo sem merecer, sou acordado com um buquê de rosas vermelhas. o porteiro diz: tem umas flores pro senhô na portaria. obrigado. mas não mereço, acredite. só admiro os espinhos, masoquista. vício de relacionamentos desgastados.

segunda-feira, outubro 06, 2008

APRENDIZAGEM II

''Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra pra frente".

Clarice Lispector - 'Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres'

sexta-feira, outubro 03, 2008

GABEIRA 43


Gosto de política. Mas tomei nojo da politicagem brasileira. Domingo é dia de eleição, vou para Araruama votar. Por lá as coisas pegam fogo, políticos corruptos aproveitam a falta de fiscalização para comprar votos.


Se eu votasse no Rio meu candidato seria o Gabeira - 43. De acordo com o Datafolha, Crivella e Gabeira estão tecnicamente empatados. Se Crivella perder a vaga para o segundo turno, diminuem em muito suas chances de voltar a concorrer como governador em 2010.

>>> NELSON MOTTA - GABEIRA 43:

UTOPIA CARIOCA

Sempre que vejo na televisão a propaganda do TSE mandando a gente ficar de olho nos nossos eleitos, sinto um certo constrangimento e uma sensação de ridículo institucional. Mas também um estranho orgulho e um vago sabor de superioridade: há várias eleições voto no deputado Fernando Gabeira e nunca me decepcionei com seus votos, atitudes e atuação política, mesmo quando, às vezes, discordo de seus pontos de vista. Sua honestidade e inteligência são inquestionáveis.

É uma felicidade democrática ter alguém que realmente representa no Congresso o que você pensa e acredita. Isto também é quase ridículo, porque é uma exceção do que deveria ser a norma, como é em países civilizados. Mas fiquei ainda mais orgulhoso agora que ele impôs suas condições para ser o candidato da frente PV-PSDB-PPS à prefeitura do Rio de Janeiro.

Não pediu poderes ilimitados, nem caminhões de dinheiro, nem submissão dos partidos à sua vontade: exigiu uma campanha limpa, sem ataques pessoais, propositiva; divulgação pela Internet dos fundos e despesas da campanha, e o principal: caso eleito, que o secretariado seja escolhido por méritos e critérios profissionais e não partidários, sem o habitual loteamento como moeda de troca por apoio político. Ele não acha que só porque 'todos' fazem errado ele deve fazer também. É quase uma utopia. Mas se é a realidade em países civilizados, por que não, um dia, no Brasil?

Conhecido por sua trajetória dedicada aos direitos humanos, à ecologia, saúde, educação e cultura, com reconhecida capacidade de diálogo democrático e tolerância, sem concessões à ladroagem e à política-como- ela-é, o que ele propõe é o óbvio. Mas parece um sonho quase impossível.

O Rio de Janeiro merece esta esperança.

Nelson Motta.

>>> CAETANO VELOSO - GABEIRA 43:


CONCLUSÃO:

SE VOCÊ FUMA, SENTA OU CHEIRA, VOTE NO GABEIRA!!!

ACORDO ORTOGRÁFICO


A partir de 2009 o novo acordo ortográfico entra em vigor. Uma palhaçada! Fiquei com pena do trema, coitado.

Hífen

Desaparecerá em palavras em que o segundo elemento comece com "r" e "s", como "anti-rábico" e "anti-semita" . A grafia

Acento diferencial

Não se usará mais acento para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição) ou "pêlo" (substantivo) de "pélo" (verbo) e "pelo" (preposição mais artigo)

Acento agudo

Desaparecerá nos ditongos abertos "ei" e "oi" em palavras como "idéia" e jibóia" e nas palavras paroxítonas com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo em palavras como "feiúra"

Acento circunflexo

Desaparecerá em palavras com duplo "o", como vôo e enjôo e na conjugação verbal com duplo "e", como vêem e lêem.

Trema

Deixará de existir, só permanecerá em nomes próprios, como Hübner ou Müller.

Alfabeto

Passará a ter 26 letras, ao incorporar "k", "w" e "y".

COLAÇÃO DE GRAU


Detesto cerimônias, mas não tive como escapar da minha colação de grau: jornalismo. Não avisei a ninguém porque sei como essas coisas são chatas e cafonas. Na verdade, avisei só para amigos próximos. Mas, justamente pela amizade, eles me pouparam. Minha mãe, meu irmão mais velho e minha cunhada compareceram. Coitados. Primeiro tive que vestir uma beca horrorosa, sem falar naquele chapeuzinho quadrado. E o calor? De terno, com aquele troço por cima. Com um monte de gente desconhecida, 170 formandos e ninguém da minha turma. Eu só conhecia as pessoas de teatro. O mestre de cerimônias era um homem muito parecido com Belchior, só que a voz dele era de locutor de rádio AM. E tinha um casal de cantores com roupas de padrinhos de casamento. Mas isso não era nada, o repertório deles era terrível: uma mistura de gospel com mpb brega. O circo durou umas quatro horas, haja saco. Todos os formandos foram obrigados a ficar sentados no palco, atrás da mesa solene, ouvindo aquelas homenagens toscas. A única coisa engraçada foi que umas meninas levaram cartazes escondidos na beca: ‘Calma. Só faltam 2 horas!’; ‘Obrigado, Google’. Enfim, acabou.

PÓS-PALAVRA

depois do filme, festinha com pessoas queridas. foto 1 - ainda sóbrio. foto 2 - não sabia o próprio nome. fotos: tomás rangel.




SANTA SATISFAÇÃO



Na Santa Clara, leio o jornal, aguardo meu café e reparo em você: óculos pretos com armação grossa e uma cara de sapatão francesa. Gosto disso. Fantasio: leciona francês. Será? Não, tem as pernas bonitas demais para essa função. Pernas que horas depois vou lamber e apertar enquanto seu gato me olha com desejo. Borges, ele se chama. Não imaginei o nome, mas gostei ao saber. Quando descobri que já havíamos nos esbarrado em Copacabana, perto do Metrô da Siqueira Campos, levei um susto. Então foi você quem me encarou no domingo, na saída da agência bancária. Engraçado. Aqui estou, enroscado nos seus pelos, como se eu fosse muito íntimo. Não me importo. Você apenas me disse que estuda medicina. Não posso esquecer, também fez faculdade de música. Piano. Pena ter abandonado, tem dedos lindos. Negou meu pedido, não tocou nada pra mim. Mas colocou um gringo no Ipod. Uma intimidade tão estranha que fico envergonhado. Não fazia idéia que nos conhecíamos de vista, lembrei apenas dos seus sapatos. Sim. Temos em comum a coleção de romances fracassados. Escrevi um poema com essa expressão: romances fracassados. Mas só digo se você tocar. Não? Tudo bem, não vou insistir. Nunca aprendi nenhum instrumento. Besteira. Ganhei um violino quando era adolescente, mas desisti pela dificuldade. Sempre desisto das coisas no primeiro obstáculo, foi assim com o balé. Calma. Estou mudando, acho. Então, troquei meu violino por CD’s. Com licença, vou ser clichê e acender um cigarro depois da trepada. Posso? Obrigado. Não ri. Prometo que é só um. Vou embora, preciso escrever. Gosto de trabalhar de madrugada, movido a café. Jornalista. Levanto cedo todos os dias, só um pouco mal-humorado. Borges. Adorei seu gato. Um dia vou adotar um filhote, é uma promessa antiga. No meu conjugado não cabe mais ninguém. Sim, moro sozinho. Verdade. Pode me dar um copo d'água? Mais um pouquinho, tô com sede. Tem papel higiênico no banheiro? Preciso me limpar, meu umbigo está uma poça de porra. Qual a sua especialidade? Tá me ouvindo? Doenças do sistema imunológico. Que horas? Melhor eu ir embora. Anota meu telefone: oito-quatro-três-dois-cinco-nove-um-dois. Pronto. Salva na agenda e liga qualquer dia. Ainda lembra o meu nome? Tenho a memória péssima, deve ser a maconha. Me leva até o elevador? Tchau, Borges. Boa noite.